Figuras da AH Bombeiros VC Taipas | 4 - Custódio Gonçalves da Cunha (II)
(continuação do texto publicado a 22 de fevereiro de 2026)
07-06-1928 – Foram expostos todos os trabalhos realizados para a reorganização do corpo activo, de que foi encarregada a Direcção, em Assembleia-geral extraordinária de 20 de Maio de 1928, sendo resolvido essa reorganização com os seguintes cidadãos, que ficarão a constituir o corpo activo desta Associação: Joaquim da Silva Ferreira Monteiro, Leopoldo Lopes, Luís Gonzaga Vieira Guimarães, José Alves Moreira, Francisco Martins da Costa e Silva, José Gonçalves Ferreira, Isaías da Silva Fertuzinhos, José Victorino de Sousa, Luciano de Freitas, Custódio J. de Oliveira, Manuel Alves Miranda, David Rodrigues, Manuel de Oliveira, Albino Pereira, Aurélio Antunes Machado, Manuel José Crespo de Souza, António Ribeiro Pimenta, Joaquim Alves, Abílio Alves Moreira, Joaquim Mendes, João Martins, António Martins, Manuel Gonçalves, António da Silva Marques, João Rodrigues Pichel e José da Silva. Foi resolvido, que o Excelentíssimo Joaquim da Silva Ferreira Monteiro, 2.º Comandante do corpo activo dissolvido, ficasse interinamente com o comando do mesmo corpo activo, e o Excelentíssimo Francisco Martins da Costa e Silva com o cargo de Fiscal, também interinamente, até que pelo corpo activo seja feita a eleição definitiva conforme o artigo 8º dos Estatutos.
09-06-1928 - Como noticiamos na última correspondência, a Assembleia-geral de sócios da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários desta povoação, resolveu expulsar da Corporação vários bombeiros, por estarem incursos no artigo 3.º, cap. 6.º Dos estatutos (penas). Assim, a ilustre Direcção cumprindo essas determinações e de harmonia com os referidos estatutos oficialmente aprovados, oficiou a êsses dissolventes, comunicando-lhes essa deliberação e rogando-lhes a entrega das respectivas fardas e demais haveres pertencentes à Associação. Mas apezar de tudo isso êsses cavalheiros influenciados por quem quer que seja e a nosso ver de nenhum critério, retém as fardas e não entregam o que à mesma Associação pertence, indo de encontro ao artigo 4.º, cap. 6.º, parágrafo único da aplicação de penas dos estatutos. E então porque é que a ilustre Direcção não exige imediatamente e se tanto for preciso porque não recorre ao poder judicial? Os estatutos fizeram-se e aprovados tem força de lei, portanto cumpram-se se ainda que acarretem desgostos e contrariedades. Com elementos de tal ordem não haja contemplações e muito principalmente numa Corporação desta natureza aonde não pode haver a mais leve sombra de indisciplina. A propósito e por falarmos na Associação, não nos ocorreu relatar na nossa última correspondência um facto que reputamos digno do conhecimento dos nossos leitores: No relatório apresentado à Assembleia Geral pela Direcção e com o parecer do Conselho fiscal, dizia que o ex-Tesoureiro da Corporação João Baptista Sampaio, tendo apresentado as suas contas, não entrou com a importância das quotas cobradas aos sócios respectivamente do ano de 1925 e 1.º semestre de 1926. Em presença de semelhante facto que julgamos de manifesta gravidade, que faz também a ilustre Direcção? Isto para já não mencionarmos os milhares de escudos da Associação que em poder do mesmo ex-Tesoureiro estavam e com que negociou e que em reunião da Direcção declarou pagar os respectivos juros, mas que nunca apareceram. Como veem os nossos queridos leitores, não somos nós que acusamos por prazer, nem por qualquer má vontade, mas sim o relatório aprovado na última Assembleia-geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários desta povoação. E são estes cidadãos e outros de igual jaez que acusam os vizinhos de menos honestos. - Notícia jornalística.
