02 dezembro 2021 \ Caldas das Taipas
tempo
18 ºC
pesquisa

Famel: do Avepark para rolar nas estradas portuguesas

Bruno José Ferreira
Sociedade \ quinta-feira, outubro 07, 2021
© Direitos reservados
Lembra-se da XF-17? Os traços são similares, mas sem fumo e sem ruído.

Icónica marca de motorizadas que se notabilizou nas décadas de oitenta e noventa está a ser refundada em Guimarães, para voltar à estrada com um novo modelo elétrico. Lembra-se da XF-17? Os traços são similares, mas sem fumo e sem ruído.

O ruído provocado pelo escape e o fumo emanado pelo mesmo tornou-se inconfundível. A Famel, marca portuguesa de motas que se notabilizou nas décadas de sessenta, setenta e oitenta do século passado, fez as delícias dos amantes das duas rodas. Criada em 1949, acabou por ser declarada a falência da Famel em 2002, há sensivelmente duas décadas. Para trás ficou um rasto de saudade e saudosismo.

Um rasto que Joel Sousa, engenheiro automóvel e Re-Founder da marca, pretende tornar numa nova realidade. Juntar os traços do passado com ideias de futuro é a missão que Joel abraçou e em Guimarães está a nascer uma nova Famel. Elétrica, amiga do ambiente e vocacionada para as cidades e para o espaço urbano, mas com um design a fazer lembrar a XF-17, a mota mais venida em Portugal.

“Sendo natural de Guimarães a instalação da Famel fazia sentido ser na mesma cidade, daí optar pelo Parque de Ciência e Tecnologia Avepark.  Desta forma, estamos também próximos de outras empresas ligadas à tecnologia e à indústria e, por último, a Set.Up proporciona acesso a infraestruturas e a empresas embrionárias, ajuda que é muito importante numa fase inicial de um negócio”, dá conta Joel Sousa ao Reflexo. Virtualmente a Famel está instalada em Guimarães desde junho, sendo que a instalação física no Avepark processou-se durante o mês de setembro.

Famel E-XF é, então, o grande produto que pretende relançar a marca. Uma motorizada que chama a si o “desenvolvimento do primeiro modelo com motorização elétrica já com a visão no futuro, mas preservando a herança e a história”, conforme se pode ler no site da marca. Há muito que esta ideia está a ser amadurecida. Em 2014 foi feito o anúncio do projeto de revitalização da marca e desenvolvimento de um protótipo, sendo que três anos depois, em 2017, foi dado a conhecer o conceito na Websumbit. De lá para cá têm sido dados passos no sentido de efetivar o negócio e o feedback tem sido positivo.

Carga de 4 horas para 70 km

“O processo está a correr bastante bem e o feedback tem sido positivo pelo público. Existiram bastantes pré-registos de compra no website daí passámos ao próximo patamar, a criação da empresa. Nos últimos tempos temos estado a tratar das burocracias normais para a montagem do negócio. A partir de setembro arrancámos com vista a próximo ano trazermos as motas para a estrada”, aponta o principal rosto deste projeto.

O interesse do público tem empolgado Joel Sousa, sendo que o arranque será feito com uma edição limitada de trezentas unidades em 2022, sendo que o objetivo passa depois por alargar essa produção à casa dos milhares. “No ano seguinte contamos já com a aproximação às 2000 unidades, contudo o objetivo será atingir as 5000 unidades por ano”, dá conta Joel Sousa, que apresenta, em traços gerais, a menina dos seus olhos, a nova Famel E-XF.

A mota terá uma autonomia de 70 km e destaca-se pela versatilidade: “Herda um passado histórico de uma marca icónica. A nova E-XF é inspirada na antiga e mítica XF-17, contudo adota a motorização elétrica como o ponto de viragem e ressurgimento da marca. A base da E-XF permite, do ponto de vista de utilização, ser ágil e versátil para as cidades, fácil de conduzir e de estacionar. Apresenta uma autonomia estimada de 70km possibilitada através de apenas uma carga de 4 horas”.

Com o preço de venda perspetivado de 4100 euros, a nova Famel será produzida na cidade berço. Uma situação simbólica, até porque, expõe Joel Sousa, a mítica XF-17 teve também a sua origem em Guimarães. “Para quem não sabe, a antiga Famel XF-17, que estamos atualmente a ressurgir com a versão eletrificada, foi concebida em Guimarães e, posteriormente, apresentada à Famel em Águeda. Deste modo, pode dizer-se que é simbólico o facto do ressurgir de uma marca icónica e mítica acontecer em Guimarães”, finaliza Joel Sousa. O berço da nova Famel E-XF é, portanto, o berço da nação. No próximo ano o asfalto das estradas portuguesas contará com o novo modelo da icónica mota.