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Se parece fascista, tem propostas de fascista e faz a saudação fascista...

Pedro Mendes
Opinião \ quinta-feira, setembro 29, 2022
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Importa fazermos uma reflexão profunda sobre o caminho político que parte da europa está a tomar.

“Um dirigente dos Irmãos de Itália, partido da extrema-direita favorito à vitória nas legislativas italianas de domingo, causou quarta-feira ira após a divulgação de um vídeo em que está a fazer a saudação "romana", semelhante a um ritual fascista.”

Este é um trecho de uma notícia da Rádio TSF do passado dia 22 de Setembro, na qual se pode ler que uma figura importante dos Fratelli d’Itália, partido que lidera a coligação que venceu as eleições do passado domingo naquele país, foi filmado a fazer a saudação fascista numa acção de campanha daquele partido. Numa altura em que a Marcha sobre Roma está prestes a fazer 100 anos (28 de Outubro de 1922), importa fazermos uma reflexão profunda sobre o caminho político que parte da europa está a tomar. Quanto mais cedo nos mentalizarmos de que a extrema-direita está a ganhar terreno e até já ganha eleições, mais cedo podemos fazer um diagnóstico do caminho que levou a Europa até aqui, e mais cedo vamos poder definir estratégias para o combater. Neste artigo, caro leitor, vamos apenas aprender a, como se diz na nossa terra, chamar os bois pelos nomes.

Aos 15 anos, Giorgia Meloni, a líder dos Fratelli d’Itália já militava no Movimento Social Italiano, grupo criado no final da II Guerra Mundial por seguidores de Mussolini e que está na origem deste mesmo Fratelli d’Itália. Aos 19 dizia que “Mussolini foi um bom político” e que “o que fez, fez pela Itália”. Claro que hoje Meloni renega estes comentários, afirmando que se moderou.

Mas será que se moderou?

Não muito. Em Junho passado, num discurso em Espanha, Meloni apelava a uma espécie de guerra de civilizações, dizendo que devíamos dizer “sim à universalidade da cruz, e não à violência islâmica”, “sim ao controlo das fronteiras, não à imigração em massa”, “sim à nossa civilização, não aos que querem destruí-la” tendo ainda também tido tempo para dividir as pessoas entre os que estavam com a “família natural”, e os que estavam com o “lobby LGBT”.

Meloni e a sua coligação querem ainda acabar com o parlamentarismo em Itália e instaurar um regime Presidencialista com poderes reforçados, modelo que tem sido defendido por praticamente todos os partidos de extrema-direita europeus, numa espécie de busca por homens providenciais, marca d’água dos regimes fascistas do Sec. XX.

Na sua coligação está a Liga Norte, liderada por Matteo Salvini, amigo de Putin e sobre quem recaem fortíssimas suspeitas de ter sido financiado pelo Kremlin. Mas a amizade com Putin não é o pior dos pecados de Salvini. Recordo que Salvini foi o Ministro da Administração Interna Italiano que ordenou a expulsão de imigrantes, nomeadamente o vergonhoso caso de Riace, onde inclusive foi dada ordem de prisão ao Presidente da Câmara Local por alegado uso indevido de dinheiros públicos na ajuda a imigrantes.

Podíamos, caro leitor, discorrer mais algumas páginas sobre aquilo que são o passado e as ideias de Meloni e da sua coligação, mas o espaço é curto e julgo que a ideia ficou clara. Contrariamente ao que fui vendo em alguns dos nossos orgãos de comunicação social, não foi uma coligação de Centro-Direita que ganhou as eleições em Itália. Foi uma coligação de Extrema-Direita com elementos claramente fascistas.

Termino, caro leitor, como comecei.
Se parece fascista, tem propostas de fascista e faz a saudação fascista, se calhar é fascista.