Westway LAB: ecossistema de criação, reflexão e partilha
Meus amigos na edição deste mês venho falar-vos num festival que este ano tive oportunidade de conhecer de uma forma mais profunda, o Westway LAB, realizado anualmente, em Guimarães. A sua notoriedade e importância já conhecia, sendo que, gradualmente se tem tornado um dos eventos mais relevantes do panorama musical e cultural europeu na sua área. Desde a sua criação em 2014, o festival tem vindo a afirmar-se como um verdadeiro laboratório de criação artística e como um espaço de experimentação, networking e inovação para músicos, produtores, agentes culturais e público. A sua importância ultrapassa largamente o entretenimento — o Westway LAB é, hoje, um motor de desenvolvimento cultural, económico e social, desempenhando um papel central na internacionalização da música portuguesa e na consolidação de uma rede europeia de colaboração artística.
Mas este evento é muito mais! Um dos elementos mais distintivos do Westway LAB é o seu foco na criação e residência artística. Diferente de muitos festivais que privilegiam apenas a apresentação de espetáculos prontos, o Westway apoia o processo criativo desde o início. Músicos de diferentes países são convidados a trabalhar juntos em residências de criação, onde produzem novas obras, exploram linguagens musicais híbridas e partilham experiências culturais. Esse modelo gera colaborações internacionais únicas, que frequentemente resultam em projetos duradouros e lançamentos discográficos inovadores. Assim, o festival atua como uma incubadora de novas ideias e de carreiras emergentes.
Paralelamente, o Westway LAB abriga uma conferência profissional, que reúne agentes da indústria musical, curadores, jornalistas, representantes de festivais e editoras de toda a Europa. As discussões e painéis abordam temas como políticas culturais, sustentabilidade, modelos de financiamento, digitalização da música e diversidade. Dessa forma, o evento estimula o pensamento crítico sobre os desafios e oportunidades do setor criativo, funcionando como uma ponte entre o mundo artístico e o universo empresarial. Essa dimensão formativa e reflexiva reforça o papel do Westway LAB como um motor de inovação cultural. A convite do meu amigo Paulo Dumas (um dos filhos pródigos desta vila das Taipas que dispensa apresentações, e um dos responsáveis pela organização deste evento), tive oportunidade de participar num dos painéis de discussão, assim como numa espécie de conversa/apresentação informal do território vimaranense, e toda a sua teia cultural independente, a agentes e promotores internacionais de música. E confesso que foi uma experiência diferente, mas surpreendentemente enriquecedora, que me ajudou a compreender de uma forma totalmente diferente a realidade cultural vivida em outros países. Uma troca de experiências que foi mesmo muito interessante.
Outro aspeto de destaque é a internacionalização da música portuguesa. O Westway LAB tem ajudado a projetar artistas nacionais em circuitos internacionais, facilitando o contacto com programadores estrangeiros e permitindo que novos talentos ganhem visibilidade fora do país. Ao mesmo tempo, o festival acolhe artistas de todas as latitudes, promovendo o diálogo intercultural e aumentando a diversidade sonora apresentada em Portugal.
No contexto global, o Westway LAB reflete e reforça o papel das indústrias criativas como motor de desenvolvimento sustentável. Ao investir na colaboração artística, na diversidade e na inovação, o festival contribui para um ecossistema cultural mais resiliente e inclusivo. A sua integração em redes europeias, como a ETEP (European Talent Exchange Programme) e a INES (Innovation Network of European Showcases), amplia o impacto das suas ações, colocando Portugal no mapa internacional da música independente e experimental.
Da programação deste ano tive oportunidade de ver vários concertos, espalhados por vários palcos da cidade, numa espécie de roteiro, que dá oportunidade a quem visita o Festival de ficar a conhecer também a cidade, numa dinâmica muito interessante. Num breve resumo passei pelo salão nobre do Convívio (onde vi os portugueses Tiago Sampaio e Cody XV e os italianos Hate Moss), depois segui para o Ramada (onde vi Hause Plants e Humana Taranja), e para terminar a tarde no CAAA (com o brasileiro MonchMonch e os espanhóis Hofe). À noite passei nas salas de ensaio do Jordão para ver Travo e os franceses Ditter e terminei a noite na Black Box do grande auditório do CCVF para ver os britânicos PVA e os Gans. Um dia cheio de diversidade com ótimas conversas e ótimos concertos.
Em síntese, o Westway LAB é mais do que um festival: é um ecossistema de criação, reflexão e partilha, que demonstra como a cultura pode ser simultaneamente um espaço de experimentação artística e de desenvolvimento social. A sua importância reside acima de tudo na capacidade de unir artistas, profissionais e comunidades em torno de uma visão comum — a de que a música e a criatividade são ferramentas muito importantes de transformação, diálogo e futuro. A prova clara que o nosso território está na vanguarda do melhor que se faz a nível nacional e internacional. Por isso parabéns, Westway Lab!
ndr: conteúdo publicado originalmente na edição de maio de 2026 do jornal Reflexo.