Preservar a História da Banda Musical das Caldas das Taipas
A Banda Musical das Caldas das Taipas tem sido um símbolo da cultura local desde 1834, mantendo viva a tradição musical da região. Para continuar esta missão, a banda conta com o apoio da comunidade e dos amantes da música. Uma forma essencial de contribuir é adquirindo o livro Banda Musical das Caldas das Taipas - 1834-2024, da autoria de João Ribeiro. Esta obra detalha o percurso da banda, destacando os seus protagonistas e a sua importância cultural ao longo de quase dois séculos. A compra do livro não só proporciona um registo histórico inestimável, como também apoia diretamente a banda, garantindo a continuidade do seu trabalho. Para mais informações sobre a aquisição, contacte diretamente a direção da Banda Musical das Caldas das Taipas, ou passe na Escola de Música Fernando Matos.
João Ribeiro e a História da Banda Musical das Caldas das Taipas
O livro Banda Musical das Caldas das Taipas - 1834-2024, escrito por João Ribeiro, é um profundo testemunho sobre a trajetória desta emblemática instituição musical. Fruto de um rigoroso trabalho de investigação, a obra destaca as figuras essenciais que moldaram a banda, incluindo os seus maestros e os seus presidentes, que ao longo de quase dois séculos, desempenharam um papel fundamental na sua evolução musical e organizativa. Este artigo destaca estes mesmos maestros e presidentes que consolidaram este património cultural.
A Banda Musical das Caldas das Taipas, fundada em 1834, é uma das instituições culturais mais emblemáticas do concelho de Guimarães.
Os Maestros: A Alma Musical da Banda
A figura do maestro tem sido central na história da Banda Musical das Caldas das Taipas. Desde os seus primórdios, a regência da banda ficou marcada por nomes que, através da sua dedicação e competência, elevaram a qualidade artística desta Banda Filarmónica.
- João Ribeiro (O Rabata) (final do século XIX) - Um dos primeiros regentes conhecidos, impulsionou a banda e consolidou a sua relevância na comunidade.
- Joaquim Baptista de Matos (1900-1923) - Sucessor de João Ribeiro, seguiu os seus ensinamentos e, como grande mestre, não só manteve a banda no mesmo nível musical, como a aprimorou, transmitindo o seu conhecimento aos jovens interessados na “Divina Arte”. Destaca-se a atuação da banda na festa de 26 de agosto de 1923, sob a sua regência, evidenciando a forte tradição musical da família Matos. Além do seu envolvimento com a banda, fundou uma tuna composta por instrumentos de corda, como violino, violoncelo e contrabaixo, tendo entre os executantes os irmãos José e Custódio Oliveira (Vilas) e Bento Ribeiro Salgado (Barreto).
- Bento Ribeiro Salgado (Barreto) (1923-1937) - Nascido a 24 de abril de 1890 e falecido a 05 de dezembro de 1969, mais conhecido por Bento Barreto, foi maestro, tendo assumido a regência da banda musical entre os anos de 1923 e 1937, quando José de Sousa assumiu a batuta. Com a mesma determinação, deu seguimento a uma obra e a um trabalho como maestro que felizmente ainda perdura até aos dias de hoje. Para que fique registado, deve dizer-se que este maestro, além de dedicar muito do seu tempo em favor da banda, disponibilizava a sua própria casa para ensaios, uma vez que a associação não possuía instalações próprias para esse fim. Acrescente-se que também teve a virtude de transmitir a todos os seus filhos e netos o gosto pela música, perpetuando esta paixão de forma ativa.
- José de Sousa (1937-1965) - Pelo cruzamento das informações recolhidas nas várias entrevistas realizadas, verificamos que foi no ano de 1937 que José de Sousa iniciou o seu trabalho como maestro da Banda Musical das Caldas das Taipas. Considerado um dos mais respeitados maestros da banda, José de Sousa integrou anteriormente as Bandas Militares de Infantaria n.º 20, sediada em Guimarães, e de Infantaria n.º 8, da cidade de Braga. O seu conhecimento musical permitiu engrandecer e valorizar a banda, elevando o seu prestígio e dignificando a vila das Taipas por onde quer que passasse. No entanto, a sua trajetória na banda foi marcada por desafios e conflitos internos que culminaram na sua demissão a 14 de julho de 1965. Alegando razões de dignidade pessoal, artística e familiar, enviou uma carta à direção comunicando a sua saída. A sua demissão foi o culminar de diversos acontecimentos, incluindo desentendimentos internos e faltas de respeito por parte de alguns elementos da banda, que levaram a medidas disciplinares e a um ambiente de crescente insatisfação. Apesar do desfecho conturbado, José de Sousa deixou um legado de dedicação e engrandecimento da Banda Musical das Caldas das Taipas, sendo lembrado pelo seu contributo para o desenvolvimento da música na vila.
