Semestralidade dá à ESCT “períodos de aprendizagem mais equilibrados”
A Escola Secundária de Caldas das Taipas (ESCT) inicia o ano letivo 2026/27 com uma grande novidade: os três períodos de avaliação dão lugar a dois semestres, com avaliação intermédia em fevereiro. Quatro anos depois de se iniciar o debate sobre a adoção desse modelo, a direção entendeu que o ano que se avizinha era o momento certo para uma reconfiguração pedagógica que promete maior equilíbrio.
“A ideia é tornar os períodos de aprendizagem mais equilibrados, com reportes de informação intercalares para os pais e para os alunos, que permitam dizer, para cada aluno, como está a sua evolução na aprendizagem, o que é preciso corrigir, que aspetos têm de melhorar até à avaliação quantitativa”, adiantou o diretor da ESCT, Celso Lima, ao Reflexo.
Após recusar a semestralidade em anos anteriores, na sequência de várias discussões entre professores, pessoal não docente, pais e alunos, a ESCT entendeu que deveria mudar neste ano, por questões de “organização da prática pedagógica” e de gestão do tempo; no entender do diretor, o terceiro período era demasiado curto para ter um impacto real na progressão dos alunos.
"Se olharmos para o regime trimestral, temos dois trimestres em carga máxima e um último trimestre de um mês, mês e meio. É um trimestre que não tem impacto expressivo em termos de aprendizagens e de avaliação. Os dois primeiros trimestres absorvem quase a totalidade do ano letivo. O último trimestre era muito curto", acrescenta.
O ano letivo 2026/27 começa em setembro e conta com dois sem aulas, em 12 e 13 de novembro, quinta e sexta-feira, para a “primeira reflexão pedagógica”, que irá suscitar o primeiro reporte intercalar, antes da pausa letiva de Natal, entre 21 de dezembro e 1 de janeiro. A transição entre semestres conta com uma outra pausa, por ocasião do Carnaval, entre 3 e 10 de fevereiro, antes da interrupção de duas semanas por ocasião da Páscoa, que, em 2027, dar-se-á em 28 de março. Os últimos dois dias dessa pausa letiva de Páscoa servirão para o segundo reporte intercalar da aprendizagem dos vários alunos.
A adesão à semestralidade também se justifica com a revisão em curso das designadas “aprendizagens essenciais” pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, acrescenta o responsável. “Já eram para entrar em vigor neste ano letivo, mas vão entrar em 2027/28. A escola tem de fazer o período de transição para as novas aprendizagens. As novas aprendizagens recomendam que se reforce a aprendizagem pedagógica formativa, associada à semestralidade", salienta.
Bem-estar para a comunidade escolar
Outra das vantagens da semestralidade é a garantia de maior bem-estar aos professores e aos alunos, considera Celso Lima. "Na pausa letiva de Natal, temos duas semanas, de 21 de dezembro a 01 de janeiro, em que não há avaliações. Toda a gente está sem trabalho de escola. Isso permite que os docentes tenham qualidade de vida, porque têm as suas famílias e os seus filhos. Nessas duas semanas, não há atividades de avaliação, nem letivas. Têm duas semanas de tranquilidade e de descanso", indica. Já a pausa de Carnaval possibilita umas eventuais “miniférias”, enquanto a de Páscoa é semelhante à de Natal, à exceção dos últimos dois dias, destinados às reuniões de reflexão pedagógica.
A transição vai avançar na ESCT, mas não nos três agrupamentos do ensino básico que servem a Escola Secundária – o Agrupamento de Escolas das Taipas, o Agrupamento de Escolas Arqueólogo Mário Cardoso, em Ponte, e o Agrupamento de Escolas de Briteiros -, apesar de já ter havido debates sobre o assunto, com posições díspares. Para Celso Lima, faz sentido que a Secundária coloque a semestralidade no terreno, para que as escolas básicas vejam o que acontece e decidam o que fazer para o futuro.
O diretor da ESCT vinca, contudo, que o processo não é irreversível. "Se não nos adaptarmos ao sistema, voltaremos aos três períodos, mas estou convencido de que não. Isto foi discutido e amadurecido”, perspetiva.