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Humildade e sacrifício

Manuel Ribeiro
Opinião \ segunda-feira, dezembro 15, 2025
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Para que as pessoas e os respectivos cargos possam posicionar-se nos seus lugares é necessário perceber que existe um corpo de bombeiros detido por uma associação humanitária.

Nas democracias de tipo ocidental em que os cidadãos são eleitos para cargos de poder por escrutínio universal, secreto e livre, e não reconheço outras a que chamem democracia sem que o escrutínio seja secreto e livre e processo eleitoral com garantias de segurança, as eleições têm uma periodicidade para que as administrações e as fiscalizações possam ser renovadas ou mudadas.

É o eterno devir.

Aproximam-se as eleições para a Associação Humanitária de Caldas das Taipas apresentando-se a sufrágio duas listas. Estou a trazer o tema das eleições nos Bombeiros porque se trata, de longe, a organização civil (privada) maior e mais importante das Taipas.

A existência de duas listas é por si um bem a registar, pois permite confronto de ideias e aprendizagem reciproca nas propostas e nas soluções. Os contributos, sejam a que propósito forem, são sempre oportunidades de aprendizagem.

De quando em vez, é voz comum que a A.H.B.V. de Caldas das Taipas tem problemas, aliás, ancestrais que ainda ninguém conseguiu encontrar o antídoto eficaz para os debelar.

É a eterna relação do Corpo de Bombeiros e os órgãos sociais da associação, mormente com a Direcção enquanto órgão de administração da Associação.

Ainda, de forma definitiva, não foi encontrado o lugar certo para cada um dos poderes: o do Corpo de Bombeiros e o dos órgãos sociais da Associação.

Esta certeza, que abunda por esse país fora, é preocupante porque desestabiliza a Associação Humanitária e fragiliza-a na sua acção.

Para que as pessoas e os respectivos cargos possam posicionar-se nos seus lugares é necessário perceber que existe um corpo de bombeiros detido por uma associação humanitária.

É nesta entidade, associação humanitária, que reside a responsabilidade para manter, crescer, desenvolver o corpo de bombeiros. E não poderia ser de outra forma, pois só ela tem órgãos para exercer o poder - a administração da associação - e que o exercício desse poder possa ser fiscalizado e auditado por outros órgãos: Conselho Fiscal e Assembleia Geral.

O corpo de bombeiros enquanto detido pela Associação terá de se submeter às instruções, à subordinação dos órgãos da associação, desde que essas instruções não invadam a tecnicidade da parte operacional que diz respeito à exclusividade da acção do corpo de bombeiros para o exercício das missões que a lei lhe reserva.

A fronteira entre o que é a acção exclusiva do corpo de bombeiros e da Associação pode ser, em muitos aspectos, muito ténue.

É aqui que entra o mérito, a sageza, das pessoas que encarnam o Comando e a Administração da associação.

Terá de haver comunhão de objectivos, integração, espírito de missão, e conformação da acção por forma a que nunca se ponha em causa os objectivos da associação.

E esse posicionamento deverá ser uma disposição e obrigação do corpo activo, sem conceder qualquer tipo de veleidade.

Para o efeito, sempre se pedirá humildade, sempre se deverá colocar os interesses da associação à frente de individualismos perversos, sempre deverá existir espírito de missão, nunca perdendo a noção de que a decisão, a última palavra, pertence à Associação.

 

ndr: texto publicado originalmente na edição de dezembro do jornal Reflexo