As regras do crédito habitação estão a mudar… e nem todas são boas.
A partir de 1 de agosto, o acesso ao crédito habitação torna-se mais exigente.
O Banco de Portugal reduziu a taxa máxima de esforço de 50% para 45%. À primeira vista, uma diferença de apenas 5% pode parecer pouco. No entanto, na prática, representa dezenas de milhares de euros a menos na capacidade de financiamento das famílias.
O objetivo desta medida passa por limitar o montante máximo de crédito concedido, reduzindo o poder de compra e, consequentemente, contribuindo para travar a subida dos preços da habitação.
Exemplificando um acontecimento real, na nossa região, é comum um casal auferir cerca de 2.000 € líquidos por mês.
Com a taxa de esforço anterior, esse casal poderia obter financiamento para uma habitação na ordem dos 220.000 €.
Com a nova regra, a capacidade de compra desce para cerca de 205.000 €.
Ou seja, menos 15.000 € de poder de compra, apenas devido à alteração das regras de concessão de crédito.
O impacto no mercado.
Esta mudança afeta sobretudo o chamado "mass market", ou seja, a maioria dos compradores que dependem do crédito habitação para adquirir casa.
Nos últimos anos, os incentivos criados pelo Governo para os jovens impulsionaram fortemente a procura pela primeira habitação. A procura cresceu de uma forma vertiginosa e a oferta praticamente esgotou, originando uma subida significativa dos preços.
O resultado foi um mercado onde muitos compradores sentiram necessidade de esticar ao máximo a sua capacidade financeira para conseguirem concretizar a compra.
Para termos uma ideia, um imóvel que, há dois anos valeria 160.000 €, hoje é comercializado por valores próximos dos 220.000 €.
Enquanto os compradores conseguiam obter financiamento para esses montantes, o mercado foi absorvendo naturalmente esses aumentos.
O que pode acontecer agora?
Com a redução da taxa de esforço, a capacidade financeira da maioria dos compradores diminui.
Se há menos pessoas capazes de pagar os preços atualmente praticados, é expectável que o mercado entre numa fase de maior equilíbrio, com uma desaceleração das vendas e uma possível estabilização dos preços nos próximos meses.
Não significa necessariamente que os imóveis vão desvalorizar, mas será mais difícil continuar a assistir ao ritmo de crescimento dos últimos meses.
Cada situação tem as suas características. Antes de tomar qualquer decisão procure sempre um profissional.