01 agosto 2026 \ Caldas das Taipas
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Vista a incompetência

Manuel Ribeiro
Opinião \ sábado, agosto 01, 2026
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O PS que governou Guimarães desde o tempo em que há memória foi um misto de incapacidade e de autismo com laivos de masoquismo.

É inevitável. A sociedade, os negócios, as localidades são um encontro permanente com a história. Não há acontecimentos, não há fenómenos, na definição de factos enquanto conhecidos, que possam ser explicados e, acima de tudo, compreendidos, sem que se atenda às causas próximas e remotas da sua existência.

E como esta crónica é para falar das Taipas, dos seus problemas, do seu potencial, do seu presente e do seu passado, este enquanto factor condicionante do presente e do futuro, não se poderá deixar de fazer referência ao passado recente que determina, de forma imperativa, o destino da nossa terra.

E o passado recente é quase, de forma unânime, referido por todos como um erro de concepção. As Taipas não mereciam que se gastasse tanto dinheiro, na chamada requalificação do centro da vila, mais de € 6.000,000,00 (seis milhões), para um resultado tão deprimente, um resultado tão cinzento.

Apesar das tentativas de amenizar a cor da pedra preta dos açores e do betão bruto que sustenta desníveis e barreiras desactualizadas no gosto e na mobilidade, ainda não se conseguiu recuperar o charme do verde característico de uma terra termal através de vasos gigantes que constituem um excelente depósito de “priscas” de fumadores insensíveis.

Um erro crasso de concepção que se alargou à Alameda Rosas Guimarães.

Caldas das Taipas, uma vila termal, com parques de lazer junto ao Rio Ave, deveria ser dotada de acesso de autocarros ao parque de lazer e ao parque de campismo. Não se pode; não se consegue a inversão de marcha, nem tem saída.

Quem concebeu isto, já se disse, não tem, nem teve a mínima noção do que estava a fazer.

Também, e por causa disso, temos menor afluência às piscinas e ao Parque de Campismo, dois baluartes de sempre do turismo das Taipas.

É um prego no caixão o que os “inteligentes” e a “inteligência” do PS ao turismo das Taipas e ao seu potencial.

E há mais. A Taipas Termal perde clientes porque os estacionamentos que havia junto do estabelecimento foram cortados pela “construção” de um parque defronte do edifício Termal; parque construído em terreno cedido ao domínio público para estacionamento de um prédio contiguo lá construído.

O que foi condição necessária, passou a condição dispensável.

Já não basta a falta de estacionamento no centro da vila e o seu progressivo abandono, também a empresa com capital esmagadoramente público foi afectada para pior – diga-se - porque o seu dono, a Câmara Municipal de Guimarães, à data gerida por gente “visionária” do PS, eliminou estacionamentos de acesso, entre outras, a uma clinica médica e clinica de fisioterapia.

Não foram eliminados estacionamentos de acesso a qualquer outro destino. Não. Foram eliminados acessos a quem se tem de tratar de problemas de locomoção.

Foi uma Câmara que foi dirigida contra os interesses dos taipenses e da própria empresa municipal, isto é, contra si própria e sem ter consciência disso, o que é mais grave.

O PS que governou Guimarães desde o tempo em que há memória foi um misto de incapacidade e de autismo com laivos de masoquismo.

Este masoquismo económico, social e político, disfarçado muitas vezes por obra nova e respectivas pinturas, é o resultado de falta de visão, de falta de projecção das consequências, de falta de sentido de futuro.

E agora? Perguntam eles com “olhos doces”.! É rectificar o que foi mal feito como as soluções irracionais, sem sentido e sem utilidade, e sem interesse público evidente.

É mais difícil retificar do que fazer de novo. Retificar, não deixa de ser uma emenda, não deixa de ser o encobrimento da incompetência que os outros, de outro partido, fizeram.

É um defeito da política. Quem se encontra no poder pode estar a encobrir a incompetência alheia, mesmo não querendo fazê-lo.

 

ndr: Conteúdo originalmente publicado na edição de julho de 2026 do jornal Reflexo.