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A busca da ciência pela pedra filosofal

Tiago Martinho
Opinião \ quinta-feira, março 30, 2023
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A Pedra Filosofal, um objeto mítico muito procurado ao longo dos tempos, é capaz de produzir o elixir da vida que nos ajuda a rejuvenescer ou até mesmo alcançar a imortalidade.

Será que agora é algo que está ao alcance da humanidade, ou é apenas ficção? Seremos a primeira geração a lidar com este problema?

De acordo com o professor de genética da Universidade de Harvard, David Sinclair, autor do livro e podcast “Lifespan: Por que envelhecemos – e por que não temos que”, "A primeira pessoa a viver até aos 150 anos já nasceu". Sinclair acredita que o envelhecimento é uma doença que, como qualquer outra doença, pode ser combatida e até mesmo erradicada com esforço.

Mas como pode a tecnologia ajudar-nos a alcançar este objetivo? Cada vez mais podemos ter acesso a métricas que nos fornecem mais informação a um custo menor. Essas métricas, sejam através de exames médicos de baixo custo ou do uso de wearables que medem constantemente o nosso corpo, podem ajudar-nos a tomar decisões mais conscientes e saudáveis para o nosso futuro e envelhecimento.

É precisamente o que Bryan Johnson, através projecto Blueprint, está a tentar fazer. Este multi-milionário de 45 anos, que gasta mais de 2 milhões por ano com o intuito de reverter ou atrasar o envelhecimento. A sua ideia principal neste projeto foi remover o elemento humano, e tomar decisões baseadas apenas nas medições do corpo. Ele não decide o que comer, nem quando comer, nem que tipo de atividade física fazer ou mesmo a hora de ir dormir. A nível científico, ele e a equipa de 30 médicos identificam hipóteses e experiências que ajudam a melhorar a sua saúde. Depois de 2 anos, ele conseguiu reverter 5 anos da sua idade epigenética, reduzir o processo de envelhecimento em 28%, uma série de marcadores inferiores à sua idade cronológica e a habilidade física de um jovem de 18 anos.

Com estes conhecimentos, o que podemos aplicar a nível prático? Todos os cientistas que trabalham em longevidade estão de acordo que colocar o corpo num estado de adversidade é positivo. Um pouco do que não nos mata torna-nos mais fortes. Essa adversidade pode ser introduzida de diferentes maneiras, através de exercício (qualquer tipo de movimento), frio (banhos e duches) ou calor (sauna), e também através da dieta ou do jejum. Tudo isto ajuda a combater a forma como a sociedade está desenhada nos dias de hoje, em torno do conforto e sedentarismo.