08 maio 2026 \ Caldas das Taipas
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Caldas das Taipas, a mini Seattle vimaranense

Pedro Conde
Opinião \ sexta-feira, maio 08, 2026
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Caldas das Taipas, terra onde a lua fala, e onde as guitarras elétricas jamais se calarão!

Pois é meus amigos, cá estou eu novamente a escrever mais um artigo sobre música, cultura e afins. Quem me conhece, sabe que sou um acérrimo defensor do que se produz na nossa terra, e sim, a minha opinião é claramente tendenciosa, não tenham dúvidas disso também. Cresci nas Taipas, terra Termal e de Cutelarias, mas também de rock, e sempre senti que vivemos essa música de forma diferente. Uma espécie de mini Seattle vimaranense. Já escrevi sobre a fantástica agenda cultural que temos no verão com vários festivais, festas e programação de nível nacional e internacional. Já escrevi sobre o público que temos residente que enche todos os eventos. Mas somos muito mais que isso. Ora bem, e como diria o meu grande David “Micla” “Não sei se é bem assim!”. Entendo que esta realidade seja difícil de entender e aceitar para muitos, mas para que não existam dúvidas, hoje trago-vos mais provas, provas essas que faço questão que fiquem documentadas para que depois os mais distraídos não tenham oportunidade de dizer “A sério? Que pena não ter sabido antes, podíamos ter feito as coisas de outra forma.”

Na nossa terra pequenina, temos 5 discos rock prestes a sair (os que tem data agendada, porque sei que existem mais trabalhos na forja, certo amigos Growing Circles??).

Ora bem, e sem mais demoras, vou começar pelo novo disco de Theo, e da sua nova banda os The Dons (que por sinal tem um guitarrista de categoria máxima, pesquisem e depois digam-me algo). Este novo disco, que já teve o avanço do primeiro single “Another Door”, prevê uma nova fase de João Gonçalves, uma versão mais suave, mais madura, com temas simples e diretos, mas extremamente profundos. A prova que “less is more”. Nota importante, este disco marcará também o regresso de um power trio vintage taipense que depois de 20 anos volta a tocar juntos, Manuel Castro, Pedro Oliveira, e Pedro Conde (sim, sou eu). Fiquem atentos porque parte deste novo disco será apresentado em formato live session.

Por falar em less is more e vintage, quem está também a preparar um novo disco? Os Smartini. Banda de rock sónico alternativo de culto nacional, que dispensa qualquer tipo de apresentação, com décadas de carreira, já pisou todos os grandes palcos portugueses, e está agora em estúdio a preparar o seu novo álbum. Ainda não tive nenhum preview do que aí vem, mas estou super curioso, e certo que este quarteto taipense nos vai novamente supreender. Recordo-me de ver estes senhores pela primeira vez, na altura como Subcultura, a vencerem o Rock in Taipas, em 1998, por isso, muito contente por ver este regresso senhores Nuno, Patrício, Ricardo e João Paulo, pioneiros deste movimento rock.

Continuando, e provando que filho de peixe sabe nadar, os Noise at Valve, estão prestes a lançar também disco. Alvaro Mendes, frontman e guitarrista/vocalista deste projecto, é filho do Nuno (Vocalista/guitarrista dos Smartini). E claramente conseguimos ver as influências, contudo, este trio (composto por Mário Teixeira no baixo e João Piairo na bateria), conseguiu criar uma identidade própria, seguindo a melhor escola do rock sónico e do grunge. O single de avanço, You could be the one, saiu ainda em 2025, por isso, fiquem atentos porque, brevemente, também teremos novidades.

Continuando no tema dos regressos, temos também novo disco para este ano dos This Penguin Can Fly. Outra banda taipense que dispensa apresentações e que regressou recentemente aos concertos ao vivo depois de um hiato de alguns anos, no CAAA em Guimarães. Este será o terceiro disco da banda que regressa com a formação reforçada, pois, a Zé Gomes, Márcio Ferreira e Miguel Azevedo, junta-se agora nas programações e teclados, Miguel. Já tive oportunidade de ouvir o que aí vem, e o que vos posso dizer? É na minha opinião o melhor disco da banda até ao momento, uma grande evolução, o que prova que esta paragem serviu para amadurecer o conceito.

Seguindo, os Segundo Minuto também têm novidades fresquinhas a sair do forno. Este quinteto liderado por Orlando Cardoso esteve recolhido a trabalhar e a gravar. No preview que lançaram nas redes sociais foram tão mauzinhos que apenas libertaram uma imagem sem nenhum tipo de som, apenas para aguçar a curiosidade. Carlos Pedro, Emanuel Lopes, David Viegas e Nek Rodrigues são todos veteranos nestas andanças, e pelos concertos que nos habituaram, estou certo também que será um grande disco. Aliás em conversa recente com o guitarrista da banda, Carlos Pedro, ele apenas me disse com um sorriso de orelha a orelha “Mestre, prepara-te, está mesmo muito bom!!!”

Para terminar, uma estreia mundial, Nadir, um novo projecto taipense que lançou o seu disco de estreia neste mês de Março, The Vertical Journey. A palavra que me ocorre para descrever este álbum é brilhante… Post rock de nível mundial. Nadir é o tema que tenho ouvido em repeat nos últimos tempos. A banda é composta por Filipe Oliveira e Jorge Cruz (também membros dos Imploding Stars), e sei que têm nas suas fileiras, Nek Rodrigues. Ao que apurei será um projecto que se pretende apresentar com várias formações ao vivo, pretendendo ter sempre músicos convidados, fazendo que os concertos se tornem todos únicos.

E pronto, contra factos não há argumentos, fica o registo para os senhores que mandam estarem atentos a esta dinâmica tão fora do comum. Caldas das Taipas, terra onde a lua fala, e onde as guitarras elétricas jamais se calarão!!

P.S.- Julgo que está na altura de prepararmos o volume 2 da Coletânea de música rock Taipas 00, por isso amigos, fica o desafio, e mãos à Obra!!!

 

ndr: texto publicado originalmente na edição de abril de 2026 do jornal Reflexo.