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O estado da educação

Natália Fernandes
Opinião \ quinta-feira, outubro 06, 2022
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Mais uma vez este governo prova que não se prepara para as matérias importantes, mas sim vai tentando apagar alguns fogos com legislações apressadas, que nada resolvem.

No passado mês de setembro iniciamos um novo ano escolar.

Novas escolas para uns, novas turmas para outros e o regresso aos mesmos grupos para outros.

E não falo apenas dos alunos, mas também dos professores.

No início de cada ano letivo ouvimos falar sobre o mesmo problema no inicio das aulas em todo o país – a falta de professores.

Pois bem, este é um problema que não apareceu de repente e aparenta que se vai agravar nos próximos anos. E parece não existir vontade política para o resolver seriamente.

Vai-se tentando disfarçar o problema, mostrando números de horários escolares já preenchidos, promessas de aumentos de salários aos professores contratados, entre outras manobras de distração, mas o que é certo é que houve alunos que passaram o ano letivo transato sem professor a algumas disciplinas e este ano iniciou com milhares de alunos sem professores.

Nas últimas décadas temos vindo a assistir a uma degradação da imagem do professor,  quer  dividindo a comunidade escolar entres pais e alunos versus professores, quer no entrave na progressão da carreira, na precarização dos professores contratados, na indisciplina crescente devido a direitos dos alunos que se sobrepõem a outros direitos abandonados e etc, o que levou muitos profissionais, uns com alguns anos de prática ou até aos recém formados, a  abandonarem o ensino e procurarem outras atividades profissionais.

Consequentemente afastou-se a intenção de muitos candidatos ao curso de formação de professores, que iriam substituir os que, naturalmente, acabam a sua carreira.

E ao invés de se tentar resolver esta questão de fundo, melhorando as  condições de trabalho aos professores de carreira, mas também melhorando as condições aos contratados permitindo preencher os seus horários e que não o sejam por mais de três anos, permitindo a estes olhar para a profissão com outra perspetiva e com garantia para o futuro, o governo preferiu  iludir a resolução com algumas medidas de “perseguição às baixas dos professores” e a possibilidade de contratar professores sem formação em “educação básica”, medida esta apenas tomada em Setembro deste ano.

Mais uma vez este governo prova que não se prepara para as matérias importantes, mas sim vai tentando apagar alguns fogos com legislações apressadas, que nada resolvem.

E sem dúvida que a educação num país é uma área basilar, pois com a formação e desenvolvimento do homem, este tem oportunidade de interferir na sociedade a que pertence. “O homem não se adapta ao meio, mas adapta o meio para si. “

Daí a importância de investir na educação, pois a falta dela – da educação – a médio e longo prazo trará graves prejuízos na sociedade.

Para isso é preciso que o governo tome medidas que a médio e longo prazo a profissão de professor seja mais atrativa e compensadora, para que dentro das salas de aula se formem melhores cidadãos, pois se o professor se sentir satisfeito nas suas funções certamente irá refletir-se na sua atuação de docente.

Mas também não posso deixar de dizer que é necessário que a classe lute de forma íntegra e prestigiante, pois eles são os elementos essenciais deste processo.

E nem a propósito, dia 5 de Outubro comemora-se o Dia Mundial do Professor.