Os emigrantes das Taipas compram ou já não há interesse?
Antes de falar sobre os nossos emigrantes não posso deixar de dar um abraço sentido à família de uma pessoa que ajudou a dinamizar a nossa vila. O “Milo”, um dos grandes construtores da nossa terra, partiu, deixando para trás inúmeras construções, algumas delas feitas na nossa vila, edificou a rua 19 de Junho na sua totalidade e entre outros construiu o prédio na Quinta do Monte em frente à Galp e o Loteamento das Lamelas em Sande São Martinho. Estes últimos que refiro, apartamentos com mais de 30 anos, são ainda nos dias de hoje, a sorte de qualquer vendedor imobiliário, com uma relação qualidade/preço excelentes, em preço são de venda muito rápida. É com facilidade que na interação com os possíveis compradores relembramos que a construção é boa, as áreas são generosas, o prédio é bom, foi o “Milo” que o fez.
Obrigado Sr. Emílio Macedo da Silva, pela carreira que fez e pelo legado que deixou.
De volta a Agosto e aos nossos emigrantes:
- Será que os nossos emigrantes deixaram de comprar?
Sem estatísticas oficiais que sustentem esta análise, a única certeza que posso partilhar é aquela que resulta da minha experiência de mais de 10 anos como mediador imobiliário na região.
Há cerca de 10 anos, as vendas que fazia anualmente eram maioritariamente destinadas a emigrantes. A diferença era enorme: diria que cerca de 20% das vendas eram para residentes e 80% para emigrantes.
O poder de compra que existia em 2016 era muito diferente do atual. Os salários em Portugal rondavam os 500 euros, ainda estávamos a recuperar de uma crise económica, as rendas eram bastante mais baixas e, para quem vivia cá, comprar casa nem sempre era uma prioridade ou uma possibilidade.
Muitas vezes, quem nos “salvava” era precisamente o nosso emigrante.
Com um poder de compra significativamente superior e, muitas vezes, com maior facilidade em obter crédito bancário, conseguia avançar para a compra de um imóvel.
Ao longo do tempo as coisas foram mudando e as necessidades também, as rendas a pagar aos senhorios na zona das Taipas foram aumentando rapidamente. Quando em 2016 as rendas rondavam os 200 euros, o mesmo imóvel 5 anos depois já era arrendado facilmente pelo dobro. Os residentes cá começaram a comprar mais e em 2020 a nossa quota de venda já rondava os 50/50 entre residentes e emigrantes.
Em 2020, durante a Covid, muitas famílias aproveitaram para repensar a forma como viviam. Houve quem quisesse trocar o apartamento por uma moradia, ganhar espaço exterior ou simplesmente procurar uma casa diferente.
O mercado não parou. Mexeu muito, mas sobretudo internamente.
Após a Pandemia, a nossa Vila sentiu o efeito da imigração, várias pessoas vieram para cá esgotando todo o stock de arrendamento que existia nas Taipas. Facilmente as rendas trepavam, passamos de 400€ para 500€, depois 600€ e assim sucessivamente e não havia casas para arrendar, só nos sobravam as vendas. Muitos dos nossos Taipenses acabaram por comprar porque não havia mais solução.
Stock para arrendamento não existia, as rendas continuavam a subir, e no final de 2024 o governo anuncia as ajudas à compra de 1ª habitação para os nossos jovens até aos 35 anos. A parte positiva dessa medida é que veio ajudar muita gente a ter casa. Sem os apoios e facilidades concedidas, muitos dos nossos jovens nunca teriam casa. Analisando de uma forma geral, foi uma boa medida. A parte negativa foi a de que os preços aumentaram e muito.
Hoje, quando os nossos emigrantes regressam às Taipas e olham para os preços das casas, muitos ficam surpreendidos.
Ainda existe procura.
Ainda existe quem queira investir.
Mas já não são tantos como antigamente.
Nos últimos dois anos, a minha perceção aponta para uma realidade completamente diferente da que tínhamos há uma década: cerca de 90% das vendas são para residentes e apenas 10% para emigrantes.
Muitos passam pela montra, olham para os preços e ficam admirados.
“Está tudo tão caro… parece França”, dizem-me alguns.
E, na verdade, esta mudança não aconteceu porque o poder de compra dos nossos emigrantes tenha necessariamente diminuído.
O que mudou foi o interesse.
Hoje, muitos optam por comprar nos países onde vivem e trabalham. Outros preferem esperar.
Tenho muita estima pelos nossos emigrantes, sem eles não estaria onde estou hoje.
Um grande abraço a todos, façam uma excelente viagem e para o ano cá estaremos novamente de braços abertos para vos receber.
Obrigado “Milo” e Até Sempre…