O concelho de Guimarães cresce, mas cresce para todos?
O concelho de Guimarães vive um momento particularmente positivo, dado que existe investimento, reconhecimento externo, crescimento turístico, novos projetos tecnológicos e uma crescente afirmação nas áreas da ciência, da cultura e da sustentabilidade.
O concelho reúne dezenas de projetos apoiados pelo NORTE 2030, correspondentes a mais de uma centena de milhões de euros de investimento. A Universidade do Minho reforça a sua posição na supercomputação e na inteligência artificial; em Pevidém está prevista uma unidade ligada à produção de satélites óticos; e no AvePark a TAG Medical Products escolheu o concelho de Guimarães para instalar a sua primeira unidade industrial europeia.
A Capital Verde Europeia 2026 representa também um reconhecimento importante, pois o turismo continua a crescer e Guimarães ultrapassou recentemente as 400 mil dormidas anuais. Na cultura, depois da Capital Europeia da Cultura de 2012 e da Capital Verde de 2026, o concelho prepara-se ainda para ser a Capital da Cultura do Eixo Atlântico em 2027.
Todos estes dados são razões suficientes para reconhecer que existem coisas boas a acontecer, mas há uma questão essencial que devemos abordar: como se distribuem os efeitos desse crescimento por todo o território?
É evidente que os grandes investimentos localizados na cidade, em Azurém ou no AvePark não beneficiam apenas quem aí vive, pois um cidadão das Taipas, de Ronfe, de Lordelo ou de São Torcato pode estudar na Universidade do Minho, trabalhar numa empresa instalada nesses polos, frequentar equipamentos culturais ou beneficiar da valorização económica e turística de Guimarães, e, por isso, não faz sentido criar uma oposição entre cidade e freguesias.
O verdadeiro desafio é garantir que todos têm condições reais para aceder às oportunidades que o concelho está a criar e é aqui que a mobilidade pode ter um papel decisivo. A promessa de gratuitidade dos transportes públicos, se for concretizada e acompanhada por uma melhor cobertura, com mais frequência e horários adequados, pode tornar-se um dos instrumentos mais importantes para aproximar o território.
Não basta ter transportes gratuitos, pois, se um autocarro passa poucas vezes por dia e não serve determinados horários ou não liga eficazmente as freguesias aos principais polos, continua a não responder às necessidades de quem depende dele.
Podemos afirmar que nem todas as freguesias precisam de uma universidade, de um grande equipamento cultural ou de um parque tecnológico, mas todas as pessoas devem sentir que fazem parte da estratégia de desenvolvimento do concelho e, para este sentimento existir, tal significa boas escolas, acessibilidades, espaço público cuidado, atividade económica, cultura descentralizada, serviços de proximidade e condições para fixar população.
O objetivo não deve ser repartir tudo por igual, mas garantir que ninguém fica para trás. O concelho de Guimarães tem hoje razões para acreditar no futuro, agora falta transformar o sucesso dos seus principais polos em qualidade de vida para todo o concelho.