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Canoagem: a excelência portuguesa

Lionel Ferreira
Opinião \ segunda-feira, setembro 21, 2026
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Mais do que aprender a remar, a existência de um clube náutico permite criar uma relação diferente com o rio e com a natureza.

FLQuando chegam os dias mais longos e o calor começa a apertar, cresce também a vontade de estar perto da água. Rios, lagos e albufeiras tornam-se espaços privilegiados para o contacto com a natureza e para a prática de atividades aquáticas. Entre elas, a canoagem destaca-se pela capacidade de juntar desporto, aventura, natureza e liberdade. Esta modalidade tem vindo a conquistar um espaço cada vez maior, beneficiando das excelentes condições naturais do país.

A recuperação e valorização dos nossos rios também têm contribuído para esta aproximação. Durante muitos anos, vários cursos de água estiveram afastados das populações, mas a melhoria da qualidade ambiental e uma maior consciência sobre a importância de preservar a natureza permitiram recuperar esta ligação. Nas Taipas, o rio Ave é um exemplo dessa transformação. A recuperação de espaços como a praia seca devolveu vida às margens do rio e permitiu que a população voltasse a olhar para o Ave como um espaço de lazer, convívio e prática desportiva. Foi neste contexto que surgiu o Clube Náutico das Taipas, trazendo a canoagem para a comunidade e criando novas oportunidades, sobretudo para os mais jovens.

Mais do que aprender a remar, a existência de um clube náutico permite criar uma relação diferente com o rio e com a natureza. Pode incentivar hábitos de vida mais ativos, promover valores como a disciplina e o respeito e, quem sabe, descobrir futuros atletas.

A história da canoagem organizada em Portugal é relativamente recente. Um dos momentos importantes aconteceu em 1975, com a fundação do Clube Náutico de Crestuma, em Vila Nova de Gaia, junto ao rio Douro. Mais tarde, em 1989, foi criada a Federação Portuguesa de Canoagem, dando uma estrutura mais sólida ao desenvolvimento da modalidade. Desde então, Portugal passou de uma presença discreta para um país com atletas regularmente presentes nas grandes competições internacionais.

Um dos nomes importantes desta evolução é Emanuel Silva. Natural de Braga e ligado ao Clube Náutico de Prado, destacou-se desde jovem e chegou ao mais alto nível internacional. O momento mais marcante da sua carreira aconteceu nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, onde conquistou a medalha de prata em K2 1000 metros, juntamente com Fernando Pimenta. Essa conquista mostrou que Portugal podia competir com as grandes potências mundiais da modalidade e ajudou a inspirar uma nova geração de canoístas.

Entre essa geração está, naturalmente, Fernando Pimenta. Natural de Ponte de Lima, tornou-se um dos atletas portugueses mais medalhados de sempre e uma referência mundial da canoagem. A sua carreira representa muito mais do que um conjunto de medalhas. Pimenta é um exemplo de consistência, disciplina e capacidade de trabalho.

Mas a história da canoagem portuguesa não se faz apenas de atletas. Portugal tem também uma empresa que se tornou uma referência mundial na construção de canoas e caiaques de competição: a Nelo.

Fundada em 1978, por Manuel Ramos, antigo canoísta, e sediada em Vila do Conde, a Nelo tornou-se uma das principais fabricantes mundiais de embarcações de competição. Os seus barcos são utilizados por alguns dos melhores atletas do mundo e estão presentes nas maiores competições internacionais.

A canoagem é muito mais do que um desporto. É uma forma de valorizar o rio, aproximar as pessoas da natureza e transmitir valores como disciplina, persistência, respeito e trabalho. Portugal já mostrou que tem talento para remar entre os melhores. Agora, cabe também às comunidades locais criar condições para que as próximas grandes histórias possam começar junto de casa.

 

Bons treinos!

 

ndr: texto publicado originalmente na edição de setembro de 2026 do jornal Reflexo.