Um bairro esquecido onde a nova política se vê
Quando um Presidente da Câmara não se limita a visitar para anunciar intenções, mas regressa para concretizar compromissos, demonstra que a sua palavra tem valor e que o serviço público se faz com responsabilidade e ação.
Por estes dias, no Bairro da Emboladoura, em Gondar, o Presidente de Câmara, Ricardo Araújo, não foi cortar uma fita, antes fechar uma demora.
Há demoras administrativas. Há demoras técnicas. Há demoras orçamentais. E há demoras que entram pelas janelas e teto, escorrem pela parede, instalam-se no inverno, ficam no cheiro da humidade, no desconforto, na resignação. A ação política, quando tarda demasiado, deixa marcas físicas. Na Emboladoura, essas marcas viam-se.
Muitos moradores chegaram ao bairro no final dos anos 70. A casa nova acompanhou casamentos, filhos, turnos de trabalho, reformas, perdas, domingos iguais e dias difíceis. Quase meio século depois, parte dos inquilinos passou dos 60 anos e outros nasceram ali. Não pediam privilégio. Esperavam reparação. Uma reparação concreta, visível, verificável. Daquelas que entram na vida.
O Município de Guimarães trabalhou muito para isso. Com o IHRU, com a CASFIG, com os moradores, com equipas técnicas que asseguraram a obra até ao fim. Foram intervencionadas todas as 249 frações. As fachadas, coberturas, varandas, caixilharias e elementos exteriores foram, de igual modo, reabilitados. Corrigiram-se infiltrações, patologias construtivas e perdas térmicas. A Câmara Municipal concretizou um investimento, mas mais do que isso, Ricardo Araújo cumpriu com a palavra.
Mas, para que serviu a única inauguração do 24 de junho, feriado municipal de Guimarães?
Serviu para uma pessoa idosa ouvir a chuva sem receio e para uma família aquecer melhor a casa. Para um bairro inteiro deixar de aceitar a degradação como destino. Para mostrar que a habitação entrou no centro da decisão municipal, não como pasta esquecida, antes como decisão e determinação política de primeira ordem.
A Emboladoura ajuda a explicar a Guimarães que este novo executivo quer construir. Ajuda e demonstra quando um bairro público ganha dignidade material depois de anos de promessas. Quando o Presidente da Câmara não visita para prometer, mas regressa para cumprir.
Este é um caminho seguido por convicção, porque a habitação condiciona tudo, a permanência dos jovens, a estabilidade das famílias, o envelhecimento com decência, a capacidade de atrair trabalho, a coesão do
concelho. Quem não percebe isto olha para casas e vê paredes. O Município olha para casas e vê política pública no seu grau mais exigente.
A Emboladoura esperou demasiado. Agora, a espera perdeu terreno. E, num tempo em que tantas palavras públicas se gastam depressa, uma obra concluída conserva ainda uma virtude rara porque fica e permanece.