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Olhar para o essencial

Manuel Ribeiro
Opinião \ segunda-feira, junho 08, 2026
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A colagem ainda mais à esquerda do PS, com a apelidada geringonça, pôs o conceito de família de rastos.

Estamos sempre a tentar encontrar quais os elementos diferenciadores de tudo, e tentar encontrar aquele que mais interessa segundo um conjunto de ideias que queremos validar em sintonia com os pontos de vista que queremos almejar sejam, económicos, financeiros, sejam de valores, de princípios, sejam de operatividade pratica, quer se refiram ao passado, presente ou futuro.

Nisto de futuro, que ninguém sabe bem o que é pois a velocidade com a civilização progride em termos técnicos não deixa ninguém descansado na antevisão do devir, tentamos encontrar a fórmula exata que nos garante melhor qualidade de vida para todos e tal não acontece sem melhores salários e principalmente uma melhor relação entre o salário liquido e as despesas liquidas para a sobrevivência e o que daí pode sobrar para aforro para acautelar o futuro.

Também para mim é pacifico que os países só se tornam relevantes no mundo se tiverem muita gente que significa escala, massa critica e, logo, importância.

Um dos juízos certos que devemos ter, lá está, outro elemento diferenciador que nos permite ter a certeza do caminho certo que queremos seguir, é que a segurança social, qualquer que seja o pronto de vista, não vai assegurar uma pensão digna desse nome para os futuros pensionistas.

E a razão principal é que não gerámos gente, contribuintes substitutos para assegurarmos a sustentabilidade da segurança social tal e qual ela se apresenta neste momento.

Nos últimos anos, têm sido os imigrantes, os que vêm de fora para Portugal, que têm gerado excedente líquido à segurança social. Mas não é esse o modelo que se se deseja.

Não geramos gente. A taxa de natalidade é uma vergonha para a espécie humana. Em termos europeus, somos o segundo país europeu mais envelhecido, atrás da Itália, e o que envelheceu mais rapidamente.

Com a reserva da evidência de que é um fenómeno com escala mundial, a diminuição de nascimentos em Portugal tem a ver com a crise da instituição família.

A esquerda, incluído o PS, numa reacção desrazoável contra as reminiscências de 48 anos de fascismo em Portugal, hostilizaram o conceito de família tradicional, nunca a defendendo nas múltiplas intervenções legislativas que fizeram e tiveram oportunidade de fazer. A colagem ainda mais à esquerda do PS, com a apelidada geringonça, pôs o conceito de família de rastos, o conceito de família ligado à renovação e multiplicação de gerações.

Necessitamos de mais nascimentos. Temos que proteger quem quer ter filhos; proteger as famílias numerosas, que os filhos não sejam um encargo liquido e de empobrecimento para as famílias e que o incentivo aos nascimentos seja uma política de estado forte e estruturada.

As deduções no IRS não chegam; a condição de recursos para apoios sociais é demasiado exígua. Há falta de creches, há falta de infantários.

Ciente de que este problema é crítico para o concelho e para Portugal, a Câmara Municipal de Guimarães, sob a liderança de Ricardo Araújo, já celebrou e pôs em execução um conjunto de apoios para o alargamento do número de lugares em creches e berçários.

Muitos dizem que esta não é uma competência e responsabilidade principal da autarquia e que essa atribuição é do estado central. Aqui tem de entrar, e bem, o princípio da subsidiariedade: onde o estado central não chega e se identificar um interesse público premente, deverá entrar a autarquia, em tempos de urgência, como é o caso, para debelar um problema que afecta a decisão dos portugueses em gerar filhos ou não.

Não podemos chegar ao final deste século e sermos pouco mais de 7 milhões. É muito pouco para honrarmos a influência e história que tivemos no mundo, perpetuar a nossa diáspora e a nossa língua.

A grandeza histórica de Portugal merece que olhemos para nós e queiramos ser mais, nos municípios do litoral, do interior e de todo Portugal.

Escrevo no dia da mãe. As nossas mães e mães dos portugueses seriam honradas com a multiplicação de seres humanos para a qual contribuíram.

Portugal e Guimarães precisam de muitas mães e o município assume, no seu papel, essa responsabilidade.

 

ndr: conteúdo publicado originalmente na edição de maio de 2026 do jornal Reflexo.