Humildade e sacrifício
Nas democracias de tipo ocidental em que os cidadãos são eleitos para cargos de poder por escrutínio universal, secreto e livre, e não reconheço outras a que chamem democracia sem que o escrutínio seja secreto e livre e processo eleitoral com garantias de segurança, as eleições têm uma periodicidade para que as administrações e as fiscalizações possam ser renovadas ou mudadas.
É o eterno devir.
Aproximam-se as eleições para a Associação Humanitária de Caldas das Taipas apresentando-se a sufrágio duas listas. Estou a trazer o tema das eleições nos Bombeiros porque se trata, de longe, a organização civil (privada) maior e mais importante das Taipas.
A existência de duas listas é por si um bem a registar, pois permite confronto de ideias e aprendizagem reciproca nas propostas e nas soluções. Os contributos, sejam a que propósito forem, são sempre oportunidades de aprendizagem.
De quando em vez, é voz comum que a A.H.B.V. de Caldas das Taipas tem problemas, aliás, ancestrais que ainda ninguém conseguiu encontrar o antídoto eficaz para os debelar.
É a eterna relação do Corpo de Bombeiros e os órgãos sociais da associação, mormente com a Direcção enquanto órgão de administração da Associação.
Ainda, de forma definitiva, não foi encontrado o lugar certo para cada um dos poderes: o do Corpo de Bombeiros e o dos órgãos sociais da Associação.
Esta certeza, que abunda por esse país fora, é preocupante porque desestabiliza a Associação Humanitária e fragiliza-a na sua acção.
Para que as pessoas e os respectivos cargos possam posicionar-se nos seus lugares é necessário perceber que existe um corpo de bombeiros detido por uma associação humanitária.
É nesta entidade, associação humanitária, que reside a responsabilidade para manter, crescer, desenvolver o corpo de bombeiros. E não poderia ser de outra forma, pois só ela tem órgãos para exercer o poder - a administração da associação - e que o exercício desse poder possa ser fiscalizado e auditado por outros órgãos: Conselho Fiscal e Assembleia Geral.
O corpo de bombeiros enquanto detido pela Associação terá de se submeter às instruções, à subordinação dos órgãos da associação, desde que essas instruções não invadam a tecnicidade da parte operacional que diz respeito à exclusividade da acção do corpo de bombeiros para o exercício das missões que a lei lhe reserva.
A fronteira entre o que é a acção exclusiva do corpo de bombeiros e da Associação pode ser, em muitos aspectos, muito ténue.
É aqui que entra o mérito, a sageza, das pessoas que encarnam o Comando e a Administração da associação.
Terá de haver comunhão de objectivos, integração, espírito de missão, e conformação da acção por forma a que nunca se ponha em causa os objectivos da associação.
E esse posicionamento deverá ser uma disposição e obrigação do corpo activo, sem conceder qualquer tipo de veleidade.
Para o efeito, sempre se pedirá humildade, sempre se deverá colocar os interesses da associação à frente de individualismos perversos, sempre deverá existir espírito de missão, nunca perdendo a noção de que a decisão, a última palavra, pertence à Associação.
ndr: texto publicado originalmente na edição de dezembro do jornal Reflexo