Atirar dinheiro para cima dos problemas
É um hábito muito nosso e tratando-se de dinheiros públicos, mais se acentua e evidencia.
Isto a propósito do anúncio da repavimentação da Rua Padre Silva Gonçalves e Rua de Santa Marta (até à Cutipol). Uma obra que não sai do papel, pelos menos, desde o tempo em que Constantino Veiga era presidente da Junta de Caldelas, cargo que deixou em 2017. Desde então, a obra manteve-se nos Planos de Atividade de Luís Soares e de Augusto Mendes.
Mas, a questão que me traz a este assunto, não é propriamente a necessidade de realizar a obra em si. Essa necessidade parece-me consensual e só peca por tardia.
O que me traz ao assunto são os constantes rebentamentos de condutas de água que essas duas artérias têm sofrido ao longos dos anos. Dei-me ao trabalho de contar, por alto, os remendos existentes nessas ruas, fruto de intervenções da VIMÁGUA nas referidas reparações. São seguramente mais de meia centena e, em alguns locais, de forma repetida.
Pessoa ligada à área justificou-me que é um problema que só se resolverá com a substituição das canalizações existentes, por outras de maior capacidade de condução de água. O volume de construção em altura que se verificou (e ainda se verifica) para o lado mais a norte da freguesia implica que se aumente a pressão e o caudal de água para chegar a todas as habitações. Com uma rede de canalizações muito antiga e desadequada para os dias de hoje, episódios de fugas de água vão continuar a existir.
Não seria de pensar, antes da realização da referida repavimentação, na substituição da rede de condução de água naquelas artérias?
Ou continuar-se-á a agir de forma isolada, sem a devida e necessária articulações entre as diversas entidades (água, gás e saneamento, por exemplo) e, assim, gastar mais uns milhares para dentro de pouco tempo se voltar a abrir buracos para reparações pontuais?