Figuras da AH Bombeiros VC Taipas | 2 - José Ribeiro de Castro
Dou aqui nota do que conseguiu descortinar acerca da vida social e pública de José Ribeiro de Castro Presidente da Direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Caldas das Taipas, e, faço-o de modo cronológico para melhor e mais fácil apreciação:
07-04-1911: Após a revolução, e, por ser fiel às leis da República toma posse do cargo de Vice-Presidente da Commissão Administradora da Parochia de São Thomé de Caldellas. Sendo presidente Manuel da Silva Rocha; Francisco Pereira Silvério como Thesoureiro; Joaquim Aurélio da Costa como Administrador do Cemitério Parochial, e António Manuel Lourenço como Vogal. Tendo sido empossados pelo anterior presidente da monarquia, o Padre Domingos José Antunes Machado.
02-01-1914: Toma posse na Junta de Parochia, agora como Vogal. Para a Povoação de Caldas das Taipas - Viação - Obras - Jardins e Arvoredos, foi nomeado pela Câmara o Vereador Júlio António Cardoso.
20-08-1919: Toma possa novamente do cargo de Vice-Presidente da Junta de Freguesia, a par de Domingos de Oliveira, João Ferreira Fernandes, que viria a ser também Presidente da Direcçáo dos Bombeiros da nossa terra, António Manuel Lourenço e Adelino Ferreira Manso sendo este Administrador do Cemitério. A posse foi conferida por Cândido Ribeiro Capela de quem era primo.
02-01-1920: É eleito por escrutínio secreto Presidente da Junta de Freguesia, tendo como Vice-Presidente, António Manuel Lourenço.
02-01-1921: É novamente eleito Presidente da Junta de Freguesia.
18-05-1921: Compra à Junta de Freguesia 11 m2 de terreno no cemitério, 2 m2 onde se acha sepultado seu pai, e 9 m2 para construir um jazigo perpétuo da sua família.
03-01-1922: Reeleito para mais um madato anual na qualidade de Presidente da Junta de Freguesia.
05-01-1923: É eleito Vogal da Direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários das Caldas das Taipas, na presidência de Francisco da Silva Braga.
23-11-1923: É um dos fundadores do Clube Caçadores das Taipas, e, seu 1º Presidente da Mesa da Assembleia Geral de sócios.
15-03-1924: A direcção do Clube Caçadores das Taipas presidida por Dr. Alfredo Fernandes resolve tratar da preparação do campo de tiro e procurar o Sr. José Ribeiro de Castro a fim de este lhe indicar o terreno que destina ao Clube conforme a sua oferta.
15-04-1924: A direcção do Clube Caçadores das Taipas congratulando-se com a oferta do terreno feita pelo Sr. José Ribeiro de Castro, Mário de Sampaio e D. Ana d’Abreu, aprova-lhes um voto de louvor, e nomeou os dois últimos sócios honorários, e isentou o primeiro do pagamento de quotas.
15-05-1924 - Resolveu-se dar ao campo de tiro as seguintes dimensões: Largura total 50,00m; stand 75m² (15m x 5m). Deste terreno pertence uma área de 750m² (50m x 15m) ao Sr. Mário de Sampaio, uma dita de 2000m² (50m x 40m) ao Sr. José Ribeiro de Castro, a quem pertence também o caminho na largura de 2,50m desde a estrada ao campo, e o restante do terreno, ou seja, a parte ocupada pelo stand, à Excelentíssima D. Ana d’Abreu. Fica estabelecido para todos os efeitos legaes, que os terrenos acima descritos são propriedade dos respectivos donos a cuja posse teem de voltar, sem direito a qualquer indemnização, desde que o Clube deixe de funcionar, para o que será considerado motivo de cessar autorização de ocupar o terreno, à falta de exercício ou festas desportivas durante 3 anos consecutivos. O Governador Civil de Braga viria a aprovar os Estatutos do Clube Caçadores das Taipas, afectando a este clube as freguesias de: Caldelas, Barco, Briteiros (São Salvador, Santo Estêvão e Santa Leocádia), Sande (São Martinho, São Lourenço, São Clemente e Vila Nova), Balazar, Longos, Donim, Figueiredo, Oleiros, Leitões, Airão (Santa Maria e São João), São Mamede, Ronfe, Brito, Prazins (Santa Eufémia e Santo Tirso), Ponte, Corvite, Castelães, Gonça, Gondomar, Souto (São Salvador e Santa Maria) e Arosa.
