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A sobrecarga fiscal e os seus malefícios

Natália Fernandes
Opinião \ sexta-feira, julho 15, 2022
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Resta a esperança de que as novas gerações tenham uma visão mais judiciosa para fazerem justiça a estas agremiações de gente que desgoverna o pais.

Começa a ser habitual ouvirmos falar de relações entre benefícios com dinheiros públicos e membros do Partido Socialista.
Mais uma vez há uns meses atrás veio a público uma polémica sobre o financiamento de uma Universidade onde, por coincidência, é o novo emprego do ex-ministro das finanças! Que coincidência.

O Ministério do Ensino Superior nos últimos anos apresentou vários projectos para financiamento nos mesmos moldes, mas foram negados pelo Ministério de Finanças cujo ministro era João Leão. Vá-se lá saber porquê, só o ISCTE foi contemplado.
Apesar do ex-ministro João Leão ter vindo a público dizer que não teve intervenção na decisão, o que é certo é que tratou-se de um estranho (e exclusivo) beneficio a uma instituição para onde foi trabalhar, levando a que se deduza que existe efetiva intenção de beneficiar esta instituição. E “favores” como estes têm sido recorrentes neste governo.

Ao que parece isto não importa, é normal. Já sabemos como é. É o que diz a gente do povo. Mas não pode nem deve ser assim. O espírito de crítica, de análise e até de julgamento destas situações devia estar mais intrínseco nos portugueses. Mas infelizmente não está, somos brandos, pacíficos.

Este tipo de factos devia revoltar os portugueses, pois do que estamos a falar é do uso indevido de dinheiro público, dinheiro que sai dos nossos bolsos no dia-a-dia. É dinheiro nosso, de todos, e por isso deve ser bem gerido, com honestidade, seriedade, integridade. São coisas que me indignam profundamente, pois vivemos num pais com poucos recursos, onde a carga fiscal aumenta drasticamente, o poder de compra diminui a cada dia, e depois ouvimos falar de milhões que são decididos com interesses próprios de quem os está a gerir.

Mas que gente é esta que nos perjura todos os dias, que tem o poder e usa e abusa em interesse próprio. E nós (leia-se povo) continuamos pacíficos, brandos.

Espero que os portugueses a curto prazo entendam que afinal a carga fiscal neste pais é alta, pois muitos dos portugueses que nunca pagaram IRS, este ano quando receberam a liquidação de IRS muitos deles pagando ou não recebendo, ao contrário dos anos anteriores, talvez lhes faça mossa. Isto porque, a pessoa que aufere o salário mínimo e que até dá umas horas extras para ver aumentado o seu rendimento, vai este ano pagar imposto por este acumular de horas extras.

Talvez nestas alturas, tenham a consciência de que custa pagar impostos e verem estes ser mal geridos. A carga fiscal aumentou, quer nos impostos indiretos, quer nos diretos. Aumento como nunca vimos. Para no final continuarmos a ver a novela dos “jobs for de boys” que nunca mais acaba.

É revoltante ver este escamotear dos nossos rendimentos para ser servido em interesses próprios de determinados grupos (diga-se políticos).

Resta a esperança de que as novas gerações tenham uma visão mais judiciosa para fazerem justiça a estas agremiações de gente que desgoverna o pais.