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Escola Secundária num ponto de viragem

Alfredo Oliveira
Opinião \ sexta-feira, maio 05, 2023
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Num projeto orçado em 1,7 milhões de euros, a escola secundária poderá oferecer cursos profissionais tendo em conta uma formação especializada e atual.

Em março de 1989, chegou à Escola Secundária de Caldas das Taipas, por parte da Turitermas, um convite para um eventual lançamento de uma Escola Profissional de Hotelaria e Turismo, em Briteiros. Esta foi a primeira iniciativa para o aparecimento de cursos profissionais associados à secundária da vila.

De acordo com o livro dos primeiros trinta anos desta escola, podemos ainda ler que a concretização desse tipo de ensino surge somente em 2006/07, com a criação do Curso Profissional de Termalismo, em parceria precisamente com a Taipas-Turitermas. A cerimónia de formalização do protocolo de cooperação para o desenvolvimento desse curso viria a realizar-se a 15 de dezembro de 2006, nas instalações das Termas.

Desde essa altura, a direção da escola pretendeu estabelecer uma paridade entre este tipo de cursos profissionais e do ensino regular. No entanto, a estatística mostra que isso nunca aconteceu. Em 2010/11 atingiu-se um dos picos de maior crescimento da inscrição de alunos no ensino profissional, no entanto, desde essa altura que se assiste a uma tendência de quebra na frequência deste tipo de ensino.

Consultando o Anuário da mesma escola, podemos verificar que, numa breve comparação entre 2010/11 e o presente ano letivo, se passou de uma percentagem um pouco abaixo dos 40% de alunos no ensino profissional para cerca de 25% no presente ano letivo.

De uma forma geral, o ensino profissional do ensino secundário não é visto como uma mais-valia para a entrada no mundo do trabalho ou para uma candidatura ao ensino superior. O persistente desinvestimento de sucessivos governos em equipamento técnico e tecnológico empurrou as escolas para cursos profissionais de “papel e lápis”, sem grande ligação às necessidades do mundo do trabalho, atraindo um tipo de alunos que simplesmente e obrigatoriamente tinha de estar na escola até aos 18 anos.

A assinatura, por parte da escola secundária, do futuro Centro Tecnológico Especializado (CTE) terá de ser o ponto de viragem desta realidade. Num projeto orçado em 1,7 milhões de euros, a escola secundária poderá oferecer cursos profissionais tendo em conta uma formação especializada e atual que colocará os alunos com as devidas competências para entrar no mundo trabalho ou ser uma mais-valia numa entrada num curso superior.

Como refere o diretor da secundária: “O programa do ensino profissional para 2023/24 contempla uma “oferta de transição”, que olha para a indústria sem “esquecer o território em termos de serviços”, com a expetativa de “levar os alunos à prática e ao contexto real”.

Assim seja.