A mobilidade em Guimarães precisa de mudanças de fundo
A mobilidade em Guimarães deixou de ser apenas um incómodo quotidiano para se tornar num verdadeiro entrave ao desenvolvimento do concelho. O tempo perdido no trânsito, a pressão sobre o centro urbano e a fraca articulação entre freguesias exigem mais do que soluções avulsas: exigem visão estratégica.
O Chega, aquando do exercício do direito de oposição em 2024, apresentou a proposta de criação de uma Via Circular Externa, algo que surge como uma resposta estruturante. Ao desviar o tráfego do centro urbano, esta infraestrutura permitirá devolver a cidade às pessoas, ao comércio e à vivência urbana, ao mesmo tempo que melhora a fluidez rodoviária.
Mas esta não é apenas uma obra de engenharia, é um projeto de coesão territorial. O traçado previsto liga progressivamente várias freguesias do concelho, começando por um primeiro eixo entre Serzedelo, Gondar, Selho São Jorge (Pevidém), Brito, Sande Vila Nova, Sande São Clemente e Caldelas. Numa segunda fase, a circular estende-se a Tabuadelo, São Faustino e Caldas de Vizela, reforçando a ligação intermunicipal. A terceira etapa avança para o interior, abrangendo São Torcato, Atães, Rendufe, Mesão Frio, Infantas, Abação e Gémeos, promovendo maior equilíbrio territorial. Por fim, a última fase assegura o fecho do anel, integrando Taipas, Barco, Souto Santa Maria e novamente São Torcato, consolidando uma rede contínua em torno de toda a área urbana.
Este projeto foi pensado com um horizonte de 15 anos, dividido em quatro fases: uma primeira entre os anos 1 e 5, focada nas ligações mais urgentes; uma segunda entre os anos 6 e 8, expandindo a rede para Vizela; uma terceira entre os anos 9 e 12, aproximando as zonas interiores; e uma quarta entre os anos 13 e 15, que conclui e integra toda a circular. Esta abordagem faseada permite resultados progressivos, minimizando impactos e garantindo sustentabilidade financeira.
Ainda assim, há um ponto crítico que não pode ser ignorado: a necessidade de criar uma saída Norte da A11 na zona de Brito. Esta ligação é fundamental para dar verdadeira eficácia à circular, assegurando acessos rápidos ao concelho e potenciando a atividade industrial e logística da região. Sem esta peça, o sistema ficará inevitavelmente incompleto.
Guimarães tem aqui uma oportunidade de deixar de andar atrás dos problemas e começar a antecipar soluções. A CEG (circular externa de Guimarães), com um planeamento claro, pontos de passagem definidos e prazos realistas, pode transformar a mobilidade, reforçar a coesão territorial e preparar o concelho para o futuro.
A mobilidade em Guimarães precisa de mudanças de fundo.