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A Espada de Dom Afonso feita por Adriano, um verdadeiro artista taipense

Carlos Marques
Opinião \ terça-feira, julho 27, 2021
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Adriano Magalhães Gonçalves, agora com 53 anos, depois de acabar o ensino escolar obrigatório do 6º ano, aos 12 entra na fábrica do pai no Lugar da Faísca, agora na Rua Vilar de Moinhos.

A propósito da visita do mais alto magistrado da nação à cidade de Guimarães no seu feriado municipal a 24 de Junho, dia que paralelamente se comemora a data do patrono dos cutileiros, São João Baptista, que veneram há mais de 6oo anos com a sua cuidada devoção e culto, elevando-o à categoria de seu patrono.

É pela mesma devoção, que mais 33 municípios do país, concede aos seus habitantes o seu feriado municipal.

Quis a Grã Ordem Afonsina oferecer ao presidente da república portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa na sua visita à cidade de Guimarães uma réplica da espada afonsina que está exposta no Museu Militar do Porto, teve necessidade por isso de procurar um artesão capaz de a manufacturar.

Depois de muito andar, lá acabaram por encontrar a pessoa certa, aqui em Caldas das Taipas, que é a capital da cutelaria, onde estão os verdadeiros artistas desta arte.

Adriano para realizar a obra, recebeu a fotografia da citada espada, as medidas desejadas, e sob a orientação do membro daquela ordem, o arquitecto Abel Cardoso, o artista Adriano Gonçalves é irmão de António, este consagrado artesão, e ambos são filhos do já de si artista Balsemino, os 3 são os fundadores da Fábrica de Cutelarias 2000, e lá meteu mãos à obra.

Adriano Magalhães Gonçalves, agora com 53 anos de idade, depois de acabar o ensino escolar obrigatório do 6º ano, aos 12 entra na fábrica do pai no Lugar da Faísca, agora na Rua Vilar de Moinhos, é por isso cutileiro há 41 anos.

Autor de diversos trabalhos artísticos, pela sua enorme humildade de nenhum se gaba, é um patrão operário sempre disposto a servir quem o procure para os mais laboriosas peças d’aço.

1. Para a execução da espada feita duma só peça, foi a Caneiros à fábrica das molas, e lá compra um pedaço d’aço ao carbono, como o fazem ainda hoje muitos artesãos cutileiros, designadamente para o fabrico de martelos pica-bifes, tesouras, saca-rolhas, facas, navalhas e outros artefactos da cutelaria.

 

 

Seguem-se diversas operações do Processo Construtivo sempre sob a vigilância do arquitecto até à entrega da obra acabada como mostra a fotografia abaixo:
2. Faz o molde em cartão.
3. Corta a talhadeira - punceta, o aço que tem 6 mm de espessura.
4. Vaza a peça deixando na espinha 5 mm e desbastando em forma de afunilamento com fio em todas a extensão de gume até à ponteira.
5. Faz o sulco d’ambos os lados com limas e limatões.
6. Lima com grosa e meia grosa a voluta protectora do punho.
7. Procede às furações necessárias ao trabalho de empunhadura e de topo da peça.
8. Finalmente vai à forja, é temperada ao rubro não com a água de Caldas das Taipas, mas a óleo porque é feita de modo seccionado, e puxada no tais.
9. Vai para endireitar e novamente ao vazamento para lhe conferir as medidas exactas e o desbaste até ao fio necessário para arte de matar.
10. Rebarba toda a peça.
11. Repassa e escova a fosco a lâmina e a voluta.
12. Lima, Cinzela e alisa a lâmina, voluta, guarda mão e o pomo.
13. Recebe o cabo do Snr. Monteiro, marceneiro da praça, enfia-o na espiga e crava-o à voluta.
14. Coloca a folha metálica no pomo.
15. Crava com cobre esmagado o pomo à espiga, e, termina o trabalho que foi levantado anteontem pela Grã Ordem Afonsina, a Espada duma só mão, mede do Cravo à Ponta 1,02 metros, 14,5 centímetro na Voluta e Pesa apenas 1,300 Kg, para ser fácil o seu manejo, numa mão a espada na outra o escudo.

Neste trabalho o artesão foi moldador, cortador forjador, amolador, temperador, rebarbador, repassador, limador, cinzelador, caxiador, cravador e acabador, é o manejo de todas estas profissões que faz do Adriano Gonçalves um verdadeiro Artista.

Certamente marcará presença juntamente com os industriais da cutelaria na comitiva que o município vimaranense patrocinará a par do que tem feito com as actividades económicas concelhias do calçado em Itália e do têxtil na Alemanha, levará a cutelaria de que se orgulha ter no seu seio municipal a sua única capital industrial, a da Cutelaria nas Caldas das Taipas ao certame que se realizará de 11 a 13 de Junho do próximo ano de 2022 na cidade de Abacete, aqui na vizinha Espanha no âmbito do IIIº Encontro Mundial das Capitais da Cutelaria.

Aparte: Em 07/06/2013 ofereci à Taipas Turitermas cópia dum filme televisionado em 11/10/1972, da série “Terras de Portugal” com imagens exclusivas de Caldas das Taipas, que eu tinha comprado em 05/09/2002 à RTP, para que a cooperativa aproveitasse na parte que intervém o Director Clinico da Empresa Termal de Caldas das Taipas, SARL, como o fez na homenagem que quiseram prestar ao Dr. Augusto Monteiro Dias de Castro mo âmbito do Congresso Anual da Sociedade de Hidrologia Médica que decorreu na nossa vila em Junho do ano de 2013.
Ora, a cooperativa numa tertúlia realizada ontem a propósito dos 70 anos da nossa piscina, voltou a aproveitar as imagens e não fizeram referência àquela minha oferta, mas a outras pessoas com suportes exibidos.

 

A fotografia com o esquema orientador; a espada antes da têmpera e depois de acabada

A fotografia com o esquema orientador; a espada antes da têmpera e depois de acabada

 

Caldas das Taipas, 26 de Junho de 2021