04 março 2026 \ Caldas das Taipas
pesquisa

As lições das Presidenciais

Sérgio Silva
Opinião \ quinta-feira, fevereiro 05, 2026
© Direitos reservados
E por isso espero que possamos retirar uma quinta lição – a de que, ultrapassadas as diferenças, nos conseguimos mobilizar em torno de quem defende o nosso chão comum.

Nesta edição de fevereiro, tomo a liberdade de fugir à esfera de temas da política e da comunidade local, para abordar as lições que, na minha perspetiva, de podem retirar das Eleições Presidenciais do passado dezoito de janeiro e que nos levarão novamente às urnas no próximo domingo, oito de fevereiro.

A primeira lição que retiro é a de que nunca há vitórias a priori. Os últimos tempos têm-nos mostrado isso e os resultados da 1ª volta reforçam ainda mais esta ideia (“até ao lavar dos cestos é vindima”, diz-nos a sabedoria popular). No início, as primeiras projeções auguravam claras perspetivas de vitória para Luís Marques Mendes ou para Henrique Gouveia e Melo – um, pelo percurso muito similar ao de Marcelo Rebelo de Sousa sobretudo ao nível do comentariado e outro, pela reputação conseguida depois da campanha de vacinação e por ser externo à política partidária. Por um ou outro motivo, ambos ficaram longe da vitória.

A segunda lição é a de que precisamos de uma nova forma de fazer política. Os portugueses estão cansados da política que se faz com base em ataques pessoais e ruído excessivo, práticas que têm aliás afastado muitas pessoas e particularmente os jovens da vida cívica e política ativa. Precisamos de pessoas que estejam na política pela positiva, focadas nas soluções, sem prejuízo do debate sobre aquilo que nos separa. Creio que também foi isso que projetou António José Seguro para a vitória na primeira volta.

A terceira lição é a de que a polarização excessiva é um sintoma dos tempos em que vivemos. Estas eleições ficam com a marca de terem tido o maior número de candidatos da história da nossa democracia, não estando eu certo sobre isso contribuiu verdadeiramente para a vitalidade democrática e para a dignificação do mais alto cargo da nação. Pelo contrário: creio que para muitos não houve uma relação de verdadeira convicção com algum candidato. Como alguém escreveu, talvez para alguns o dia antes das eleições tenha sido um efetivo dia de reflexão.

A quarta lição é a de que a atual conjuntura política exige perfis moderados, responsáveis e respeitadores das instituições. Identifiquemo-nos mais ou menos com a personalidade política de António José Seguro, temos de ser justos em reconhecer-lhe a sua moderação e o seu sentido de elevação institucional, características que creio terem sido fundamentais para a sua vitória.

O segundo sufrágio de 2026 é muito diferente da de 1986. Neste, são os valores comuns que partilhamos que estão em jogo. Não é sobre direita ou esquerda – é sobre uma escolha entre um Presidente que garante estabilidade e que protege a nossa democracia; e um Presidente que confunde os poderes presidenciais, cria conflitos institucionais e atenta contra o regime e a Constituição. Não pode haver dúvidas nisto. E por isso espero que possamos retirar uma quinta lição – a de que, ultrapassadas as diferenças, nos conseguimos mobilizar em torno de quem defende o nosso chão comum e aquilo que tantos lutaram para conquistar. Por um Futuro Seguro e por Portugal.

 

ndr: texto publicado originalmente na edição de fevereiro do jornal Reflexo