- Ilídio Lopes de Matos (1965-1987) - O maestro Ilídio Lopes de Matos sucedeu a José de Sousa no dia 25 de outubro de 1965, mantendo-se à frente da Banda Musical das Caldas das Taipas até 1987, ano em que cessou funções. Faleceu a 29 de março de 1989, vítima da “doença dos pezinhos”.
No dia 13 de novembro de 1971, a Assembleia Geral da banda reuniu-se para apreciação de contas, mas a sessão foi suspensa e retomada a 23 do mesmo mês. Nessa altura, o dirigente José Maia Gomes comunicou a decisão do maestro Ilídio de Matos, de abandonar a regência por motivos de saúde, conforme cartas enviadas no dia 28 de outubro e no dia 22 de novembro de 1971. A direção reuniu com o maestro no dia 24 desse mesmo mês, para tentar dissuadi-lo, mas, na sequência desta demissão, a regência foi entregue a Óscar Augusto Leite Machado, com as mesmas condições do anterior maestro. No entanto, segundo relatos de vários músicos, Óscar Machado não foi bem recebido e realizou apenas alguns ensaios. Após várias abordagens, Ilídio de Matos regressou à regência da banda, mantendo-se no cargo até 1987.
- Fernando Lopes de Matos (1987-1998) - Em 1987, Fernando Lopes de Matos, clarinetista e professor de Educação Musical, assumiu a regência da Banda Musical das Caldas das Taipas, sucedendo ao seu irmão, Ilídio Lopes de Matos. Manteve-se no cargo até 1998, deixando uma marca significativa na coletividade. Desde cedo envolvido na música, iniciou o seu percurso aos 10 anos na banda, onde mais tarde chegou a maestro e presidente da direção. Durante muitos anos, liderou a Escola de Música, que hoje integra a Academia de Música Fernando Matos, batizada com o seu nome, em sua homenagem pela dedicação à arte musical.
Natural da Vila das Taipas, conciliou inicialmente a música com a profissão de alfaiate, que exerceu até aos 27 anos. Depois, ingressou no Conservatório de Braga, onde se formou em clarinete e outras áreas musicais. Aos 35 anos, dedicou-se exclusivamente ao ensino, lecionando em várias escolas.
Além do seu papel na música, foi dirigente desportivo do Clube Caçadores das Taipas e presidiu a Banda Musical das Caldas das Taipas durante 18 anos (1998-2016). Inserido numa tradição familiar profundamente enraizada na banda, perpetuou um legado artístico e educacional, garantindo a continuidade da influência dos Lopes de Matos na coletividade.
A sua liderança foi marcada por desafios, especialmente na reta final da sua presidência, enfrentando dificuldades financeiras e a necessidade de manter o envolvimento dos membros. Apesar disso, conseguiu preservar a relevância e sustentabilidade da banda, deixando um legado de resiliência e visão para o futuro.
- Paulo Jorge Silva Lopes de Matos (1998-2017) - Em 1998, Paulo Jorge Silva Lopes de Matos sucedeu ao seu pai como maestro da Banda Musical das Caldas das Taipas, cargo que exerceu até 2017. Nascido a 15 de outubro de 1970, iniciou os estudos musicais na banda e ingressou no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga em 1981, na classe de violino. Concluiu o Curso Superior de Violino na Escola Superior de Música do Porto em 1996, tendo estudado com professores renomados como Radu Ungareanu, Gerardo Ribeiro e Alexei Topylgo.
