14 junho 2024 \ Caldas das Taipas
tempo
18 ºC
pesquisa

Um ano

Pedro Mendes
Opinião \ sexta-feira, fevereiro 24, 2023
© Direitos reservados
Este foi um ano muito difícil do ponto de vista sócio-económico, mas nem por um minuto a maioria dos portugueses e dos europeus, na sua generalidade, vacilou perante os valores maiores que se levantam

“É, ao que parece, uma questão de tempo. A Rússia prepara-se para invadir a Ucrânia.” Estas palavras são minhas, e são as palavras com as quais comecei o meu artigo neste jornal a 16 de Dezembro de 2021.

Na madrugada de 24 de Fevereiro de 2022, o mundo acordava com a concretização daquilo que muitos de nós há muito esperávamos. Desde então, já vimos quase tudo o que o horror da guerra tem para nos mostrar, mas pudemos testemunhar também a força e a garra de um povo ucraniano que não se rende e que parece ganhar força de dia para dia a caminho da vitória final. Ao mesmo tempo, julgo que nós, portugueses, mas também todo o bloco ocidental, nos podemos orgulhar da postura que os nossos países, as nossas sociedades e as nossas instituições têm tido em relação a este conflito, mantendo inabalável o apoio à Ucrânia e aos Ucranianos, e deixando claro que esse apoio só acabará quando acabar a guerra, e que a guerra só acabará quando a Ucrânia estiver em condições de ditar as regras e condições para a Paz. Se muitos duvidavam que o apoio das sociedades se desvaneceria à primeira dificuldade, desenganem-se. Este foi um ano muito difícil do ponto de vista sócio-económico, mas nem por um minuto a maioria dos portugueses e dos europeus, na sua generalidade, vacilou perante os valores maiores que se levantam. Nem por um minuto duvidaram que a luta dos ucranianos é também a nossa luta, não só pelos valores que defendemos, mas também, em última análise, pela paz e segurança europeia e mundial. Estamos, claro está, em posições desiguais. Os ucranianos estão a pagar com o seu sangue esta luta, nós, por muito bem intencionados que sejamos, não. Também por isto, importa que este apoio não esmoreça, quanto mais não seja pela obrigação kantiana da nossa obrigação moral, perante tão clara e brutal agressão calamitosa a um povo que o único mal que fez foi nascer com o vizinho errado.

Termino com dois desejos. O primeiro é que a guerra termine o mais rapidamente possível, e que termine com a única alternativa possível, que é a vitória ucraniana, que permita desenhar uma paz estável e duradoura, que impeça ou evite reacendimentos futuros. O segundo é que, quando o dia da paz chegar, que sejamos, comunidade internacional, capazes de olhar para trás e aprender com os erros cometidos ao longo da história, quer em tempos de guerra, quer em tempos de definição de paz. Que se evitem, por exemplo, os erros de Versalhes, que apenas alimentaram outra guerra ainda mais violenta e mortal.