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Utilizador pagador ou gratuitidade senhor presidente?

Nuno Vaz Monteiro
Opinião \ sexta-feira, agosto 21, 2026
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Os utilizadores da Via do Infante, da A23, da A24 e de alguns troços da A2 e da A28 já beneficiam de regimes de isenção ou redução de portagens. Porque não Guimarães?

Aquando do cumprimento do direito de oposição, em novembro passado, levámos à reunião de Câmara algumas das medidas do programa eleitoral com que nos apresentámos às autárquicas de 2025: o regresso da Noite Branca, o Vai-e-Vem, com autocarros elétricos a ligar os principais pontos da cidade ao parque de estacionamento gratuito no Multiusos, o regresso do Mercado Municipal à sua localização original e a pressão junto do Governo para tornar gratuitas as ligações de Guimarães à A7/A11 quando a entrada e saída fossem de Guimarães para Guimarães.

É precisamente sobre esta última proposta que importa voltar a falar.

Na altura, o presidente da Câmara, Ricardo Araújo, afirmou não ver a medida com bons olhos por defender o princípio do "utilizador pagador". Respeitamos a posição, mas há aqui uma contradição difícil de ignorar: o mesmo executivo anuncia a gratuitidade dos transportes públicos em Guimarães, algo que não nos opomos, mas é uma medida que terá necessariamente um custo suportado por todos os vimaranenses. Já a isenção das portagens entre ligações de Guimarães à autoestrada teria um custo suportado, quando muito, pelo geral dos portugueses.

E não seria uma ideia inédita. Os utilizadores da Via do Infante, da A23, da A24 e de alguns troços da A2 e da A28 já beneficiam de regimes de isenção ou redução de portagens. Porque não Guimarães?

Propusemos ainda que as ligações entre Guimarães e Braga fossem gratuitas, em ambos os sentidos. Seria um verdadeiro projeto-piloto para, no futuro, ligar por autoestrada todo o quadrilátero — Guimarães, Braga, Famalicão e Barcelos — utilizando infraestruturas que já existem e que, convenhamos, estão mais do que pagas.

O benefício seria enorme: reduzir o custo para quem se desloca diariamente entre estas cidades, aproximar os quatro concelhos e retirar milhares de automóveis das estradas nacionais, hoje frequentemente congestionadas.

Recordo também a discussão sobre a ligação ferroviária Guimarães-Braga. Foi apontado um custo de mil milhões de euros para a ligação do quadrilátero por parte do vereador Ricardo Costa, quando na verdade esse era o valor referido pelo secretário de Estado para a ligação Guimarães-Braga. Ora, se por muito menos podemos melhorar significativamente a mobilidade regional recorrendo às auto-estradas já construídas, porque não discutir seriamente essa alternativa?

Há ainda uma oportunidade que não devemos ignorar: a aproximação do fim da concessão da PPP, prevista para 2033. A construção da ligação Guimarães-Braga pela A11 terá custado cerca de 66 milhões de euros. Não poderá o Estado renegociar a concessão por mais 10 ou 15 anos, tendo como contrapartida a construção da saída Norte de Guimarães e a gratuitidade destas ligações?

Claro que não basta querer. É preciso negociar, estudar e convencer.

Mas uma coisa é certa: se não propusermos, se não pressionarmos e se não tentarmos, nada acontecerá.

Guimarães não pode continuar a olhar para a mobilidade como um problema inevitável. O quadrilátero está ali. As estradas estão construídas. Falta apenas vontade política para as transformar numa verdadeira rede de mobilidade regional."