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Porque sonhamos?

Ana Menezes
Opinião \ quinta-feira, setembro 10, 2026
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O que a evidência sugere, é que sonhar parece ser um trabalho silencioso e contínuo de manutenção da nossa vida mental, ainda em grande parte por explicar.

Passamos cerca de um terço da vida a dormir, e uma parte significativa desse tempo a sonhar. Os sonhos são experiências mentais que acontecem durante o sono. Ainda assim, a pergunta para que servem continua sem resposta definitiva. Muitas pessoas lembram-se de alguns sonhos ao acordar; outras pensam que não sonham, mas, na maioria dos casos, apenas não conseguem recordá-los.

Os sonhos podem ocorrer em diferentes fases do sono, mas tendem a ser mais vivos na fase REM, em que o cérebro está bastante ativo. Nessa fase, é normal que o corpo fique com os músculos temporariamente relaxados, o que ajuda a evitar que a pessoa execute fisicamente aquilo que está a sonhar.

A investigação atual dos sonhos aponta para que tenham funções mais práticas e menos misteriosas. A ciência ainda não explica totalmente porque sonhamos. Sabe-se, no entanto, que o sono é importante para a memória, a aprendizagem e o equilíbrio emocional. Os sonhos podem fazer parte do modo como o cérebro organiza experiências, emoções e preocupações vividas ao longo do dia. Por isso, é comum sonhar com pessoas conhecidas, acontecimentos recentes ou situações que nos causam ansiedade, alegria ou medo.

Os pesadelos são sonhos desagradáveis que podem provocar medo e levar ao despertar. São frequentes em crianças, mas também acontecem em adultos, sobretudo em períodos de stress, doença, privação de sono, consumo de álcool ou após experiências difíceis. Ter um pesadelo ocasional é geralmente normal.

É importante haver uma avaliação se a pessoa grita, se bate, dá pontapés ou parece “representar” os sonhos, pois esses comportamentos podem aumentar o risco de queda ou lesão e, em alguns casos, estar associados a perturbações do sono.

Para dormir melhor, ajuda manter horários regulares, reduzir o consumo de cafeína e álcool ao fim do dia, evitar ecrãs e conteúdos muito estimulantes antes de deitar e criar um quarto confortável, escuro e silencioso. Uma rotina calma, como ler, ouvir música tranquila ou praticar respiração lenta, pode facilitar o adormecer.

No fundo, o que a evidência sugere, é que sonhar parece ser um trabalho silencioso e contínuo de manutenção da nossa vida mental, ainda em grande parte por explicar. Não devem ser vistos à partida como algo preocupante. Mais importante do que tentar decifrar cada imagem é observar a qualidade do sono e o bem-estar geral. Dormir bem protege a saúde física, mental e emocional.

 

Bibliografia:

  1. Scarpelli, S., Alfonsi, V., & De Gennaro, L. (2024). Exploring the role of dreams: Insights from recent studies. Current Opinion in Pulmonary Medicine, 30(6), 583–588. https://doi.org/10.1097/MCP.0000000000001112
  2. Sterpenich, V., Perogamvros, L., Tononi, G., & Schwartz, S. (2020). Fear in dreams and in wakefulness: Evidence for day/night affective homeostasis. Human Brain Mapping, 41(3), 840–850. https://doi.org/10.1002/hbm.24843
  3. Revonsuo, A. (2000). The reinterpretation of dreams: An evolutionary hypothesis of the function of dreaming. Behavioral and Brain Sciences, 23(6), 877–901. https://doi.org/10.1017/S0140525X00004015;