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O desafio de estar à altura da nossa história

Tiago Rodrigues
Opinião \ quinta-feira, junho 25, 2026
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O verdadeiro desafio está em provar que uma cidade que esteve na origem de um país continua, séculos depois, a ter ambição, capacidade e coragem para iniciar novos ciclos de desenvolvimento.

O discurso do Presidente da Câmara nas comemorações do 24 de Junho deixou, na minha opinião, uma mensagem que merece reflexão: Guimarães não pode viver apenas da grandeza do seu passado. Tem de demonstrar, todos os dias, que continua à altura da sua história.

“Aqui nasceu Portugal” é muito mais do que uma frase identitária ou simbólica. É uma afirmação com profundo peso histórico, mas também com enorme exigência coletiva. Ser o Berço da Nação não deve ser entendido apenas como um título honorífico herdado do passado. Deve ser encarado como uma responsabilidade permanente.

Gostei particularmente da ideia transmitida no discurso de que o maior tributo que podemos prestar à nossa história não é apenas celebrá-la, mas ter a capacidade de construir futuro.

É precisamente aqui que, a meu ver, reside um dos maiores desafios de Guimarães.

Hoje, a qualidade de um território mede-se cada vez mais pela sua capacidade de responder aos problemas concretos das pessoas: habitação acessível, mobilidade eficiente, criação de emprego qualificado, atração de investimento e melhoria da qualidade de vida.

Nesse sentido, o discurso apontou prioridades estratégicas que considero acertadas: habitação, mobilidade e desenvolvimento económico.

Importa agora transformar essa visão em capacidade de execução, garantindo que as prioridades definidas se traduzam, de forma consistente, em resultados concretos e perceptíveis na vida das pessoas.

Guimarães tem ativos extraordinários: um tecido empresarial forte, elevada capacidade industrial, instituições de ensino e investigação de referência e uma identidade coletiva que poucas cidades possuem.

Mas potencial, por si só, não gera progresso.

É necessária visão estratégica, capacidade de decisão e, sobretudo, competência para transformar intenção em resultados.

A proximidade de 2028, ano em que se assinalam os 900 anos da Batalha de S. Mamede, reforça ainda mais esta responsabilidade.

Creio que o maior erro que poderíamos cometer seria olhar para a nossa história como ponto de chegada.

Guimarães foi o começo de Portugal. Mas essa condição, por si só, não garante futuro.

O verdadeiro desafio está em provar que uma cidade que esteve na origem de um país continua, séculos depois, a ter ambição, capacidade e coragem para iniciar novos ciclos de desenvolvimento.

Honrar Guimarães nunca será apenas preservar a memória.

Será sempre, acima de tudo, merecê-la.