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Existem mulheres de valor e mulheres de “valores”.

Vera Rosas Guimarães
Opinião \ quinta-feira, março 10, 2022
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No que respeita ao acesso ao mundo do trabalho e a iguais condições de trabalho/ benefícios… bem, creio que ainda existe um longo caminho a percorrer, que deve ser percorrido por todos.

Temos o uso, a tradição ou a necessidade de enaltecer, comemorar, lembrar uma causa, uma personalidade ou um evento, num dia específico (dia de todos os Santos, dia da mulher, dia do ambiente, etc..).

Um dia especifico para comemorar, lembrar ou enaltecer uma causa, um individuo ou um fenómeno, por si só, não me parece mal. A questão, quanto a mim, é quando toda a energia aplicada nesse dia desaparece ou se dilui nos restantes dias do ano.

Tomemos por exemplo o dia da Mulher!

Sem dúvida que se trata de um tema (a mulher) merecedor de ser alvo de atenção, do respeito de todos.

Sem querer entrar profundamente em temas como o machismo, desigualdade ou outros, “lembrar a mulher” não só faz sentido como também julgo ser necessário.

Existem várias perspectivas que podem ser consideradas quando nos referimos à Mulher.

Historicamente, estamos habituados (talvez formatados) a considerar a mulher com um percurso de vida predeterminado. Nasce, cresce, casa e tem filhos. Só recentemente se considerou o facto de a mulher, tal como o homem, não nascer predestinada ao que quer que seja.

No percurso de vida da mulher, passa a ser considerada a sua individualidade, o seu percurso biológico mas também o seu percurso e ambições profissionais e pessoais, opções próprias de como e por onde direccionar as suas próprias vidas.

Claro que esta nova forma de ver a mulher não surgiu nem se aceitou de um momento para o outro. Pode se afirmar, mesmo, que ainda se encontra em construção/ ajuste a ideia do papel da mulher.

Um dos temas “fortes” para uma perspectiva mais conservadora em relação à mulher é a questão da maternidade, da responsabilidade que tem na continuidade da espécie.

É, de facto, um aspecto importante e complexo mas, algo que devia estar devidamente estabelecido, enraizado, nas nossas mentes é, a meu ver, a não obrigatoriedade da maternidade, ou seja, a mulher não deve ser levada a encarar a maternidade como uma obrigação, como uma fatalidade, mas sim como algo que deseja, que optou de forma consciente e responsável! Não ser mãe por opção (consciente, livre e responsável) não deve ser julgada ou alvo de juízos de valor! Deve ser um direito de cada mulher!

Outra questão trata se do acesso à escola e ao trabalho em igualde de condições que os restantes seres humanos.

Creio que em relação à escola, ao ensino, de uma forma geral, esse acesso não é negado ou dificultado. Temos cada vez mais exemplos de mulheres com percursos académicos completos e brilhantes (As mulheres, tal como os restante seres humanos, podem ter bons e maus resultado, podem ser boas e más alunas)!

No que respeita ao acesso ao mundo do trabalho e a iguais condições de trabalho/ benefícios… bem, creio que ainda existe um longo caminho a percorrer, mas, caminho esse, que deve ser percorrido por todos (homens/ mulheres)!

Muitas outras coisas se poderiam/ deveriam falar sobre a Mulher mas, e agora chegando à razão de ser deste artigo, um dia só não chega! Festejar, comemorar, lembra o dia da Mulher (tal como outros dias também importantes) só faz sentido se for um sinal ou um impulso para que, no nosso dia a dia, pensemos, debatamos e, principalmente, passemos à açao para enfrentar e resolver todas as questões que ainda prevalecem sobre “a Mulher”! Nós merecemos!

Não só a oito de março como nos restantes dias do ano, a minha homenagem a todas as Mulheres!