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O CART e as suas eleições - Contra factos não há argumentos

Alfredo Oliveira
Opinião \ quarta-feira, janeiro 16, 2002
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O primeiro facto é que quem se lembrou de marcar as eleições desta importante associação da vila para as vésperas das eleições autárquicas cometeu um erro grave.

Um aviso prévio. Este texto foi escrito no fim-de-semana anterior à continuação da Assembleia Geral do dia 26 de Novembro. Quando o jornal estiver nas mãos do leitor já se deve conhecer o desenlace de todo o processo eleitoral. O que para este caso não será, certamente, fundamental.

Tudo o que se passou relacionado com as eleições é um caso exemplar, que não um exemplo, a ter em consideração.
Não assisti à Assembleia Eleitoral, mas estive presente na gorada tomada de posse da nova direcção bem como na Assembleia já citada.
Sobre o assunto falei e principalmente ouvi várias pessoas que transmitiram as suas impressões sobre todo este imbróglio em que se tornaram mais umas eleições do CART.
A frase que resume toda esta situação, poderemos ir buscá-la a uma candidatura que nos persegue pelas rotundas da vila e de Guimarães: Contra factos não há argumentos.
O primeiro facto é que quem se lembrou de marcar as eleições desta importante associação da vila para as vésperas das eleições autárquicas cometeu um erro grave. Mesmo que a marcação dessa data tenha sido propositada, para esta ocasião, não deixa de ser um erro. Deveriam ter seguido o exemplo dos Bombeiros que marcaram a sua Assembleia Eleitoral para o dia 29 de Dezembro, data posterior às eleições autárquicas. Os possíveis ganhos políticos de alguns só prejudicaram a imagem do CART.
Um segundo facto é também evidente. Às eleições, todos os que cumprirem os estatutos desta associação poderão apresentar-se à votação dos restantes sócios. Desde que os passos legais se cumpram, quem tiver mais votos tem legitimidade para tomar conta dos destinos da associação. Houve uma lista que se apresentou e obviamente vencendo deveria ter tomado posse. Na noite da frustrada tomada de posse disse-o pessoalmente ao líder da lista vencedora. Tinha sido um erro não ter assumido os destinos do CART. Mais tarde, a sua direcção teria tempo para confirmar as contas e contestá-las caso fosse necessário e na pior das hipóteses, tinha sempre a possibilidade de se demitir.
Terceiro facto. As tão faladas impugnações do processo eleitoral só existem quando alguém oficialmente inicia esse procedimento e não porque diz que o vai fazer. Essa impugnação só toma efeito quando quem de direito defere essa pretensão.
A Assembleia Geral a que já fiz referência deixou-me de certa forma estupefacto, por várias razões. Nunca vi as pessoas a tratarem-se por tu e a dizerem o meu amigo ou o meu grande amigo e depois no discurso subsequente tentarem arrasar o mais possível essa pessoa. Como alguém já disse com amigos destes quem precisa de inimigos.
Outro facto que me provocou certa admiração foi ver/ouvir certas pessoas que sempre se mostraram ciosas da legalidade e dos aspectos formais a relegarem para segundo plano alguns factos relatados nessa Assembleia.
A direcção vencedora alegou não tomar posse por não ter dados precisos sobre a situação do CART e mais concretamente quanto ao aspecto da situação financeira. Não deixou de ser curioso que quando Carlos Marques afirmou que iria solicitar uma auditoria para que as dúvidas quanto às contas ficassem esclarecidas, Avelino Marques tenha respondido com E quem paga? Ou tem dúvidas e não tem que se preocupar com quem paga, ou as dúvidas levantadas não têm razão de ser.
Se a direcção que foi eleita neste conturbado processo vier mesmo a tomar posse e, se a contestação à legalidade do processo eleitoral continuar, seria dignificante que uma das suas primeiras medidas fosse a marcação de novas eleições.
Ponto final. Este ponto não é um facto, trata-se de uma simples consideração. Por muito que Carlos Marques tenha dito que gostaria de deixar a direcção do CART, ninguém gosta de ser o último a saber. Ser confrontado com uma lista que integrava algumas pessoas que estavam na sua direcção e não saber de nada deve ser doloroso. Se juntarmos a isso a circunstância que a lista aparecia liderada por um dos elementos à Assembleia Municipal pelo PS, quase que tornavam as eleições do CART uma espécie de primeira volta das autárquicas.

O nosso cartoonista deveria dar um sinal de vida pois já lhe tínhamos destinado mais um tema para um dos seus sempre brilhantes cartoons: Será o CART um trampolim para

Alfredo Oliveira