O escritor Sousa Costa e as Caldas das Taipas (Parte I)
Quando na primeira reunião do Comissariado da 2ª Edição do THERMOS-Encontros Literários das Caldas das Taipas, participando em representação da Taipas Turitermas na elaboração do seu programa é chegado o momento da escolha do escritor que Caldas das Taipas devesse homenagear, indico o nome de Sousa Costa para espanto de todos os presentes, que não o conheciam.
Assim, por isso, desde logo nessa reunião no edifício do antigo Posto Médico, onde eu tratei a minha meningite, a 26 de março, ficou decidido que seria este o escritor a destacar, ficando a meu cargo o trabalho na elaboração do trabalho da vida e obra que o mesmo realizou a favor de Caldas das Taipas, e, da mesma forma o elogio para a ocasião da homenagem, o que veio a acontecer no dia 6 deste mês.
Descobri o Sousa Costa pela mão do meu patrão na Herdmar e tio José Marques, no ano de 1981, quando realizámos no antigo edifício Junta de Freguesia onde hoje é a Caixa Geral de Depósitos uma grande “Exposição de Cutelaria”, com a história da indústria, de talheres e fotografias de todas as fábricas da capital da cutelaria, que é Caldas das Taipas, num trabalho conjunto de José Marques, Carlos Marques e Francisco Costa e Silva então presidente da junta de freguesia, de que ainda guardo os documentos preparatórios e o Guião da Exposição.
O meu tio cedeu-me o livro do autor “Miss Século XX” dizendo que falava da cutelaria. Li o romance, peguei no capítulo ligado à visita da fábrica do Milhéu, juntei outros artigos do ramo, e, no ano de 1984 fiz uma “seleção de cutelaria” com edição limitada distribuída a fabricantes daquele tempo.
Até que, mais tarde, no ano de 2005 pediram-me para eu elaborar mais uma Grande Atualização da “Toponímia das Taipas” como antes acontecera no ano de 1993 quando eu era o Tesoureiro da Junta, e, entre outros topónimos não podia deixar de perpetuar o escritor, figurando “Rua Sousa Costa” na artéria principal do maior loteamento habitacional da vila, ao tempo ainda em projeto, o do Pedraído, sendo que o 1º dos 12 blocos estaria pronto apenas 3 anos depois, hoje vivem lá 96 famílias.


Placa em frente às Termas, em tributo ao escritor Sousa Costa pela ilustradora Patrícia Ferreira
Sousa Costa
De Nome completo: Alberto Mário de Sousa Costa, nasceu em Vila Pouca de Aguiar no dia 10 de maio de 1879, tendo morrido na cidade do Porto a 11 de janeiro de 1961, com 81 anos de idade.
Quando ainda menino e moço passa temporadas na Quinta de São Caetano no lugar de Campelos, ao pé das Caldas das Taipas.
Na década de 30 do século XX passa temporadas nas Taipas, frequenta as Termas e os seus melhores Hotéis, designadamente de 1934 a 1936 quando aqui escreve o Romance “Miss Século XX”.
São várias as referências dos jornais da época que dão conta da sua presença, como a do Notícias de Guimarães em 30 de Agosto de 1936, que passo a citar: Está no seu verdadeiro auge a época balnear. Dia a dia vem chegando a estas Termas muitas famílias, achando-se o Hotel das Termas repleto de hóspedes da mais fina sociedade, contando-se entre muitos outros, o nosso prezado amigo Ex.mo Snr. José Jacinto Júnior e família, o notável escritor Dr. Sousa Costa e esposa, etc, etc.
As pensões têm também um número muito razoável de hóspedes, especialmente a Pensão Vilas.
Há um grande movimento no balneário …. Projectam-se várias festas…
Magistrado, Escritor e Académico.
Sócio correspondente da Sociedade Martins Sarmento, e da Academia Real das Ciências.
Escreveu Romances, Novelas, Contos, Crónicas, Ensaios e Dramas.
Escreveu para jornais nacionais artigos, designadamente no “O Século” que muito contribuem para que as Termas de Caldas das Taipas sejam conhecidas. E também para jornais estrangeiros.
Notável conferencista.
Camilianista.
Jovens escritores pedem-lhe a apreciação crítica como foi o caso da Agostina Bessa-Luís.
Casado com Emília da Piedade Teixeira Lopes de Sousa, também escritora, autora consagrada de Literatura Infantil.
Torremolinos, em 31 de maio de 2026
ndr: Este texto foi originalmente publicado na edição de junho de 2026 (suporte papel) do jornal Reflexo