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Guimarães: crescer, criar valor e viver melhor

Tiago Rodrigues
Opinião \ sábado, outubro 17, 2026
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O objetivo deve ser claro: uma economia mais produtiva, empresas mais competitivas, melhores salários e um concelho onde as pessoas encontrem condições para trabalhar, viver e construir o seu futuro.

Guimarães é um concelho com uma identidade económica muito própria. A indústria faz parte da nossa história, do nosso presente e continuará, certamente, a ser determinante no nosso futuro. É nela que assentam milhares de postos de trabalho, muitas das nossas empresas e uma importante capacidade exportadora.

Os números ajudam a perceber essa dimensão: a indústria transformadora representa 43% do emprego no concelho e gera cerca de 1,5 mil milhões de euros em exportações. São números muito relevantes e que demonstram a força da economia vimaranense. 

Mas o estudo “A Economia de Guimarães: percurso, estado e destino”, desenvolvido pela Universidade do Minho, coloca também perante nós um desafio importante: apesar desta força industrial e exportadora, os salários em Guimarães continuam abaixo da média nacional. 

É precisamente aqui que considero que deve estar uma das grandes prioridades dos próximos anos.

Não se trata de substituir a nossa indústria, mas de a tornar ainda mais forte. Mais produtiva, mais inovadora, tecnologicamente mais avançada e capaz de criar maior valor acrescentado. Porque uma economia mais competitiva cria melhores condições para o investimento, para o crescimento das empresas e também para melhores remunerações.

E considero positivo que o atual executivo municipal esteja a colocar esta discussão no centro da estratégia para o concelho.

A criação de um Pacto para a Inovação, envolvendo a Universidade do Minho, a UPCA e centros de investigação, bem como a preparação de uma estrutura que deverá evoluir para uma Agência para o Desenvolvimento Económico, mostram uma vontade clara de aproximar empresas, conhecimento e investimento. 

É uma orientação que merece ser valorizada. Um Município não determina os salários pagos pelas empresas, mas pode criar condições para que novas atividades se instalem, para que as empresas existentes cresçam e inovem e para que o conhecimento produzido nas nossas instituições chegue mais depressa à economia real.

Também o planeamento do território tem aqui um papel importante. A revisão do PDM, já aprovada pela Assembleia Municipal, reforça essa visão de futuro. O documento prevê mais 1.148 hectares de solo urbano, um aumento de 18,55%, e mais 161 hectares destinados a atividades económicas, fazendo passar esta área de 896,25 para 1.057,69 hectares. 

Esta decisão cria melhores condições para responder a dois desafios que não podem ser separados: o crescimento económico e a habitação.

Porque Guimarães não será verdadeiramente mais competitivo se conseguir atrair investimento e criar emprego, mas quem aqui trabalha tiver cada vez mais dificuldade em encontrar uma casa e construir a sua vida no concelho.

Também neste domínio existem sinais positivos. O alargamento do Subsídio Municipal ao Arrendamento permite agora o acesso de famílias com rendimentos mensais até 2.100 euros brutos, estando prevista uma resposta que poderá chegar a cerca de 400 famílias. 

Esta é, a meu ver, uma das virtudes da orientação que o executivo municipal está a procurar imprimir: perceber que desenvolvimento económico, inovação, habitação e ordenamento do território não são políticas isoladas. Fazem parte da mesma visão para o futuro.

Guimarães parte de uma posição forte. Temos indústria, empresas, capacidade exportadora, conhecimento e instituições de ensino superior. Temos agora de conseguir transformar cada vez mais essa força em valor.

O objetivo deve ser claro: uma economia mais produtiva, empresas mais competitivas, melhores salários e um concelho onde as pessoas encontrem condições para trabalhar, viver e construir o seu futuro.

É um caminho exigente e que não se faz de um dia para o outro. Mas é importante reconhecer quando existem uma estratégia, decisões e uma direção definida. E o atual executivo municipal tem dado passos importantes nesse sentido.

A alteração do PDM, para mim, melhora bastante esta versão porque já podemos falar de uma decisão efetivamente aprovada e não apenas de uma intenção. Isso dá mais força à ligação entre estratégia económica, habitação e ordenamento do território.