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O que precisa as Taipas

Manuel Ribeiro
Opinião \ terça-feira, fevereiro 24, 2026
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A vila de Caldas das Taipas, centralidade reconhecida a nível do norte do concelho, para se impor como um centro urbano de qualidade, tem de crescer em população.

O Inverno demográfico é uma angústia comungada pelo mundo moderno em que, nesses aspecto, pontificam a Europa, Rússia, China e Estados Unidos da América.

A expressão quer significar um número de nascimentos muito inferior, e com tendência de agravamento, em relação às mortes o que se traduz numa diminuição da população.

Os continentes, os estados, as regiões, as localidades relevam na proporção directa do número de pessoas que a compõem.

Por isso, as migrações dos que chegam (imigrantes) não devem ser recusadas só por que sim, porque são de fora e porque são estranhos. Devem ser acolhidos, integrados, socializados e “lusitanizados”, sem nunca abandonarem a cultura de origem. Foi assim que os portugueses fizeram nos quatro cantos do mundo onde se instalaram: são parte integrante das comunidades de acolhimento, contribuem para a sua riqueza e são uma reserva cultural das regiões de origem e de Portugal

Desde há muito que, principalmente, os concelhos e as comunidades intermunicipais competem entre si: pelo investimento, pelo emprego, pela atração de turismo e riqueza, pela fixação das pessoas e principalmente dos jovens.

Esta competição latente e que vem ao de cima em todas as eleições autárquicas é o reflexo da necessidade dos concelhos crescerem e atraírem pessoas e riqueza: e nas autarquias, fruto dos impostos municipais – IMT, IMI, derrama, e parte do IUC – melhores rendimentos das pessoas e empresas, trazem mais impostos e taxas municipais. Esta realidade dota o município de mais meios para prover o seu território de melhores condições de vida. Existe, portanto, uma relação de arrastamento entre o crescimento populacional e económico e os meios arrecadados pelo município.

A vila de Caldas das Taipas, centralidade reconhecida a nível do norte do concelho, para se impor como um centro urbano de qualidade, tem de crescer em população. Para crescer em população, tem de ter habitações. As habitações só podem surgir em locais que o Plano Director Municipal (PDM) o permita.

É no PDM que encontramos a chave certa para o crescimento ou “paragem no tempo” das localidades.

Nos últimos 7 anos, assistimos a uma procura de habitação que as localidades não têm podido responder.

Exemplo disso, é o extraordinário preço das rendas e em conjugação com isso, o extraordinário preço das habitações.

A Vila de Caldas das Taipas tem sofrido dessa procura excepcional e não tem respondido de forma cabal, levando a que muitos pretendentes de habitação encontrem casa noutro lado.

Não há crescimento da Vila das Taipas sem pessoas. O crescimento dito orgânico, é para as empresas, não para as pessoas.

O PDM herdado pelo actual executivo camarário que em boa hora revogou, aumentava residualmente os terrenos para a construção de habitação no concelho – quase 10%.

Nesse documento, a Vila de Caldas das Taipas era desconsiderada, pois o aumento de terrenos para a construção de habitação nem a 0,5% chegava, valor consideravelmente inferior à média do concelho.

Uma medida estratégica desse tipo só tem um significado: quem estudou, planeou e aprovou esse plano não queria que a Vila das Taipas crescesse, cortando-lhe o principal meio de crescimento num momento de conjuntura amplamente favorável a esse incremento, aliás, reclamado pela comunidade.

Relembro que aquele PDM foi aprovado pela Câmara PS, sendo a Junta de Freguesia PS.

É caso para dizer: com amigos destes…valham-nos os inimigos!

 

ndr: texto publicado originalmente na edição de fevereiro do jornal Reflexo