09 maio 2026 \ Caldas das Taipas
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Dar sentido aos dias

Sérgio Silva
Opinião \ sábado, maio 09, 2026
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O PS nas Taipas tem apostado em políticas de proximidade e numa visão que entende o envelhecimento como uma fase da vida que deve ser vivida de forma participativa, intergeracional e com qualidade.

Há projetos que revelam, de forma clara, a visão sobre como queremos viver em comunidade. O Espaço de Convívio Sénior (ECS) da nossa vila é um desses projetos e é, justamente, um projeto que nos deve orgulhar.

Iniciado em 2018, foi, desde o primeiro momento, um projeto pioneiro. E não o foi apenas pela sua existência. Foi pioneiro pela resposta que procura dar, colmatando uma lacuna nos serviços disponíveis para a população sénior. As respostas sociais dadas pelas Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) e pelas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), nomeadamente no que diz respeito aos Centros de Dia, são fundamentais, mas muitas vezes orientada para pessoas com quadros de saúde com alguma limitação.

Este projeto veio fazer a diferença, dando uma resposta social a uma franja da população que continua ativa e autónoma, mas que precisa, ainda assim, de estímulo e de propósito. A perda de ocupações diárias, normalmente com a aposentação, pode trazer perda de rotina, de objetivos e, algumas vezes, falta de propósito. Com o ECS, constrói-se diariamente o contrário – criam-se razões para se sair de casa, estabelecem-se rotinas e, acima de tudo, ressignifica-se a vida de muitas pessoas.

Esta aposta tem também um impacto considerável na dimensão da saúde mental. Em muitos casos, o envelhecimento é sinónimo de isolamento, muitas vezes agravado pela perda de companheiros de vida. Neste espaço, desenvolvem-se novos sentimentos de pertença, que têm um impacto tremendo e que resultam em melhorias significativas em quadros depressivos. Paralelamente, desenvolve-se um trabalho consistente ao nível do estímulo cognitivo e físico que contribui para a prevenção ou atraso de casos demenciais, através de atividades que exijam a conciliação do movimento com todos os processos mentais que lhe são inerentes, como é o caso da dança.

Mas se há algo que distingue verdadeiramente projeto o facto de ser um espaço onde se criam ligações e relações, que chegam mesmo a ultrapassar os horários e os espaços do ECS. Isto é extremamente importante, porque acrescenta algo à vida das pessoas no seu todo, especialmente a pessoas que podiam já não estar disponíveis para abraçar novas oportunidades.

Desde 2018, o crescimento tem sido evidente. São cada vez mais os utentes. E temos também mais atividades, que vão desde a ginástica à dança, da ioga ao zumba, da música aos ateliers, entre tantas outras que constituem uma panóplia diversificada, numa oferta que é verdadeiramente diferenciadora, e que está sempre a evoluir. Vamos começar este mês com o Walking Football, por exemplo, cumprindo uma promessa feita na campanha eleitoral.

O ECS é também o reflexo de uma opção política clara. Desde 2017, o Partido Socialista em Caldas das Taipas tem vindo a apostar em políticas de proximidade e numa visão que entende o envelhecimento como uma fase da vida que deve ser vivida de forma participativa, intergeracional e com qualidade. Uma aposta que continuará a marcar a ação da Junta de Freguesia neste mandato e que, estou certo, continuará a ser prioridade para o Município de Guimarães.

Em primeira e última instância, o ECS é isto mesmo: um espaço garante que ninguém fica para trás e onde, todos os dias, se constrói comunidade.

 

ndr: texto publicado originalmente na edição de abril de 2026 do jornal Reflexo