Ao longo da sua carreira, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e integrou diversas orquestras, incluindo a Orquestra Portuguesa da Juventude, a Orquestra do Norte e a Orquestra de Câmara Musicare. Também fez parte de grupos de música de câmara, destacando-se a sua participação no Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim. No ensino, lecionou em várias instituições, como a Academia de Música e Bailado de Guimarães, a Academia Valentim Moreira de Sá e o Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga. Atualmente, é professor no Conservatório de Braga e na Escola de Música de Esposende, onde também exerce funções de Diretor Pedagógico desde 1996/1997.
Durante a sua regência, a Banda Musical das Caldas das Taipas gravou, em 2000, o seu primeiro CD, marcando um feito histórico para a instituição.
- Charles Piairo (2017-presente) - Desde 2017, sob a direção do maestro Charles Adrien Piairo Gomes, a Banda Musical das Caldas das Taipas vive um período de renovação. Com um efetivo de 55 a 60 músicos, dos quais a maioria, iniciaram o seu percurso musical na Escola de Música da banda, demonstrando o compromisso contínuo com a educação e a excelência artística.
Charles Gomes iniciou os estudos musicais na banda, prosseguindo no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, onde concluiu o 12º ano de trompete com mérito artístico. Entre 2000 e 2007, participou em diversos cursos e master classes com prestigiados professores e maestros, incluindo John Aigi Hurn, Stephen Mason, Kevin Wauldron e Pierre Dutot.
Atuou em musicais como Music Man e A Day at the Races (Queen), e colaborou com maestros de renome como Florin Totan, Rui Massena e António Saiote. Em 2012, concluiu a licenciatura em trompete na ESMAE, Porto.
Desde 2006, é maestro e presidente do Grupo Coral de Sande São Lourenço. Em 2013, dirigiu o I Estágio de Orquestra de Sopros da banda e foi um dos fundadores da Academia de Música Fernando Matos. Atualmente, leciona em várias instituições e exerce as funções de Maestro e Vice-Presidente da Banda Musical das Caldas das Taipas.Parte inferior do formulário
Os Presidentes: A Força Administrativa
Além dos maestros, os presidentes da Banda Musical das Caldas das Taipas tiveram um papel determinante na gestão e desenvolvimento da instituição. Algumas das figuras mais marcantes incluem:
- Prof. Manuel José Pereira (década de 1940) - Figura influente na comunidade, contribuiu significativamente para a estruturação da banda.
- António Batista de Matos (1956) - Alfaiate de profissão, incentivou a formação musical dos seus filhos e manteve forte ligação com a banda.
- José de Oliveira (1957-1959) - Presidente durante uma fase de transição, com participação ativa na imprensa regional e no setor termal.
- Manuel Gomes (1959-1962) - Responsável por uma reorganização essencial da banda, garantindo a sua continuidade.
- José Teixeira de Guimarães (1962-1964) - Liderou a banda na época de uma importante homenagem ao maestro José de Sousa.
- Padre Manuel Joaquim de Sousa (1964) - Presidiu à banda durante uma fase de reestruturação e estabilização.
- José Maia Gomes (décadas de 1980 e 1990) - Implementou reformas significativas e impulsionou a atividade musical da banda.
- João Batista Ribeiro (1988-1995) - Modernizou a estrutura da banda, reforçando a sua organização interna.
- Armando Magalhães Marques (1995-1998) - Durante o seu mandato, oficializou novos estatutos e fortaleceu institucionalmente a banda.
- Fernando Lopes de Matos (1998-2016) - Paralelamente à regência, consolidou a sua influência na organização.
- Henrique Freitas de Azevedo (2016-presente) - Atual presidente, focado na inovação e modernização da banda.
A gestão da banda tem sido essencial para a sua sustentabilidade, evolução pedagógica e crescimento regional. Com lideranças sólidas, a banda superou desafios e continua a sua missão de difundir a música e formar novos talentos.
Conclusão
A história da Banda Musical das Caldas das Taipas vai muito além das partituras e concertos, sendo marcada pela dedicação incansável dos seus maestros e presidentes. O empenho dessas figuras assegurou a continuidade e adaptação da banda às mudanças do tempo, preservando um património cultural valioso. Atualmente, esta instituição continua a ser um pilar da identidade comunitária, reafirmando a importância da música na construção de uma sociedade coesa e enriquecida culturalmente.
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