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PRR em Guimarães

Amadeu Júnio
Opinião \ sexta-feira, fevereiro 10, 2023
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Os resultados da alocação das verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) no concelho de Guimarães são a demonstração da estagnação e do fracasso da política económica da Câmara Municipal.

O PRR advém de um conjunto de medidas europeias de mitigação do impacto económico e social da crise, contribuindo substancialmente, em conjunto com outros programas europeus, para o maior envelope financeiro da história do país.

Deste modo, o PRR constitui uma verdadeira oportunidade que não deve ser desperdiçada para incrementar a criação de novos empregos de qualidade e fomentar a transição ambiental e digital.

Ora, analisando concretamente as verbas alocadas do PRR através do portal Mais Transparência, verificámos a atribuição de verbas aos distritos de Braga e Viana do Castelo no valor conjunto de mais de 530 milhões de euros.

Porém a distribuição destes valores é muito heterogénea. Só o concelho de Braga é responsável por mais de 50% (274 milhões), seguido de Famalicão com 17% (93,5 milhões) e Viana do Castelo com 10% (55,8 milhões). Guimarães surge atrás dos demais, com uns meros 39,7 milhões de euros. Uma vez mais, marcamos passo em relação os restantes municípios.

Mas se alocação das verbas é factualmente inferior para o nosso concelho, é ainda visível um outro fator preocupante, a tipologia e a qualidade desse investimento. Em Braga, o projeto com maior investimento é o New Generation Storage - avaliado em 111 milhões de euros – destinado à criação de um novo ecossistema tecnológico na área das baterias. Já em Famalicão o projeto BE@T - avaliado em 70,8 milhões de euros - irá contribuir para a geração e consolidação de uma Fileira Nacional da Indústria Têxtil e Vestuário verdadeiramente inovador. No nosso concelho, o projeto com maior financiamento, cerca de 12,6 milhões de euros, é a via do Avepark, cujo plano e construção não é consensual. Além disso, o custo total da obra não terá um custo de 12,6 milhões, mas sim, segundo o nosso presidente de câmara, um valor aproximado de 40 milhões, o que pode colocar em causa a sua viabilidade.

Efetivamente, a aplicação destas verbas em Braga e Famalicão são lideradas por empresas em parcerias com centros de investigação. São projetos com uma forte componente de desenvolvimento e investigação, com grande valor acrescentado e com a criação de postos de trabalho qualificado. Em Guimarães, o projeto com maior impacto é uma estrada.

Se, nos dias de hoje, Guimarães tem ficado para trás, nomeadamente ao nível da captação de empresas de valor acrescentado, em grande parte devido à asfixia fiscal aplicada às empresas e à ausência de um rumo estratégico a nível económico, a não utilização devida dos recursos do PRR para fomentar o investimento, é um mau indicador para o futuro coletivo e económico dos próximos anos.

A política económica favorável aplicada pelas câmaras de Braga e Famalicão tem permitido a instalação e fixação de empresas, que contribuem, em grande medida, para o crescimento notório destes concelhos. Em Guimarães encontra-se cada vez mais na periferia, perdendo notoriamente a sua centralidade neste território.

Deste modo, urge-se por uma mudança de paradigma nas políticas económicas do concelho. Apenas com uma estratégia clara de captação de investimento é possível reter mão de obra qualificada, fixar população e melhorar a qualidade de vida dos vimaranenses.