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Um suicídio ocorrido em São Clemente de Sande, em 1758

António José Oliveira
Opinião \ quinta-feira, outubro 20, 2022
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Pelas palavras do pároco, sabemos que tinha feito testamento, a 29 de dezembro de 1748, em que deixara pela sua alma, um ofício de cinco padres.

Na investigação que empreendemos aos registos de óbito das freguesias, que compunham o termo de Guimarães, nos séculos XVI a XIX, foi-nos possível detetar, nos milhares de assentos, situações rotineiras, mas também inusitadas. Um desses casos foi um suicídio de uma mulher ocorrido em 1758, na freguesia de São Clemente de Sande (termo de Guimarães), contígua de Caldas das Taipas (freguesia de São Tomé de Caldelas).

Através de um assento de óbito redigido pelo pároco da freguesia de São Clemente de Sande, o vigário Duarte Correia de Lacerda, temos notícia de um suicídio ocorrido nesta povoação. Pela leitura deste assento de óbito datado de 17 de abril de 1758, sabemos que Maria Mendes, casada com Francisco Marques, moradora no lugar do Carvalho, da freguesia de São Clemente de Sande “faleceo da vida prezente”, sem receber sacramento algum “em razão de que a sua família a achou afogada por ter metido a cabeça dentro de huma caixa, e a coberta desta a apanhar pelo pescoço, ficando o corpo todo de fora”. Continuando a leitura deste registo de óbito existente no Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, constatamos que Maria Mendes se suicidara pelos seguintes motivos:

“ cuja desgraça se atribuhio a ter andado certa maníaca ou com leveza do juízo, ou possuída de alguma infestação diabólica, como a todos hê e era notório”.

Pelas palavras do pároco, sabemos que tinha feito testamento, a 29 de dezembro de 1748, em que deixara pela sua alma, um ofício de cinco padres. Maria Mendes seria sepultada no interior da Igreja paroquial de São Clemente de Sande, sendo o seu ofício fúnebre acompanhado de cinco padres, conforme sua última disposição testamentária.