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Um outro lado das escolas

Maria Helena Soeiro
Opinião \ quinta-feira, junho 14, 2018
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As funções dos assistentes operacionais não mudaram, foram sendo sucessivamente acrescentadas.

Quando se fala de Escola, habitualmente, deparamo-nos com a perspetiva de alunos, pais ou professores. Há, no entanto, outros atores importantíssimos, dos quais quase nunca se houve a voz. Refiro-me aos Assistentes Operacionais.

São de tal forma imprescindíveis que, quando legitimamente exercem o seu direito à greve, provocam o encerramento da escola por não estarem garantidas as condições mínimas de segurança dos alunos e o funcionamento dos serviços.

Ao longo dos longos, têm sido designados de diferentes formas: contínuos, funcionários, auxiliares de ação educativa, atualmente, assistentes operacionais, porque as funções que desempenham têm, igualmente, sofrido alterações. Se há muitos anos, “apenas” lhes era pedido que vigiassem os alunos e cuidassem da higiene e limpeza das instalações escolares, hoje em dia é-lhes exigido muito para além disso, desde as tarefas de cariz burocrático mediante a utilização das novas tecnologias, até à prestação de primeiros socorros.

Continuam a limpar as salas, os corredores, as casas de banho, o pavilhão, o ginásio, as escadas, os vidros; continuam a vigiar os recreios, o bar, o refeitório, os corredores, a portaria; vigiam e apoiam o funcionamento das bibliotecas escolares; continuam a substituir a lâmpada que fundiu, a fechadura que encravou, a persiana que avariou, o vidro da janela que estalou, o cabo do monitor que não está a fazer contacto; continuam a ser o fotógrafo, o decorador ou o animador das festas de escola.

As funções dos assistentes operacionais não mudaram, foram sendo sucessivamente acrescentadas. Aumentou o número de tarefas a cumprir, na mesma proporção em que aumentaram as habilitações mínimas necessárias para o seu posto de trabalho.

Os assistentes operacionais das nossas escolas estão, legitimamente, cansados. Cansados de serem tão poucos para o tanto que há a fazer. Cansados porque, dia após dia, semana após semana, mês após mês, para além de cumprirem todas as tarefas que lhes estão atribuídas, têm ainda que desempenhar também as dos colegas que faltam (e em quase todos os agrupamentos há assistentes operacionais em situação de ausência prolongada). Mas, principalmente, porque ao cansaço físico acresce o desgaste psicológico que advém da forma como alguns alunos os (des)tratam, conscientes da proteção que o espaço escolar representa.

Todos frequentámos a escola; e em todas as escolas havia contínuos, ou funcionários, ou auxiliares de ação educativa ou, mais recentemente, assistentes operacionais. Tal como os alunos de hoje, gostávamos mais de uns que de outros. De alguns guardamos, até hoje, ótimas recordações, de outros lembramo-nos precisamente, porque não gostávamos muito deles. Mas nem a estes nos dirigíamos de forma arrogante e, muito menos, insultuosa.

Os assistentes operacionais têm o dever de proteger e respeitar os alunos, mas têm igualmente o direito de, por estes, serem respeitados!

Infelizmente, cada vez há mais alunos que só conhecem os seus direitos e os deveres dos outros. Infelizmente, esses alunos adotam atitudes dentro do espaço escolar que não se atreveriam a adotar no exterior da escola perante a mesma pessoa.

Felizmente, ainda há muitos alunos que sabem que o respeito tem que ser recíproco.

Se a Escola é o reflexo da sociedade, cabe-nos a todos, enquanto cidadãos, inverter a tendência e garantir que a profissão de assistente operacional nas escolas seja reconhecida e valorizada.