05-08-1928 - Apesar de todas as solicitações ainda não foi possível conseguir a realização do inquérito ordenado pelo Ex.mo Governador Civil a esta Corporação. Continuam a dirigi-la elementos que lá cometeram tropelias de toda a espécie, não respeitando os estatutos e expulsando violentamente o seu respeitável comandante, que há 4 anos estava á frente da Associação, observando rigorosamente os Estatutos legais e dando ao progresso da sua Corporação todo o carinho, todo o esforço. É público que os actuais directores fazem valer toda a sua acção pessoal e política para que o inquérito se não realize, pois não ignoram o prémio que está destinado às suas ilegalidades. E, entretanto, a corporação dos bombeiros perde o seu prestígio e deixa de satisfazer aos fins humanitários a que é destinada. Estamos em um regime que se diz de moralidade e justiça: é necessário que nas Caldas das Taipas se conheça a realidade desse facto e que o inquérito à Associação dos Bombeiros se não faça demorar por mais tempo, e seja aplicada com critério, sim, mas com todo o rigor, a penalidade a quem tiver prevaricado, restituindo-lhe o seu cargo e os seus sócios trabalhadores e amigos.
Por proposta do Comandante do corpo activo, foram aprovados sócios da Associação na classe de activos, os Senhores: José Ribeiro e António Fernandes.
16-12-1928 - Assumiu a Presidência o 2º Secretário, Custódio Gonçalves da Cunha. O Presidente declarando aberta a sessão pediu à Assembleia em virtude do seu estado avançado de idade por se encontrar um pouco enfermo, que o dispensassem indicando para o substituir o Sr. José Teixeira de Maria, secretariado pelos excelentíssimos Senhores José Ribeiro de Castro e António Caetano da Silva, indicação que a Assembleia aceitou e aprovou. Usando da palavra o Excelentíssimo Dr. José Joaquim Machado Guimarães Júnior, apresentou à Assembleia a seguinte proposta: “Terminando em 31 de Dezembro do ano corrente, o mandato que foi conferido pela Assembleia Geral de 11 de Dezembro de 1927, aos actuais corpos gerentes (Assembleia Geral, Direcção, Conselho Fiscal) e sendo de uso e costume desde a data da reorganização desta Associação, realizar-se a eleição dos corpos gerentes em Dezembro de cada ano, mas tendo-se suscitado dúvidas se sobre se deveria manter essa data para a eleição ou se deveria passar a efectuar-se de 5 a 10 de Junho, como prescreve o artigo 5º, capítulo 3º dos estatutos, propondo: - até que seja feita a alteração ou reforma dos estatutos conforme foi aprovado em Assembleia-geral de 20 de Maio do ano corrente, passe a efectuar-se essa eleição em dia marcado de 5 a 10 de Junho e que sejam nomeadas 3 comissões representando respectivamente: “Assembleia-geral, Direcção, Conselho Fiscal” com os poderes inerentes a esses cargos, para tomarem a gerência da Associação desde 1 de Janeiro de 1929, até à data em que tomarem posse os corpos gerentes eleitos de 5 a 10 de Junho de 1929. Foram nomeados os seguintes sócios: Assembleia-geral: Padre Francisco Fernandes Salazar, Domingos de Freitas e José da Silva Mendes; Direcção: Joaquim da Silva Ferreira Monteiro, Serafim Marques da Silva Lopes, Custódio Gonçalves da Cunha; Conselho Fiscal: José Ribeiro de Castro, António da Silva Fertuzinhos e José de Freitas.
01-01-1929 - Compareceram os Excelentíssimos Senhores: Dr. José Joaquim Machado Guimarães Júnior, Francisco de Oliveira, membros da Direcção cessante e bem assim, Joaquim da Silva Ferreira Monteiro, Serafim Marques da Silva Lopes e Custódio Gonçalves da Cunha, estes três últimos nomeados em sessão extraordinária da Assembleia Geral da Associação de 16 de Dezembro de 1928, para a gerência da Associação até à data em que tomarem posse os corpos gerentes eleitos de 5 a 10 de Junho de 1929. Assumindo a Presidência o excelentíssimo Dr. José Joaquim Machado Guimarães Júnior, depois dos cumprimentos do estilo deu posse aos novos eleitos que prestaram o seu juramento de honra. Entrando em exercício a nova Comissão foram eleitos: Presidente – Custódio Gonçalves da Cunha; Secretário – Serafim Marques da Silva Lopes e Tesoureiro – Joaquim da Silva Ferreira Monteiro.
ndr: texto publicado originalmente na edição de março do jornal Reflexo