01 novembro 2026 \ Caldas das Taipas
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Ambição - Museu da Cutelaria nas Taipas

Manuel Ribeiro
Opinião \ domingo, novembro 01, 2026
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A indústria da cutelaria tem aguentado, tem resistido às transformações do mundo.

É objectivo principal dos autarcas fazer tudo o que estiver ao seu alcance para engrandecer o seu território.

Na freguesia, para se conseguir tal finalidade é preciso muita imaginação, trabalho e acima de tudo convencer outras instâncias, município e poder central, da bondade dos projectos.

Um território ganha importância quando se assume diferente, para melhor, do que outros.

Ser diferente é, quanto possível ser único naquilo que importa, naquilo que tem importância, naquilo que os outros e os próprios têm necessidade de consumir permanentemente.

Todos reconhecemos que o concelho de Guimarães, desde há séculos, se distingue pela sua natureza industrial, com especial incidência na indústria têxtil, couros e calçado, cutelarias e ourivesaria. Serão estas as chamadas indústrias tradicionais.

Os tempos têm sido avessos à indústria nacional e europeia muito pelo cavalgar da China, Índia e Ásia que beneficiaram do desinvestimento da “velha europa” e beneficiaram do nosso consumo. Pelo que se tem assistido a um definhamento da indústria têxtil tradicional e da indústria em geral. Há quem diga que o têxtil não sobrevive, na sua maior parcela, a mais de cinco anos.

A indústria da cutelaria tem aguentado, tem resistido às transformações do mundo.

E a região das Taipas é a que conserva ainda um conjunto de estabelecimentos industriais de cutelarias que servem o mercado nacional e internacional.

Deve lembrar-se que Caldas das Taipas ostenta o título de “Capital das Cutelarias”, título que se encontra registado no INPI.

Não existem, praticamente, nas Caldas das Taipas, famílias que não estejam directa ou indirectamente relacionadas com o ofício da cutelaria.

Sabemos que a mão de obra para este tipo de industria escasseia cada vez mais; e que esta evoluiu de uma forma artesanal e manual, para níveis de automatização e robótica.

Os “artistas” das cutelarias vão perecendo; a memória vai-se perdendo; os processos tradicionais e a respectiva evolução da fabricação esfuma-se no tempo. É preciso resgatar esta memória dos processos primordiais e da sua evolução até ao momento presente.

Temos este activo cravado na história da Região das Taipas que deve ser aproveitado.

É uma ideia que consta em programas eleitorais, uma ideia partilhada por muita gente.

Discute-se no concelho, e ainda bem, a necessidade da construção de um museu da indústria de Guimarães.

Há muito tempo, cerca de 20 anos, que temos falado, alertado para a necessidade de nas Taipas ser concebido, edificado “um centro Interpretativo da Cutelaria”.

Tal museu dinâmico, não existe em mais lado nenhum; existiria nas Taipas e seriamos os únicos a tê-lo.

Era um motivo forte e importante para sermos mais conhecidos, para sermos visitados, para sermos referência, nacional e internacional, no surgimento, evolução e compreensão da indústria que nos diz muito a todos.

Cabe aos órgãos autárquicos fazer força para que esta ideia tenha concretização célere sob pena de se irem perdendo conhecimento, artefactos, memória, para que um necessário “Centro da Interpretação da Cutelaria” possa corresponder, em qualidade, à excelência dos talheres que se produzem na nossa região.

A ambição de ter o que é único nas Taipas, deverá orientar a nossa atitude enquanto autarcas.

 

ndr: texto publicado originalmente na edição de outubro 2026 do jornal Reflexo