O Custo do tabaco
No dia 31 de maio assinala-se o dia mundial sem tabaco.
Os custos dos cuidados de saúde relacionados com o consumo de tabaco representam centenas de milhares de milhões de euros por ano a nível mundial. Estes custos estão relacionados com os custos médicos, mas também estão relacionados com perdas de produtividade, incapacidade e morte prematura.
O tabagismo é a principal causa prevenível de doença e morte no mundo. Está fortemente associada a várias doenças: doença coronária, acidente vascular cerebral (AVC), Doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) e vários cancros (pulmão, bexiga, cavidade oral, laringe, esófago, rim, etc).
O relatório da Organização Mundial de saúde2 mostra que o consumo de tabaco está a reduzir em 150 países com as medidas de controlo do tabaco MPOWER. Estas medidas baseiam-se em:
- Proteger a população da exposição ao fumo do tabaco (Protect)
- Oferecer ajuda para deixar de fumar (Offer)
- Advertir sobre os malefícios do tabagismo (Warm)
- Fazer cumprir as proibições sobre a publicidade, promoção e patrocinio dos produtos de tabaco (Enforce)
- Aumentar os imposts sobre o tabaco (Raise)
Apesar das politicas de controlo, o tabaco permanece como um fator de risco altamente prevalente a nível global.
A Europa registou consumo de tabaco em 25.3% da população, sendo as taxas de consumo de tabaco das mulheres mais do dobro da média global. Em 2010 tinha sido proposta a meta global voluntária de redução de 30% no consumo de tabaco entre 2010 e 2025, cumprida apenas pelo Brasil, Países Baixos e Macau.
Os custos associados ao tabaco dividem-se entre custos associados diretamente com a saúde (internamentos, consultas, exames e medicamentos), custos indiretos com as baixas prolongadas, as reformas antecipadas, a mortalidade prematura e a carga informal dos cuidadores familiares e custos intangíveis que estão relacionados com a dor e sofrimento e com a perda de qualidade de vida.
Estimativas globais recentes atribuem um custo de 1 a 1,4 triliões de dólares por ano aos cuidados de saúde e perdas de produtividade relacionadas com o tabaco. Em Portugal, com base em dados de um estudo elaborado em 2005, foram estimados custos de cerca de 434 milhões de euros em internamentos hospitalares, medicamentos, consultas e exames. Hoje, alguns destes custos são atribuídos a novas formas de consumo como o tabaco aquecido, cigarro eletrónico.
Se é fumador, já fez as suas contas?
Para o ajudar, para além das medidas centrais tomadas pelo governo que tem impacto no preço do tabaco e das normas de proteção da população do país, existem respostas a nível local para ajudar a deixar de fumar. Existem consultas de apoio intensivo à cessação tabágica. Fale com a sua equipa de saúde familiar e obtenha ajuda.
- World Health Organization. (2021). WHO global report on trends in prevalence of tobacco use 2020-2025 (4th ed.) . World Health Organization.
- World Health Organization. (2024). WHO global report on trends in prevalence of tobacco use 2000-2030. Geneva: World Health Organization 2024.
- Sociedade Portuguesa de Pneumologia. 2019. Leido tabaco: Policy Brief sobre a revisão da Lei de prevenção e Controlo do Tabagismo (Briefing). Sociedade Portuguesa e Pneumologia
- Direção-Geral da Saúde. 2007. Carga e custos da doença atribuível ao tabagismo em Portugal (relatório técnico). Ministério da Saúde.