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Jorge Freitas, "lutador de muitas lutas", quer reaver a "voz firme" da CDU

Pedro C. Esteves
Política \ domingo, setembro 19, 2021
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Candidato à Junta de Freguesia contou este domingo com o apoio de Mariana Silva e Torcato Ribeiro. Alertou para os baixos salários na indústria e propõe um posto de urgência no centro de saúde da vila

Jorge Freitas, dirigente sindical há 22 anos, não anda na corrida autárquica “por andar”. É o rosto da candidatura da CDU à Assembleia de Freguesia de Caldas das Taipas, mas vinca isso mesmo: é apenas a cara de uma lista com 18 “obreiros” que conhecem “as carências que afetam o norte do concelho”. Numa sessão pública de apresentação da candidatura, em plena Praça Dr. João Antunes Guimarães, no coração da vila termal, o taipense teve a companhia de caras conhecidas e dos candidatos à Câmara Municipal (CMG), Mariana Silva, e Assembleia Municipal, Torcato Ribeiro.

As décadas ligadas ao associativismo e uma vida a trabalhar na indústria das cutelarias mostram uma realidade que a CDU quer trazer à tona: “Estamos aqui na Capital da Cutelaria, mas essa mesma capital tem carências enormes. A metalurgia prevalece, mas famílias inteiras a trabalhar no setor chegam ao final do mês com um salário mínimo”.

E no contacto de proximidade também se destapam “carências”. Para dar resposta a anseios que tem ouvido da população, a CDU propõe a criação de um posto de urgência no centro de saúde da vila. A preocupação com o ambiente – “A praia fluvial mais antiga do distrito, no parque, está ao abandono”, pontuou Jorge Freitas – e com o património foram algumas das preocupações sublinhadas no discurso do candidato. A CDU propõe recuperar a capela de Santo António e o chafariz que antes “embelezava” o centro da vila.

Depois de umas autárquicas atípicas para a CDU em 2017, altura em que perdeu representação na Câmara Municipal de Guimarães e o lugar na Assembleia de Freguesia de Caldelas, Jorge Freitas acredita que os taipenses “sabem que a voz da CDU” faz falta. “A meta é sempre a mesma: a gente quando parte não parte derrotada, quem me conhece sabe que trabalho sempre em prol das coletividades, por carolice, perdemos representatividade mas vamos lutar para chegar lá, as Taipas conhece bem o trabalho da CDU ao longo de muitos anos".

O dirigente sindical até lembrou a teoria da cassete, muitas vezes associada ao discurso do partido que milita, o PCP, para reforçar o carácter da intervenção do partido. “Agora vêm dar-nos razão. Se hoje dizemos uma coisa, passados quatro anos temos de dizer o mesmo”, assinalou.

 

Uma voz que “nunca foi submissa”

“Sempre em defesa daqueles que precisam cada vez mais”. Foi assim que Jorge Freitas deu o mote para o discurso de Mariana Silva. A vimaranense, deputada à Assembleia da República pelo Partido Ecologista Os Verdes, acenou com “os problemas da população das Taipas que três décadas de Partido Socialista na Câmara Municipal não resolveram”. “A voz do povo das Taipas faltou na CMG, porque lá falta um vereador da CDU” e só a coligação que junta ecologistas e comunistas “pode criar dinâmica de confronto e de apresentação de soluções”.

No discurso da também deputada na Assembleia Municipal de Guimarães houve espaço para uma mensagem de apreço a Jorge Freitas, "um lutador de muitas lutas em defesa dos direitos dos trabalhadores.

Mariana Silva pediu ao auditório que faça “conversas que ainda não foram feitas”, para “conquistar e consolidar apoios” e recuperar a "voz firme" do partido na Assembleia de Freguesia. Nessas conversas, terão de estar algumas das bandeiras da candidatura: o ambiente, a mobilidade – “Apostar no transporte público coletivo, mais horários, conforto e segurança”, frisou a candidata a Santa Clara – ou o bem-estar animal.

“A ausência da CDU prejudica a democracia e os cidadãos em favor de alguns e contribuem para cavar o fosso entre eleitos e eleitores, desacreditando a democracia. Os anos de PS transformaram a CMG numa agência de empregos, impondo-se a associações e coletividades. Cada voto na CDU é um voto contra o domínio que castra e abafa o desenvolvimento. Nunca foi uma voz submissa”, sinalizou.

 

Dias mais atarefados

Depois de uma semana dedicada à colocação de cartazes e contacto com a população, e com a reta da meta já à vista, Jorge Freitas espera “dias mais atarefados” até ao fecho da campanha. Para os próximos dias estão previstas visitas a “empresas cruciais” como a Cutipol e a Herdmar na companhia de Mariana Silva.

A próxima ação de campanha acontece na feira semanal desta segunda-feira. Será mais uma oportunidade para as tais “conversas que ainda não foram feitas”. Desta vez, com comerciantes e feirantes.