10 maio 2026 \ Caldas das Taipas
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Cumprir a Capital Verde

Manuel Ribeiro
Opinião \ domingo, maio 10, 2026
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Há muitos anos que a povoação de Caldas das Taipas persegue que, pelo menos, um dos locais balneares situado na localidade, ostente o titulo de praia fluvial.

É virtude compararmo-nos com os melhores ou com aqueles que já conseguiram aquilo que nós almejamos.

O concelho de Braga possui, actualmente quatro praias fluviais. Braga nunca foi capital europeia verde.

A comparação que estabeleço não tem nada de parcial ou sequer de insidioso. Trata-se de seguir e conseguir bom exemplo que constitui esse facto.

O estatuto oficial de praia fluvial é o testemunho vivo de que a natureza ainda vale a pena e que não está tudo perdido. Esse testemunho passa pela certeza de que as águas não estão poluídas; que as margens conseguem gerar biodiversidade e que a fauna fluvial existe e se mantém saudável.

O avistamento de lontras é um sinal inequívoco de que o ecossistema do Rio Ave na zona de Caldas das Taipas tem sofrido recuperação e que é possível adquirirmos o estatuto de praia fluvial.

O título de capital verde europeia atribuído a Guimarães, não à cidade, mas a todo o concelho, pois uma das condições da candidatura era destinada a “cidades” com mais de 100.000 habitantes, é por si uma responsabilidade e um compromisso com o futuro.

Há muitos anos que a povoação de Caldas das Taipas persegue que, pelo menos, um dos locais balneares situado na localidade, ostente o titulo de praia fluvial.

Imagem de arquivo_Reflexo (Parque de Lazer das Taipas)

E este título de praia fluvial “oficial”, reconhecida pela Autoridade do Ambiente, não é fácil de ser conseguido na medida em que implica o cumprimento exigente de um grande número de requisitos.

Por ser um título de consecução exigente supõe um rio despoluído em permanência e rodeado de biodiversidade pujante.

E se a realização de Guimarães Capital Verde Europeia dependesse desse facto, isto é, da atribuição e reconhecimento do estatuto de praia fluvial à zona da praia seca ou à zona do parque de lazer – a praia fluvial de sempre – era certo que Guimarães capital verde se realizaria, se concretizaria, se cumpria?

Seria uma obrigação custosa, admitimos, mas de efeitos retumbantes na apreciação da qualidade da água, da biodiversidade das margens e da fauna do rio, e principalmente, da confiança que as instituições envolvidas mereciam da população em geral.

Uma das marcas da Capital Europeia Verde é o envolvimento e participação da população na construção de um ambiente mais verde e por isso, mais sustentável.

Mas se a sua participação redundasse em resultados como o reconhecimento de um rio limpo que possa ser fruído em plenitude, sem constrangimentos, os frutos do envolvimento seriam sentidos como evidentes e confortantes.

Na mente de cada um de nós está o concelho de Braga, e nada como imitar os que já conseguiram os objectivos a que nos propomos.

Claro que a capital europeia verde também se cumpre com a melhoria da qualidade do ar; da mobilidade suave; de um aumento da qualidade da água, da recolha, selecção e tratamento dos resíduos; da economia do aproveitamento – economia circular - mas a instalação de uma praia fluvial oficial seria a maior das realizações por aquilo que significa, principalmente, pela recuperação de uma memória de um ambiente são e saudável que julgávamos irrecuperável.

 

ndr: texto publicado originalmente na edição de abril 2026 do jornal Reflexo.