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Mundial 2026

Lionel Ferreira
Opinião \ sábado, agosto 01, 2026
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Cristiano Ronaldo continua a representar experiência, liderança e uma ambição competitiva difícil de igualar.

Arrancou aquele que é, para muitos, o maior espetáculo do desporto mundial. O Campeonato do Mundo de 2026 promete marcar uma nova era no futebol, não só pelo número recorde de seleções participantes, mas também pela forma inédita como será organizado. Pela primeira vez, o Mundial será disputado em três países, Estados Unidos, Canadá e México, com jogos espalhados por 16 cidades. O histórico Estádio Azteca recebeu o jogo de abertura, enquanto a final será disputada no MetLife Stadium. Será também a primeira edição com 48 seleções, tornando este no maior Campeonato do Mundo de sempre. Apesar da expansão da competição, a lista de campeões continua surpreendentemente curta. Em quase um século de história, apenas oito seleções conseguiram conquistar o troféu: Brasil, Alemanha, Itália, Argentina, Uruguai, França, Inglaterra e Espanha. A grande questão é inevitável: será que 2026 dará origem a um novo campeão? Em Portugal, a esperança é que seja finalmente a nossa seleção a entrar nesse restrito clube.

A França continua a surgir como a principal candidata ao título. A profundidade do plantel, aliada à experiência acumulada nos últimos anos, faz dos franceses uma das equipas mais completas da competição com Kylian Mbappé como principal figura. A Espanha chega moralizada depois da conquista do Campeonato da Europa de 2024. Mantém um futebol assente na posse de bola, mas junta-lhe agora uma geração repleta de talento, onde Lamine Yamal assume um papel de destaque. A Argentina, campeã do mundo em 2022, continua a ser uma seleção extremamente competitiva. Mesmo numa fase mais avançada da carreira, Lionel Messi continua a representar muito mais do que qualidade dentro de campo: é um líder e uma referência para toda a equipa. A Inglaterra apresenta talvez um dos plantéis mais completos da sua história recente. Esta geração que acredita ter finalmente argumentos para voltar a conquistar um Mundial. Já o Brasil pode nunca entrar como favorito absoluto, mas dificilmente deixa de ser candidato. Mesmo atravessando um período menos consistente, continua a produzir jogadores de enorme qualidade, como Vinícius Júnior e Rodrygo, capazes de decidir qualquer jogo. Portugal também entra nesta lista de candidatos. A qualidade da geração atual é inegável. Cristiano Ronaldo continua a representar experiência, liderança e uma ambição competitiva difícil de igualar.

Durante mais de quinze anos, o futebol viveu dividido entre dois nomes: Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Cada jogo, cada prémio e cada recorde alimentaram uma rivalidade que marcou uma geração inteira. Tudo indica que o Mundial de 2026 poderá ser o último grande palco onde ambos estarão presentes. Independentemente das preferências de cada um, é impossível negar que o futebol viveu uma das épocas mais extraordinárias da sua história graças a estes dois jogadores.

Entre as novidades desta edição está a introdução das pausas para hidratação. É difícil dizer se a sua principal função é permitir que os jogadores recuperem, oferecer tempo aos treinadores para reorganizar as equipas ou responder a interesses comerciais. Provavelmente existe um pouco de tudo. Ainda assim, não será surpreendente se, no futuro, este tipo de interrupção acabar por fazer parte do futebol de forma permanente. A possibilidade de dividir o jogo em quatro períodos, à semelhança de outras modalidades, já começa a ser discutida por alguns especialistas.

Há outro fenómeno curioso que este Mundial voltou a despertar: a febre das cadernetas. Talvez por nostalgia, milhares de adultos regressaram às coleções, agora acompanhados pelos filhos. O que começa por ser uma simples compra de saquetas acaba por transformar-se numa experiência partilhada entre gerações. Mas a caderneta vale muito mais do que os cromos que contém. As crianças aprendem bandeiras, descobrem novos países, localizam-nos no mapa e ficam a conhecer jogadores de todo o mundo. Ao mesmo tempo, as inevitáveis trocas de cromos criam algo cada vez mais raro nos dias de hoje: momentos de convívio. Nas escolas, nos centros comerciais ou nos encontros organizados, centenas de pessoas voltam a conversar, negociar e partilhar uma paixão comum. Num tempo em que se fala tanto do isolamento provocado pelas tecnologias, é curioso ver como uma simples caderneta consegue aproximar pessoas.

O Mundial de 2026 será, naturalmente, uma competição desportiva. Mas o seu impacto vai muito além dos resultados dentro das quatro linhas. Movimenta milhões de pessoas, impulsiona o turismo, dinamiza a economia, gera conteúdos em todo o mundo e cria memórias que perduram durante décadas. É essa capacidade de unir culturas, gerações e países que faz do Campeonato do Mundo muito mais do que um torneio de futebol. De quatro em quatro anos, o futebol volta a provar que consegue parar o mundo.

 

ndr: Conteúdo originalmente publicado na edição de julho de 2026 do jornal Reflexo.