Praia Seca: uma ambição que continua
A classificação Praia Seca como praia fluvial é, há vários anos, uma prioridade para o Partido Socialista. Desde 2018, este tema ocupa um lugar central na agenda política local e nas prioridades da nossa Junta de Freguesia.
A construção do Parque de Lazer da Praia Seca, em 2019, com um financiamento de 33.310,12 € do Município, constituiu um primeiro passo decisivo para a concretização desse objetivo. Houve, aliás, um importante alinhamento político entre o Município, a Junta de Freguesia e a Associação Portuguesa do Ambiente (APA) em torno da futura classificação do espaço
Em 2020, embora a água tenha sido classificada como “Boa”, um episódio de contaminação e a ausência de histórico suficiente impediram a classificação. Em 2021, os resultados começaram a revelar uma evolução favorável. Em 2022, perante resultados cada vez mais favoráveis, a Junta de Freguesia formalizou o pedido de classificação. Em 2023, porém, a Praia Seca voltou a não ser classificada pela APA. Em 2025, foi identificada a proximidade a uma área de captação de água como um elemento que colocava exigências adicionais à classificação.
Chegados a 2026, e embora centenas de pessoas continuem a procurar o Rio para se banhar, não podemos ignorar que a Praia Seca ainda não é uma balnear oficialmente classificada. No entanto, isso não invalida todo o caminho feito até aqui.
Foi construído o Parque de Lazer. Foi recuperada e valorizada a frente ribeirinha. Foi iniciada e mantida uma monitorização sistemática da qualidade da água. Foi devolvida a margem do Rio à população. E este percurso tem, inequivocamente, a marca do Partido Socialista.
O senhor Presidente da Câmara anunciou, na Assembleia Municipal do passado dia 30 de julho, que o Município apresentou à APA cinco propostas de zonas balneares fluviais, entre as quais se encontra a Praia Seca. É uma decisão que considero positiva e que deve ser saudada.
Depois de tantos anos de trabalho da Junta de Freguesia, é importante que a Praia Seca continue no horizonte do Município. É certo que ainda não atingimos a plenitude dos critérios técnicos, ao contrário de outras zonas, onde as condições para a classificação poderão ser mais favoráveis. Isso não deve, contudo, significar que a Praia Seca seja secundarizada.
Caldas das Taipas tem de continuar a olhar para o Rio Ave como parte fundamental do seu futuro.
Por isso, esta estratégia municipal – que é, em boa verdade, resultado de um caminho desenvolvido pelo anterior executivo – não pode ser, no que á Paia Seca diz respeito, apenas uma intenção. Tem de ser um compromisso.
É mais importante do que nunca existir uma articulação efetiva entre a Junta de Freguesia e o Município, para ultrapassar os constrangimentos que ainda existem. Não podemos desistir da Praia Seca, desvalorizando o trabalho que foi feito nos últimos anos.
Acima de tudo, é preciso que o horizonte do Município se transforme em caminho para que, reunidas as condições, possamos concretizar uma ambição das Taipas e um desígnio do Partido Socialista: ter na Praia Seca uma praia fluvial.
ndr: texto publicado originalmente na edição de setembro de 2026 do jornal Reflexo.