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Venezuela Portuguesa

Amadeu Júnio
Opinião \ sexta-feira, maio 05, 2023
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Os acontecimentos políticos desenvolvidos ao longo desta semana são demonstrativos da degradação das instituições públicas e da perda de credibilidade da classe política governativa.

A descredibilização da classe política é um tema que tem andado no cerne da discussão política e social, nomeadamente com todos os acontecimentos negativos que têm afetado a classe política nos últimos 20 anos. Os recentes casos, e em especial estes últimos desde a maioria socialista das últimas eleições, têm colocado este tema ainda mais na esfera pública.

Ora, estas últimas semanas a vida política sofreu um duro revés na sua credibilidade e confiança junto da população portuguesa. O caso Galamba e o caso TAP são representativos dessa mesma descredibilização política.

A reunião da Ex-CEO da TAP com elementos do Governo e do grupo parlamentar do PS, em janeiro antes da audição parlamentar, apresenta-se como uma verdadeira afronta à verdade e à ética política. Embora, em termos legais não tenha ocorrido nenhuma infração, muitas outras questões se levantam.

É neste contexto que surge o caso Galamba e consequentemente a fricção política entre o Primeiro-Ministro e o Presidente da República. As versões contraditórias do ministro das infraestruturas e o uso da mentira, nomeadamente com o suposto não envolvimento na reunião secreta e mais tarde confirmado o seu conhecimento, tornaram insustentável a sua permanência no governo.

Contudo, quando pensamos que já vimos de tudo no mundo político, eis que António Costa com a sua reconhecida habilidade política e marcando uma clara posição cria uma narrativa e segura o atual ministro das infraestruturas.

Muitos pontos de vista sobre os motivos que o levaram a tomar tal decisão podem ser debatidos e é certo que esta opção foi claramente ponderada nas suas consequências e efeitos. Não sejamos ingénuos ao ponto de pensar que esta tomada de decisão, tal como uma velha expressão portuguesa, não traz água no bico.

Mas mais do que debater os motivos desta decisão, importa realçar o impacto político da mesma. Após ano e meio de governo com maioria absoluta, assistimos a dezenas de casos e casinhos de ministros, secretários e membros de empresas públicas que claramente afetaram negativamente a imagem política portuguesa. Temos assistido a uma manipulação política da verdade, em que o que menos importa são os reais problemas dos portugueses. Somos apenas meros figurantes numa novela de quezílias e interesses socialistas.

Deste modo, o Presidente da República tornou-se refém da sua abordagem ao longo destes anos. A sua opção por se “aliar” ao governo PS destes últimos 7 anos, servindo muitas vezes como o porta-voz do governo, deixou o governo socialista gerir o poder a seu belo prazer.

Assim, chegamos ao dia de hoje com um governo completamente descredibilizado e sem condições para continuar em funções. Este governo apenas tem contribuído para a descredibilização política e para degradação das instituições públicas. A importância deste ano civil na vida do País não pode ser utilizada como um argumento para a manutenção do governo. Será possível vivermos num país em todos os meses existem casos políticos ligados ao governo? A mentira e os interesses pessoais não podem vencer em regimes democráticos, muito menos em casos que envolvam políticos em funções governativas. Não vale tudo na política. É tempo de mudar!