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O desafio do rastreio do Cancro da Próstata

Daniela Marques
Opinião \ quinta-feira, março 17, 2022
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Atualmente não se encontra preconizado o rastreio universal de cancro da próstata. Poderá ser considerado caso-a-caso, numa decisão que deve ser partilhada entre médico e utente.

O cancro da próstata é um cancro comummente diagnosticado no homem e uma importante causa de morbimortalidade. No entanto, ainda não é recomendado o rastreio universal do mesmo (rastreio a todos os homens numa dada faixa etária, à semelhança, por exemplo, do rastreio do cancro do intestino). Tal justifica-se pelas particularidades inerentes à própria história natural da doença, assim como aos métodos disponíveis para realizar esse mesmo rastreio.

Em muitos casos, o cancro da próstata apresenta um crescimento bastante lento, nunca se tornando clinicamente relevante, nem tendo impacto na sobrevida. A introdução do rastreio deste cancro pode, por um lado, levar à identificação precoce do mesmo com potencial benefício na redução da mortalidade (a identificação da doença quando ainda se encontra localizada, associa-se a um melhor prognóstico), mas ao mesmo tempo provoca um aumento da deteção e tratamento de casos que nunca viriam a causar problemas relevantes ao seu portador (com eventual impacto negativo tanto a nível psicológico, como físico). O rastreio não permite, aquando da deteção de casos de cancro, a distinção entre aqueles que serão agressivos dos que serão mais indolentes. 

O PSA (antigénio específico da próstata) é o método de eleição para o rastreio de cancro da próstata, obtendo-se com uma simples análise ao sangue. No entanto, este marcador não é específico para o cancro da próstata, podendo estar elevado noutras situações (por exemplo, no aumento benigno do tamanho da próstata ou nas infeções desta) e normal mesmo na presença de cancro. À semelhança de outros testes e rastreios, pode associar-se a “falsos positivos”, ou seja, apresentar elevação, sendo que no estudo posterior não se encontra cancro.

As recomendações para o rastreio de cancro da próstata variam consoante as diferentes entidades. De acordo com a Direção Geral de Saúde, este deve ser proposto de forma oportunística (caso-a-caso) a homens entre os 50 e os 75 anos, desde que esclarecidos os potenciais riscos e benefícios. A posterior repetição depende do valor de PSA obtido, variando habitualmente entre 1 e 2 anos. Em homens com risco aumentado de cancro da próstata (familiar de 1º grau com diagnóstico antes dos 65 anos e raça negra) pode ser considerado o rastreio mais precoce.

Assim, caro leitor, como pode verificar, não se trata de uma decisão simples ou linear. Opte por uma escolha informada e aborde o assunto com o seu Médico de Família.