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Por uma cultura do cuidado

Paula Oliveira
Opinião \ quinta-feira, janeiro 27, 2022
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Defendo, veementemente, que devemos manter os nossos familiares ao nosso cuidado em casa, quando há condições para tal, no ambiente natural de vida, com os seus, onde são felizes e amados.

Os termos e as condições do reconhecimento do estatuto de cuidador informal bem como as medidas de apoio aos cuidadores informais e às pessoas foi publicado em Decreto Regulamentar neste mês de janeiro no seguimento do Estatuto do Cuidador Informal (ECI).

Sabemos que o envelhecimento da população é um dos grandes desafios da sociedade contemporânea. São cada vez mais as famílias que têm no seu seio alguém dependente, a necessitar de cuidados.

Os cuidadores informais desempenham um papel extremamente importante na rede de cuidados de saúde e, infelizmente, nem sempre são valorizados, reconhecidos e nem sempre estão devidamente capacitados para cuidar, fazendo o que melhor sabem e entregando-se de um modo abnegado a esta tarefa nobre: a tarefa de Cuidar. E cuidar daqueles que são os frágeis dos mais frágeis. Não obstante o amor e a entrega, 24 horas sobre 24 horas, muitas das vezes sem descanso, sem férias… que conduz muitas vezes à exaustão dos próprios e a uma prestação de cuidados que fica aquém daquilo que eles próprios almejariam.

O Município de Guimaraes, num trabalho de proximidade e atento a esta realidade, organizou-se em colaboração com cerca de 20 instituições da Rede Social para o desenvolvimento do Programa “Guimarães Concelho Cuidador” que tem por finalidade apoiar os Cuidadores Informais e as instituições do concelho que têm intervenção nesta área, através de acordo de cooperação firmado em fevereiro de 2021.

O Município de Guimarães efetua a coordenação técnica do Programa, assegurando o cumprimento dos seus objetivos, cria os instrumentos necessários à sua boa prossecução e efetua a monitorização e avaliação contínua do mesmo. As instituições que integram a Rede Social de Guimarães facilitam a informação, dinamizam atividades e disponibilizam os recursos físicos, materiais e técnicos, indispensáveis para o cumprimento dos objetivos definidos no Acordo.

Implementou-se ainda o Gabinete de Apoio ao Cuidador que funciona nas instalações da Delegação de Guimarães da Cruz Vermelha. Trata-se de um gabinete ao serviço da comunidade, que apoia os cuidadores que a ele recorram, e auxilia a ação desenvolvida pelas instituições cuidadoras, contribuindo assim, para o bem-estar físico, mental e social da sua população e com ganhos reais no campo da saúde e impacto na qualidade de vida.

Não temos dúvidas, os cuidadores informais, aqueles a quem a sociedade apelida de informais, são peças essenciais de um cuidado que pesa e desgasta quer fisicamente como emocionalmente! Para além dos objetivos do gabinete elencados, neste momento, alguns dos parceiros que integram este consórcio, estão a efetuar visitas domiciliárias aos cuidadores que o pretendam, com o apoio de um enfermeiro e de um técnico envolvendo a Unidade de Apoios da comunidade, sob a tutela do ACES.

Ainda no âmbito deste Acordo, o Município de Guimarães formalizou uma parceria com o Centro Social de Assistência Social para a Terceira Idade e Infância de Sanguedo (CASTTIS) para o desenvolvimento de ações de formação e capacitação que pretendem, a partilha de conhecimentos teóricos, mas acima de tudo e através de uma componente prática, assegurar a partilha de experiências, esclarecimento de dúvidas e a capacitação dos cuidadores.

Acreditamos que cuidadores bem formados vão contribuir para uma melhoria da qualidade de vida das pessoas ao seu cuidado, muitas vezes refletida em menos hospitalizações e, por outro lado, num aumento da sua autoestima.

O consórcio validou ainda um protocolo de procedimentos a partir do momento em que é feita a sinalização de um cuidador informal ao Gabinete, o qual prevê, sempre que haja consentimento por parte do cuidador, uma visita domiciliária e a elaboração de um plano de cuidados por parte da equipa que efetua a visita (técnico psicossocial e enfermeiro).

Reconhecemos e merecem toda a nossa admiração todas as estruturas de apoio social, a sua disponibilidade e capacitação, mas insuficientes para responder às necessidades existentes.

Defendo, veementemente, que devemos manter os nossos familiares ao nosso cuidado em casa, quando há condições para tal, no ambiente natural de vida, com os seus, onde são felizes e amados.

O reconhecimento do Estatuto do Cuidador Informal, apesar de um importante avanço social, vem (re)lembrar-nos, a todos, que há ainda um longo caminho a percorrer, para todos, em rede, atingirmos esta meta: que ninguém fique sozinho, nem se sinta excluído e abandonado!

PS: Presto aqui a minha homenagem pública a todos os Cuidadores.