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Variabilidade da atividade física na saúde

Lionel Ferreira
Opinião \ sábado, fevereiro 21, 2026
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Evidências emergentes sugerem que diferentes tipos de atividade física podem exercer efeitos distintos na composição corporal, aptidão cardiorrespiratória, perfis metabólicos e força óssea.

A procura de um estilo de vida saudável assim com os fatores indicadores de longevidade têm sido temas no qual me tenho debruçado. Nos artigos anteriores evidenciei alguns temas que, segundo as minhas pesquisas, podem ser importantes para conseguirmos viver mais e melhor.

Praticar atividade física no tempo livre é um dos pilares das inúmeras recomendações de estilo de vida para melhorar a saúde humana. O envolvimento a longo prazo na atividade física está inequivocamente associado a um risco reduzido de múltiplas doenças crónicas, melhoria da saúde mental e uma maior probabilidade de alcançar a longevidade e um envelhecimento saudável.

Evidências emergentes sugerem que diferentes tipos de atividade física podem exercer efeitos fisiológicos distintos na composição corporal, aptidão cardiorrespiratória, perfis metabólicos e força óssea. Assim, os indivíduos podem beneficiar mais ao envolverem-se em múltiplas atividades físicas com efeitos de saúde complementares do que ao concentrarem-se em apenas um tipo de atividade. Os benefícios de longo prazo para a saúde de praticar consistentemente diferentes atividades físicas na sobrevivência ainda não foram investigados extensivamente, e faltam dados focados especificamente na influência da variedade da atividade física.

Curiosamente durante as minhas leituras encontrei um artigo que me chamou atenção sobre os benefícios da variabilidade de atividades físicas na saúde.

Com base em dados de dois grandes estudos com avaliações repetidas de atividade física ao longo de 30 anos de acompanhamento, o objetivo foi investigar as associações de várias atividades físicas praticadas habitualmente e da variedade de atividades físicas com a mortalidade.

Publicado em 2025, o estudo - Physical activity types, variety, and mortality: results from two prospective cohort studies - realizado pela Harvard T.H. Chan School of Public Health, veio demonstrar algumas curiosidades referentes a dados e conclusões sobre a relação entre a diversidade de exercícios e a longevidade.

O estudo teve com objetivo examinar as associações entre a prática prolongada de atividades físicas individuais, a variedade de atividades físicas e o risco de morte. Para a amostra do estudo selecionaram profissionais na área da saúde dos quais 70.725 eram mulheres e 40.742 homens sem diabetes, doenças cardiovasculares, cancro, doenças respiratórias ou neurológicas no início do estudo.

A atividade física foi avaliada por meio de questionários que perguntavam o tempo médio semanal gasto em atividades como: caminhada, trote, corrida, ciclismo, natação, remo, calistenia, tênis, squash e musculação. Cada atividade recebeu uma pontuação MET (unidade que mede a intensidade do esforço físico e gasto energético).

Para medir a variedade, criaram uma pontuação somando o número de atividades individuais que o participante praticava de forma consistente (acima de um limite mínimo, como 20 minutos por semana).

A atividade física total foi associada a uma menor mortalidade. O risco reduzido para doenças cardiovasculares, cancro e doenças respiratórias estabilizou após atingir cerca de 20 MET-horas/semana. Para atividades individuais (comparando o grupo mais ativo com o sedentário), as reduções de risco mais significativas para mortalidade geral foram observadas na caminhada (17%), tênis/squash (15%) e remo/calistenia (14%).

A pontuação de variedade foi inversamente associada à mortalidade por todas as causas. Mesmo após ajustar para a quantidade total de exercício, quem praticava mais tipos de atividades diferentes tinha um risco menor de morte. O grupo com maior variedade apresentou um risco 19% menor de morte em comparação ao grupo de menor variedade. Os participantes que se classificaram nos níveis mais altos tanto em quantidade quanto em variedade tiveram a maior proteção, com uma redução de 25% no risco de mortalidade em comparação com aqueles que eram pouco ativos e praticavam pouca variedade.

Com este estudo podemos concluir que a intensidade e o volume de treino são importantes para a promoção de saúde assim como a variabilidade das atividades.

Bons treinos e boas variações!

 

ndr: texto publicado originalmente na edição de fevereiro do jornal Reflexo