Figuras da AH Bombeiros VC Taipas | 3 - João Ferreira Fernandes
Agora dados dalgum relevo da 3ª figura que foi Presidente da Direcção da nossa Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários das Caldas das Taipas, de quem ainda não se obteve a fotografia para o Salão Nobre, a do taipense João Ferreira Fernandes, eleito no ano de 1924 para o mais alto cargo da corporação.
Nasceu no Lugar da Rabata da freguesia de S. Tomé de Caldellas a 13 de Outubro de 1872 e faleceu em 3 de Maio de 1941, com 68 anos de idade no lugar da Lameira da mesma freguesia, quando era comerciante.
Era filho de José Ferreira e da Anna Fernandes, ele garfeiro e ela fiadeira, ambos naturais da mesma freguesia.
Relativamente à sua vida pública, sei que:
Ao serviço da Junta de Freguesia de Caldelas:
Foi eleito em 2 de Janeiro de 1918 para o cargo de Tesoureiro, sendo então Presidente da Junta, Francisco da Silva Braga, precisamente quem lhe precedera na presidência da direcção dos Bombeiros, de 1919 a 1924. Ficando decidido que as reuniões ordinárias abertas ao público eram quinzenais, na 1ª e 3ª quinta-feira de cada mês. Como se tratava duma grande freguesia, o cargo já era compensado, e, passou a receber 5 escudos anualmente.
Foram anos muito conturbados, estes os da República, com várias destituições e mexidas internas, tendo Francisco Silva Braga deixado o cargo de presidente de Junta. Houve um caso caricato, que foi na transmissão do Inventário aludindo que os pertences “broches em ouro”, quando afinal eram “dum metal ordinário”.
Os empregados da junta reclamavam aumento de salário e foi ele mesmo, o Tesoureiro João Ferreira Fernandes a defender o movimento reivindicativo, assim o Coveiro ficou a ganhar 50$00 anuais; o Guarda do Cemitério e Encarregado da sua Limpeza, outros 50$00; o Guarda da Igreja, os mesmos 10$00 que já recebia, aumentando-lhe os emolumentos a receber pelo toque de sinos para anjos e defunto; os de anjos, 1$00; os de adultos, 1$50 sem ofício, e com ofício 2$00; o Secretário da Junta, 35$00 anuais e a verba de expediente passou para 10$00.
Aumentando as despesas, e não tendo a Junta receita ordinária alguma a não ser 3$15, juros de 150$00 em inscrições e alguma receita incerta de rendimento do cemitério, torna-se necessário lançar mão dum Imposto Directo, o da “Derrama” aos proprietários da freguesia e de fora com prédios nela, e aumentar a percentagem que se cobrou no ano anterior.
Um feito extraordinário, próprio dum município, o correspondente hoje ao “IMI-Imposto Municipal sobre Imóveis”, para fazer face a Despesas de Pessoal, de Capital e de Investimentos.
Das eleições de 15 de Julho de 1922 foi escolhido novamente para o executivo da junta e ainda na qualidade de Tesoureiro.
É mais uma vez eleito nas eleições autárquicas de 6 de Dezembro de 1925, últimas da 1ª República, tomando posse da qualidade de Tesoureiro em 9 de Janeiro de 1926.
Para, já em pleno Estado Novo ficou nomeado em 11 de Agosto de 1926, o 1º Presidente da Comissão Administrativa da Junta de Freguesia de Caldelas do novo regime, servindo assim 2 regimes, o Republicano e o do Estado Novo.
Em 27 de Abril de 1932 achou-se nomeado Secretário do executivo da Junta de Freguesia quando José Oliveira assumiu a presidência, e, as reuniões passaram a realizar-se na casa do pai do presidente, sita na Avenida da República.
A 30 de Abril de 1933 na qualidade de Secretário da Junta de freguesia dá posse aos membros dirigentes da “Cantina Escolar 28 de Maio” que serviu uma refeição quente a todos os alunos pobres que frequentam as Escolas Oficiais da Freguesia.
Em 10 de Dezembro de 1935 foi nomeado novamente Secretário da Junta de Freguesia e presta juramento de inteiro apoio à política do Estado Novo perante o Regedor que assim lhe confere a posse.
Para no dia 5 de Novembro de 1937 foi eleito Vogal Substituto para o seu último mandato, este de 3 anos.
João Ferreira Fernandes esteve em cargos executivos da Junta de Freguesia de Caldelas desde o ano de 1918 até ao da sua morte em 1941, por isso durante os seus últimos 23 anos de vida.
Outras Informações de relevo:
Em 30 de Outubro de 1922 comprou para si e, para a sua família 6 m2 de terreno no cemitério local, para ali ser sepultado.
Em 26 de Maio de 1923 foi nomeado representante dos Comerciantes a Retalho para a Comissão da Liquidação e Cobrança da “Contribuição Industrial” da Repartição de Finanças concelhia.
A 24 de Junho de 1934 como juiz da Irmandade de Santo António das Taipas, em Assembleia Geral vê aprovada a nova versão dos seus Estatutos.
Irmandade com igreja própria construída no ano de 1692. A igreja foi destruída no ano de 1917, e, hoje pouco se sabe da Irmandade, que tanto podia fazer a favor de Santo António das Taipas como na segunda metade do século XIX Camilo Castelo Branco intitulava a nossa terra.
Ao serviço da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários das Caldas das Taipas:
Em 6 de Janeiro de 1924 foi eleito por 1 ano, Presidente da Direcção, sendo 1º Secretário Francisco Pereira Silvério e Tesoureiro João Baptista Sampaio, o comandante era o professor Manuel José Pereira.
Em 13 de Junho de 1933, foi novamente eleito para o Executivo da Corporação com a qualidade de Suplente do presidente Dr. José Joaquim Machado Guimarães Júnior.
Para no dia 23 de Junho do ano de 1935 ter sido escolhido para Vice-Presidente da Mesa da Assembleia Geral.
Finalmente em 21 de Junho de 1936, a 20 de Junho de 1937 e a 10 de Julho de 1938 ter sido eleito novamente Suplente-Substituto da Direcção.
Foi neste último mandato, de 1938 que se construiu a Sede e o Quartel antigo, sito no Largo António Gonçalves que perdurou durante quase 50 anos, quando foi substituído no de 1986 pela inauguração da Nova e Actual Sede e Quartel, mandada edificar pelo executivo, então presidido por Manuel de Sousa Marques.
Caldas das Taipas, no dia da tomada de posse de Miguel Ribeiro de Sousa como Presidente da Direcção da AHBVCT, aos 4 de Janeiro do ano de 2026
ndr: texto publicado originalmente na edição de janeiro do jornal Reflexo