16-12-1928: É eleito Presidente do Conselho Fiscal da Associação dos Bombeiros e acompanham-no neste órgão António da Silva Fertuzinhos e José de Freitas.
08-06-1930: Eleito novamente para a direcção dos Bombeiros, sendo presdente da direcção Dr. José Joaquim Machado Guimarães Júnior
06-07-1930: Eleito Vice-Presidente da Direcção dos Bombeiros, com o Dr. António Rodrigues da Silva Crespo a Presidente da Direcção.
02-11-1930: Por se ter demitido do cargo de Presidente da Direcção o Dr. António Crespo, José Ribeiro de Castro é eleito Presidente da Direcção dos Bombeiros, tendo como Vice-Presidente o seu concunhado José Mendes Leite de Faria.
14-06-1931: É eleito para a direcção na qualidade de Vice-Presidente, sendo Presidente o Dr. José Joaquim Machado Guimarães Júnior.
13-06-1933: É eleito como Substituto de Direcção, novamente com o Dr. José Joaquim Machado Guimarães Júnior a Presidente.
21-06-1936: Eleito Presidente da Mesa da Assembeia Geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Caldas das Taipas, qualidade que mantém durante 14 anos, até à sua morte.
28-03-1943: É eleito Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Clube Caçadores das Taipas
16-04-1950 – Morre José Ribeiro de Castro, benemérito da terra, que ofertara o terreno para a construção do campo de tiro do Clube Caçadores das Taipas, hoje Estádio do Montinho, e legou diversos bens para fins sociais à Santa Casa da Misericórdia, designadamente 3 casas térreas ainda existentes e um grande terreno que serviu o Ciclo Preparatório, onde hoje se situa o Centro Social Padre Manuel Joaquim de Sousa e um grande terreno, agora prédios urbanos, que a Junta de Freguesia na década de 90 do século XX usou como moeda de troca com a Caixa Geral de Depósitos, bem como prédios no centro da vila, designadamente o da Padaria Central.
Morava na Lameira na casa, onde hoje vive a da D. Matilde Rebelo.
Porque não tinha filhos, deixou a maioria da sua herança à Santa Casa da Misericórdia de Guimarães. e a afilhadas.
Sua viúva Maria da Costa Morais Castro acabaria a construção do bairro do Campo do Futebol que fora confiado à paróquia, e alienado por esta aos particulares residentes.
Foram sepultados no indicado jazigo que, entretanto, construira e porque não deixou família que tratasse do asseio desta, também este bem perpétuo acabou alienado.
Apenas lhe resta em sua memória 2 placas toponímicas, que a seu tempo eu soube proteger, ao propor uma rua com o seu nome, precisamente num terreno que fora seu, onde está construído o Centro Social Padre Manuel Joaquim de Sousa.
Tanto procurei pela fotografia desta tão ilustre e bondosa pessoa, que não a tendo encontrado nas instituições que serviu e a quem tanto deu, nenhuma mesmo junto da família de Abação, da famíla da cidade de Guimarães, de Lisboa, bem como na família de nenhum dos seus 3 afilhados, um deles ainda vivo conta agora 104 anos de idade, nem mesmo na família das criadas, prometo trazê-la para a próxima edição, para que entre na galeria do Salão Nobre dos nossos Bombeiros, para o que tenho mais um mês de investigação.
Caldas das Taipas, no dia comemorativo da Restauração Nacional
ndr: texto publicado originalmente na edição de dezembro do jornal Reflexo