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Menino Jesus Vs. Pai Natal

Vera Rosas Guimarães
Opinião \ quinta-feira, dezembro 16, 2021
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"Jesus seria, à partida, a “personagem principal” destas festividades. No entanto, na minha opinião, não é bem assim"

Mês de Dezembro, o tão esperado mês em que celebramos o Natal. Mas o que é, como é, o que significa celebrar o Natal? O significado mais literal ou objetivo e, do ponto de vista religioso, é a celebração do nascimento de Jesus. Jesus seria, à partida, a “personagem principal” destas festividades. No entanto, na minha opinião, não é bem assim.

Começamos a perceber que o Natal se aproxima, não nas igrejas ou outros locais de culto, mas nas lojas e nos centros comerciais. É nesses locais que começamos a ver os enfeites, as luzes e as árvores de Natal, logo nos inícios de Novembro e começamos a ser bombardeados de mensagens, apelos, promoções e sugestões de presentes para família e amigos.

Nesta perspectiva, a “personagem natalícia” não é Jesus, mas sim um senhor simpático de longas barbas brancas, celebrizado por uma conhecida marca de refrigerantes. É, nem mais nem menos, o tão adorado, especialmente pelas crianças (e até mesmo pelas nossas crianças interiores), o “Pai Natal”! Esta faceta do Natal não é, por si só, desinteressante ou desprovida de valor. A troca de prendas entre família e amigos, quando envolvidas num contexto de celebração da amizade e do amor que nos une, não é o que irá afastar o verdadeiro “espírito natalício”. O problema é quando a compra das prendas se torna o foco principal das festividades. Quando o “valor” das prendas é medido em euros e não no verdadeiro significado das mesmas – o esforço e dedicação na escolha de algo em função da pessoa que a irá receber, o “mérito” por saber os gostos dessa pessoa ou de como a fazer soltar uma gargalhada com um simples presente que carrega uma inside joke entre quem o oferece e quem a recebe, por exemplo.

O Natal, a meu ver, tem a sua componente, numa inspiração religiosa, é verdade, mas vai muito para além disso. O Natal é o aconchego da presença de quem amamos e ainda temos o fortúnio de os ter por perto; é o jantar em família, a gratidão imensa, o sorriso junto do abraço fraterno que cura. Natal é amor, carinho e também tristeza pelo sentimento de perda e ausência de entes queridos falecidos. Amor e dor que nos transportam à alegria e às lágrimas, à antítese da vida. Quer por convicção (religiosa ou não), quer por convenção, nesta época falamos muito de solidariedade, do amor pelo próximo, dos valores da família, etc.. Evocamos a necessidade de alterarmos comportamentos, mudarmos prioridades.

Neste “falatório”, estas duas “personagens” (Menino Jesus e Pai Natal), na minha opinião, podem coexistir pacificamente e não será por umas “pitadas” de materialismo que o Natal irá perder ou desvirtuar a sua essência. Devemos ser sim, cada um de nós, o garante dessa mesma essência! O “falatório” é importante, mas não chega! Este só faz sentido se nos levar a refletir sobre as nossas ações (como indivíduos) e as corrigirmos no futuro! Neste pequeno texto, apenas quis expressar a minha opinião sobre algumas coisas relacionadas com esta época festiva. Muito mais haveria a falar.

Espero que, cada um de nós o faça, de preferência, junto com os que nos são mais queridos! É urgente reproduzir o espírito de Natal pelos restantes meses que não só o de dezembro, erradicar de uma vez por todas o espírito de guerra e “competições sem sentido” constantes dentro dos nossos corações...

A todos um Feliz Natal (com Pai Natal e/ou Menino Jesus) com amor, amizade, solidariedade e com a esperança, não esquecendo de que também depende de nós, de um mundo melhor!