Figuras da AH Bombeiros VC Taipas | 4 - Custódio Gonçalves da Cunha (I)
A propósito do 4º e último Presidente da Direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Caldas das Taipas, sem fotografia na galeria do Salão Nobre, teve a qualidade de interino no deambular do ano de 1928 para o ano de 1929, quando no final do ano de 1928 a Assembleia Geral de sócios decide que os mandatos anuais devam começar em julho e não em janeiro de cada ano, como até fora até ali. É por isso, neste período de transição de ½ ano que Custódio Gonçalves da Cunha assume a presidência da corporação na Assembleia Geral de 01-01-1929.
Abaixo se transcreve estes factos, deambulados em mais um dos muitos períodos conturbados que os Bombeiros das Taipas passaram.
20-05-1928 - Assumiu a Presidência o 2º Secretário, Custódio Gonçalves da Cunha, por o Presidente ter pedido a demissão, o Vice-Presidente estar ausente, e o 1º Secretário se recusar a assinar a convocatória e não se encontrar presente. O Presidente declarando aberta a sessão pediu à Assembleia em virtude do seu estado avançado de idade e por se encontrar um pouco enfermo, que o dispensassem indicando para o substituir o Sr. José Mendes Leite de Faria, secretariado pelos Srs. Francisco Teixeira Mendes e Abílio Crespo da Costa Menezes, indicação que a Assembleia aceitou e aprovou. A Assembleia-geral resolveu:
- a) Dissolver desde logo o corpo activo, ficando encarregada da sua reorganização a Direcção.
- b) Que fossem expulsos da Associação o 1º Comandante do corpo activo, Sr. Manuel José Pereira, Cândido Ribeiro Capela, José Custódio de Freitas Júnior, António da Costa, Amâncio José Maria da Silva, Domingos de Souza Ferreira Magalhães, João Ribeiro Baptista, por serem elementos de indisciplina prejudiciais à Associação, bem como o sócio protector Sr. Lourenço da Silva Braga, por ter apresentado à Direcção uma proposta para admissão de novos sócios com nomes de indivíduos que não tinham autorizado a inclusão dos seus nomes na proposta, nem dela tinham conhecimento como se prova.
- c) Aprovar um voto de louvor à Direcção pelo zelo e competência que tem mostrado na gerência dos interesses da Associação.
26-05-1928 - CALDAS DAS TAIPAS: Bombeiros Voluntários. Domingo passado, dia 20 do corrente mês, reuniu extraordinariamente a Assembleia-geral de sócios da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários desta povoação, a requerimento da Direcção. Os motivos que determinaram essa reunião foram os seguintes:
- Apreciar o pedido de demissão apresentado por escrito em 23 de Fevereiro último pelo Sr. Francisco Braga, Presidente da mesa da Assembleia-geral.
- Discutir e votar o relatório de contas da gerência do ano de 1927.
- Tomar conhecimento d’actos de indisciplina, praticados por vários sócios do corpo activo e resolver quais as medidas a tomar para que seja mantida a disciplina e prestígio da Associação.
- Apreciar a campanha dissolvente e de descrédito para a Associação, que vem sendo desenvolvida por alguns sócios activos.
- Apreciar e resolver o que julgar mais conveniente em presença do procedimento do 1.º Comandante do Corpo Activo, a quem a Direcção confiou os livros da Associação e abusivamente inscreveu sócios sem prévio conhecimento e sem aprovação da Direcção.
- Pronunciar-se sobre a necessidade ou conveniência de modificações nos estatutos vigentes, sua alteração e mesmo substituição por outros, quando se julgue conveniente.
Eram 15 horas quando a sala do edifício estava repleta de sócios de todas as classes, e que estavam no gozo dos seus direitos. Aberta a Assembleia, presidida pelo Ex.mo Sr. José Mendes Leite de Faria e secretariado pelos Ex.mos Srs. Francisco Teixeira Mendes e Abílio Crespo da Costa Menezes, usou da palavra o Ex.mo Presidente da Direcção, Dr. José Joaquim Machado Guimarães Júnior, que num eloquente discurso, pormenorizadamente mostrou à assembleia as razões da convocatória. Em seguida usou da palavra o sócio Alexandre Martins da Costa e Silva, que foi também aplaudido. Não se tendo inscrito mais nenhum orador, a assembleia pronunciou-se sobre os assuntos da convocatória, dando o seguinte resultado: Aprovação por maioria da demissão apresentada pelo Sr. Francisco Braga de Presidente Assembleia-geral. Aprovação por maioria do relatório de contas apresentados pela Direcção da gerência do ano de 1927. Aprovação por maioria dos estatutos oficialmente aprovados em 1887 e pelos quais a Associação se deve reger para futuro. Rejeição dum documento apresentado por vários sócios. Rejeição dum documento apresentado por vários sócios. Expulsão do 1.º Comandante do corpo activo, bem assim dos sócios Cândido Ribeiro Capela, José Custódio de Freitas Júnior, Amâncio José Maria da Silva, António da Costa, Domingos Magalhães, João Baptista Sampaio, bem como do sócio protector Lourenço Braga por se ter provado com documentos a falsidade duma proposta apresentada á Direcção, sobre admissão de novos sócios, sem que para isso os mesmos tivessem conhecimento ou dado a sua autorização na inclusão dos seus nomes. Por último foi aprovado um voto de louvor que ficará exalado na acta à Direcção pelo zelo e competência com que tem mostrado na gerência dos negócios da Associação. A melhor resposta – Como o poder supremo da Associação Humanitária dos Bombeiros reside na Assembleia Geral, capítulo 3.º artigo 1.º dos estatutos, aí está a resposta mais clara e terminante aos artiguelhos publicados na “Velha Guarda”, da cidade de Guimarães. - Notícia jornalística.
03-06-1928 – Resolveu-se propor as acções cíveis e criminais contra os sócios activos desta corporação, que em sessão da Assembleia-Geral de sócios efectuada, em 20 de Maio de 1928, foram expulsos ou que deixaram de fazer parte do corpo activo, recusando-se a entregar amigavelmente os objectos que lhe haviam sido distribuídos e entregues, e que pertencem a esta Associação. Autorizando o Excelentíssimo Presidente a passar as necessárias procurações para tal efeito. (continua...)
ndr: texto publicado originalmente na edição de fevereiro do jornal Reflexo